segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Porto, Nova Iorque e Nazaré!

Caiu o pano sobre a Maratona do Porto. Quando os objectivos que traçamos para a prova rainha do atletismo são atingidos, até parece que a recuperação é mais fácil. No dia seguinte à maratona, pela manhã, fiz uma caminhada muito ligeira e no final da tarde fui a um centro de massagens, entregar as minhas pernas a uma simpática e competente massagista que com umas mãos milagrosas as deixou como novas. Mais dois dias de caminhadas e confesso que no quarto dia já nem me lembrava que tinha corrido os quarenta e dois quilómetros cento e noventa e cinco metros. Assim, regressei à terra batida do parque das Taipas para correr, obviamente, devagar e não excedendo quarenta minutos. Continuei as corridas muito suaves e por períodos não muito longos, fazendo aquilo que entre os atletas se designa por 'descanso activo'. Quando passaram dez dias, progressivamente fui aumentando a carga e orientando o treino para ritmos mais rápidos, procurando readquirir a velocidade perdida com a preparação da maratona, pois avizinham-se novas corridas e é preciso estar em forma!

Durante este período deu-se uma feliz coincidência. O Teatro Oficina de Guimarães estreou a peça "Maratona de Nova Iorque", que como podem imaginar eu não poderia perder. Vim a saber que o autor, o italiano Edoardo Erba, é considerado um dos mais brilhantes talentos da sua geração e que "Maratona de Nova Iorque" foi produzida e levada a cena em muitas cidades do mundo. A peça é notável! Dois actores, a correrem sem sairem do sítio durante quarenta e cinco minutos, representam dois amigos, atletas amadores, que treinam à noite para dali a um ano fazerem a Maratona de Nova Iorque. Um é mais fraco, revela todos os seus medos, o outro tem mais certezas e entusiasmo, mas ambos estão unidos pelo esforço e pela fadiga comuns, tentando não desistir. Através das palavras ofegantes da corrida vão dialogando, muitas vezes utilizando o calão, revisitando o passado, desde as lembranças e as memórias pessoais, até um sprint final para o futuro. A maratona pode não ser uma metáfora da vida, mas a sua própria história, revivida por milhares de atletas amadores nas centenas de provas que se realizam em todo o mundo, é um pedaço de vida de cada um em busca da descoberta de si próprio.

O calendário das corridas não pára, o que é preciso é ter pernas! Para verificar se as minhas já se encontram totalmente recuperadas da 'estopada' da maratona, nada melhor que pô-las à prova! Todos os atletas do pelotão sabem que no segundo domingo de Novembro, na Nazaré, se realiza a mais antiga meia-maratona de Portugal e a quem todos carinhosamente chamam a 'mãe das meias-maratonas'. Esta vai ser a 33ª. edição, o que é sempre de saudar tão longa longevidade, sendo esta das provas que quem participa pela primeira vez promete voltar no ano seguinte. Pela parte que me toca assim o tenho feito desde que me iniciei no munda da corrida, pelo que domingo será a minha quinta participação consecutiva. Vamos lá ver se a 'mãe' embala as minhas pernas para um óptimo resultado.

Bons treinos, boas corridas!

2 comentários:

Wladimir Azevedo disse...

Amigo José,
agradeço também o link adicionado para o meu blog.

E concordo com suas palavras, realmente o mais importante é que motivemos outras pessoas e verifiquem que esta prática é possível a todos.
Abcs,
Wladimir

José Ramalho disse...

Desejo-lhe também boa sorte para a Nazaré.
Abcs.
José Ramalho