terça-feira, 8 de maio de 2007

A corrida verdadeiramente popular.


As Festas das Cruzes dão início a um sem número de romarias que se realizam no norte de Portugal até ao final do Verão. Na terra do famoso Galo de Barcelos, por estes dias que passaram, o colorido dos desfiles, a música e os tradicionais fogos de artifício alegraram a gente desta região do coração do Minho. Uma pequena freguesia vizinha da cidade, Galegos São Martinho, terra de artesãos e oleiros, associou-se à festa promovendo o atletismo para miúdos e graúdos. Todas as corridas onde os mais pequenos têm as suas mini-provas, tem um ambiente especial provocado pela imensa algazarra que os mais petizes fazem. A alegria e ansiedade estampada nos rostos destes irrequietos atletas dão um enorme encanto à corrida e arriscaria mesmo dizer que contagiam os mais velhos.

Depois de os mais pequenos terem abrilhantado a festa, iniciou-se a corrida principal que juntava cerca de 250 homens e mulheres, séniores e veteranos, para correrem a distância de 8 km. No fim da prova ouviram-se as habituais reclamações, sobre o calor, a escassez da água que não chegou para todos, a falta da marcação dos quilómetros, a dureza do percurso com muitas subidas e o piso em paralelo, alcatrão e terra, bem típico de uma zona onde ainda se respira uma certa ruralidade.


Obviamente que a prova teve algumas falhas, estava um certo calor, o que fez com que a água esgotasse mais depressa em prejuízo dos mais atrasados, mas a lacuna foi de alguma forma colmatada pela gentileza dos moradores que disponibilizaram água desde algumas casas. Uma das coisas que mais valorizo nas corridas é a segurança dos atletas em prova e aqui a organização esteve impecável, pois o trânsito ao longo de todo o percurso estava totalmente cortado, o que como bem sabemos, não acontece em muitas provas para desespero dos mais atrasados. Na chegada não existe cronometragem, muito menos classificações na internet, apenas umas meninas que vão apontando os números dos dorsais de quem acaba e elaboram uma classificação, havendo para o efeito na meta, várias linhas de chegada devidamente divididas por escalão a que os atletas pertencem. Uma originalidade que merece o meu aplauso!

Além de aplaudir, não posso também deixar de enaltecer o trabalho do António Zeferino, que também é atleta, chegando mesmo a ser olímpico por Cabo Verde e é a verdadeira alma desta organização. Ele é o secretário que recebe as inscrições, distribui dorsais, dá o tiro da partida, elabora classificações, para além de que também agarra no microfone e chama ao palco os vencedores para distribuir os prémios. Um trabalho cansativo, mas que o Zeferino faz com particular simpatia, própria de um verdadeiro amante da modalidade, que quer levar o atletismo até ao povo.

Os prémios de participação, esses são ao agrado de todos. Toda a gente leva para casa mais que uma t-shirt, porta-chaves, miniatura em barro do Galo de Barcelos, com um texto narrando a respectiva lenda e uma placa em cerâmica alusiva ao clube de atletismo, que só podia ter o nome "Os Ceramistas". Por tudo isto, confesso ter um carinho especial por esta prova, que foi adquirido no ano passado na sua primeira edição. Assim, apliquei-me com a mesma entrega como se estivesse a correr numa prova mediática em Lisboa ou Porto e quando cheguei ao fim o meu cronómetro marcava 28m50s, com o baptismo de ter sido a primeira prova onde também ganhei um prémio monetário de 10 euros, pelo 9º. lugar em Veteranos 45-50 anos!

No próximo domingo calaçarei as sapatilhas para meia maratona de Cortegaça. Até lá!

2 comentários:

ana paula pinto disse...

Gostei imenso de ler a descrição desta prova, sobretudo o enquadramento que lhe fez...transportou-me até ao nosso verdejante norte, de gentes simples e sinceras.

Penso que, qualquer um que a leia, fica com vontade de acelerar o calendário, entrar em 2008 e ser dos primeiros a increver-se...

Parabéns (também pela prova)
Paula

Jackelyne disse...

Uau Zé!...
Parabéns pela prova.. e pela sua colocação.... não é para qualquer um...

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Um super beijo!