terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Os desafios das pernas.


Cumpri 3 semanas de descanso activo. Reduzi o número de kms, abrandei o ritmo e ainda me dei ao luxo de contabilizar 2 dias de descanso efectivo. Portanto, treino sim, mas nada de séries, nem Fartlek, apenas rolar, umas vezes a trotes muito suaves, outras em corridas contínuas a ritmos moderados. Apenas e só nesta última semana é que fui gradualmente imprimindo ritmos mais fortes, para que o corpo não perca as rotinas de treino.

E agora, que desafios vão ter as pernas?

Para poder programar o treino dos próximos meses, elaborei um calendário de corrida para os próximos tempos.

MARÇO
- Dia 22 - Meia-Maratona de Lisboa

ABRIL
- Dia 05 - Meia-Maratona Cego do Maio, Póvoa de Varzim
- Dia 19 - Gold Marathon Carlos Lopes, Lisboa

MAIO
- Dia 10 - Meia-Maratona de Cortegaça
- Dia 24 - Meia-Maratona Douro Vinhateiro, Régua

JUNHO
- Dia 07 - Meia-Maratona de Matosinhos
- Dia 21 - Corrida das Festas da Cidade do Porto (15 km)

JULHO
- Grande Prémio de S. Pedro (10 km), Póvoa de Varzim

Inicialmente, tinha programado correr uma maratona na Primavera e no estrangeiro, mas a crise também chega à malta das corridas, daí ter optado pelo mercado nacional e ir experimentar a maratona do Carlos Lopes que, apesar de muitas incertezas e de receber sempre inúmeras críticas em termos de organização, continua a realizar-se. No entanto pude constatar que pelo menos tem um ponto positivo - o percurso - partir da Expo, correr junto ao Tejo, depois seguir pela marginal até Cascais, voltar até ao Casino do Estoril e aí terminar, parece-me de facto muito interessante!

Assim, a maratona devido à sua exigência em termos físicos merece sempre a minha melhor atenção. Aliás, iniciei esta semana a sua preparação e nas próximas 8 semanas será o foco do meu treino. Irei submeter as pernas a cerca de 900 kms - muitos treinos de corridas contínuas a vários ritmos, muitas séries de 800 metros e claro os inevitáveis treinos longos que variarão entre os 22 e os 28 kms. O objectivo para a 9ª maratona da minha carreira, é simples: bater o tempo que estabeleci em Outubro no Porto - 2h54m15s.

Se tudo correr dentro da normalidade, irei comemorar a minha 50ª presença em meias-maratonas, no magnífico cenário do Douro Vinhateiro, na Régua. Devido à magia do número, conto por essa altura estar em forma, colher os frutos da preparação da maratona e em condições para tentar melhorar a minha marca na distância: 1h18m47s.

Como podem verificar, não vão faltar corridas para alimentar a minha motivação! Os dados estão lançados, iremos ver como responderão as pernas a todos estes desafios!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Razões do corpo.

Entre a Maratona do Porto (26 de Outubro) onde fixei o meu novo record e a Meia-Maratona Manuela Machado (25 de Janeiro) em que o vento traiu um resultado ainda melhor, passaram-se 3 meses. Neste espaço de tempo, corri a 'meia' da Nazaré onde tive um óptimo desempenho, a seguir a 'meia' da Marinha Grande onde estabeleci a minha melhor marca, depois as S. Silvestres do Porto e Santo Tirso, com excelentes performances e por fim pulverizei o record dos 15 km no Nacional de Estrada disputado em Mirandela.

Estes resultados levaram-me a fazer algumas reflexões acerca do treino que fiz durante os últimos meses. A primeira coisa a referir, desde logo, é que a preparação para a maratona, quando feita de forma adequada, reflecte-se não só na maratona propriamente dita, como também nas corridas seguintes. Em segundo lugar, a importância de refrear o entusiasmo gerado pela obtenção de boas marcas, que no passado me levou a cometer o erro de aumentar muito as cargas de treino, pensando que deste modo alcançaria mais rápido melhores resultados. Raramente falho um treino, mas comecei a desempenha-lo seguindo a regra do bom senso.

Especificamente, treinei para a 'prova rainha' durante 9 semanas, com direito apenas a dois dias de descanso e uma média semanal de kms nunca inferior a 90, o que totalizou 61 de treinos e 882 kms percorridos.
Após a maratona, durante 3 dias fiz caminhada ligeira, regressei aos treinos a ritmos muito sauves e a partir da segunda semana comecei a aumentar a carga gradualmente. Durante a preparação para a maratona, a meio da semana tinha um dia na pista de tartan reservado às séries, cujo número de repetições variou entre as 6 e as 12. Depois deixei de fazer séries e optei pelo Fartlek efectuado num circuito em terra de cerca de 1 km, com subidas e descidas, que constava basicamente em correr 300 mts rápidos e os restantes a um ritmo mais moderado. O número de kms neste método oscilou entre os 8 e os 12 km, dependendo da proximidade das competições. Obviamente, tanto o treino de séries como o Fartlek, era sempre precedido de 25 minutos de aquecimento e depois, no final, 15 minutos de regresso à calma. Também dei particular atenção aos alongamentos, parecendo coisa de menor importância, mas que se revelam essenciais na prevenção de lesões e consolidação muscular.

Comecei esta paixão pela corrida com quase 40 anos e conto já no meu curriculum com 8 maratonas e 46 meias-maratonas! Esta experiência de 7 anos, de muitos dias de treino e kms nas pernas, ensinaram-me que o mais importante para mim, atleta veterano, é a forma como recupero dos treinos fortes e a regularidade com que os faço. Treino diariamente, para ter disponibilidade e condições físicas, tento também ter uma alimentação adequada e umas boas horas de sono retemperador. Não adianta calçar as sapatilhas para correr quando se está cansado! Também cheguei à conclusão que as séries curtas de 100, 200 e 300 mts, que outrora utilizava com a finalidade de ganhar velocidade, não me traziam grandes benefícios, antes pelo contrário provocavam-me bastante desgaste muscular e retardavam a minha recuperação. Prefiro fazer rectas de 150 mts em ritmo progressivo duas vezes por semana e no fim de um ou outro treino de corrida contínua. Gostaria ainda de referir a importância da planificação e registo do treino. Anoto todos os dias o tipo de treino, número de kms percorridos, o tempo efectuado, o ritmo e as características do terreno. A recolha destes dados permite fazer comparações, análises do estado de forma e a evolução do rendimento ao longo dos anos.

A campeoníssima Paula Radcliffe disse um dia que o seu sucesso e a sua longevidade de atleta de alta competição se devia ao saber escutar os sinais do corpo. Talvez os anos que tenho de prática de corrida ainda não me confiram a maturidade suficiente para ter essa percepção, por enquanto apenas me guio pelas razões do corpo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Meia-Maratona Manuela Machado: Contra ventos não houve argumentos!

Na última semana bateu-se um enorme temporal sobre o norte do país. Chuvas e ventos fortes estavam na ordem do dia, aliás a Protecção Civil, anunciava permanentemente alertas para os distritos de Braga e Viana do Castelo. Mas atleta que se preze e que goste de agitar as endorfinas, dá poucos ouvidos a este tipo de avisos. Assim, os treinos dos últimos dias foram feitos debaixo de chuvas intensas e ventos que até arrancaram árvores! Com este panorama e segundo os meteorologistas para a manhã de domingo não era esperado nenhum dia ameno.

Cheguei a Viana bastante cedo, até nem foi preciso estacionar o carro no parque pago junto à antiga doca, ficou mesmo em frente ao Navio-Museu Gil Eanes e à borla! Quando saí do carro, não chovia mas já corria um vento bastante desagradável e sobretudo muito frio. Subi a avenida onde é dada a partida e chegada e a azáfama da organização em manter de pé as grades, as bandeiras e as faixas publicitárias ali colocadas era grande, sinais que o tempo continuava a fazer estragos. A Manuela Machado andava numa roda-viva. Levantei os dorsais sem qualquer espécie de fila e comecei a duvidar que os 2000 atletas que a organização anunciou fossem atingidos. Obviamente, muitos preferiram ficar, como disse o outro - na caminha - a ir correr com esta invernia.

Como estava frio comecei a fazer o aquecimento com 45 minutos de antecedência da hora da partida. Entretanto os atletas começavam a aparecer de todos os lados e também a fazerem-se notar os inúmeros espanhóis que a organização garantia ter presentes. Nos trotes ligeiros do aquecimento, quando corríamos para Norte o vento travava, para Sul o vento empurrava, outras vezes pura e simplesmente atrapalhava. Nas habituais impressões que se trocam entre os atletas era unânime ouvir-se que ia ser uma corrida difícil e nada propícia a grandes tempos.

Para continuar na senda dos records teria de concluir a prova abaixo de 1h18m47s! Pareceu-me que não era o dia ideal para isso, não pela minha condição física, mas pelas condições climatéricas. Mas como sou teimoso, disse para mim - partes para o tempo que te dê o record, se não for possível, paciência!

Encaminhei-me para a partida, fui furando entre este e aquele e até consegui um bom lugar. Apesar do tempo adverso e embora longe dos números esperados pela organização do evento, ainda assim estava muita gente. A partida foi dada e tento agrupar-me a atletas que tem ritmos idênticos aos meus, para ver se seguindo em grupo, minorava as dificuldades que se perspectivavam. Dobrei o km 5 em 18m15s, o que era bastante bom! O vento até aqui não atrapalhou, não seguia propriamente em grupo, mas também não ia só, ultrapassava aqui e ali um atleta ou era ultrapassado. Dos 5 aos 1o kms saímos de Viana e rumamos a Cardielos, à freguesia de onde é natural a Manuela Machado, o percurso é feito num sobe e desce, nada de muito difícil, atenuado até pela ajuda do vento. Aqui já seguia praticamente entregue a mim próprio, mantendo um ritmo dentro dos 3m42s/km, que era excelente, mas estava a desconfiar que quando tivesse de correr no sentido inverso, a corrida ia complicar-se. Cheguei aos 10 kms com 36m44s, que dava uma margem positiva de cerca de 30 segundos para a obtenção do record. Estava a fazer um trabalho de formiga, tentando amealhar segundos necessários quando o vento era favorável, para depois poder perdê-los quando este se revelasse desfavorável! Depois do retorno próximo dos 12 kms, o que se suspeitava que ia acontecer, acontecia mesmo. O vento estava mesmo contra, era necessário imprimir mais força nas pernas, tentava-se chegar a um colega e ficar escondido atrás dele, olhava-se em frente e esperava-se que junto aquele muro alto fosse mais abrigado. Puro engano! O meu cronómetro na passagem dos 15 km sentenciava que o que amealhei até aos 10 km estava esbanjando e que até já contabilizava um prejuízo de 10 segundos. Como se seguiam 2 km a descer e o meu optimismo não é fácil de abalar, ainda acreditava que o vento pudesse dar uma trégua e o record ser alcançado. Esta ilusão demorou muito pouco, entre o km 17 e 18 o vento era forte demais, por momentos quase me parou e as consequências no cronómetro foram devastadoras - 1 km em 4m18s! Depois fica muito difícil voltar ao ritmo e só dos 19 para os 20 km consegui 3m48s, mas era demasiado tarde e o record já o vento o tinha levado!
Cortei a meta com 1h19m40s, atendendo às circunstâncias até foi um tempo simpático. Fui 79º lugar na classificação geral entre os 999 que terminaram a prova e no escalão veteranos 45-50 anos, 7º em 170.

Não adianta chorar os caprichos da natureza, a leveza das minhas pernas não tiveram argumentos para o vento. O record pode esperar, ainda estamos no início de 2009 e até ao fim não vão faltar oportunidades para o superar!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Mirandela: Voar nas margens do Tua!

Mirandela é uma bonita cidade do nordeste transmontano. Encravada entre serras e montes, num vale banhado pelo rio Tua, com espaços verdes muito bem cuidados, são algumas das características que lhe atribuem uma aura de romantismo e charme, que levam muitos a designa-la por cidade-jardim!

Nas épocas anteriores, o CAMIR (Clube Amador de Mirandela) em parceria com o município, organizaram a Meia-Maratona "Rota do Azeite". Este ano, como a Federação Portuguesa de Atletismo decidiu levar o Campeonato Nacional de Estrada até Mirandela, e como a distância neste tipo de competição é de 15 km, a 'meia' foi trocada por esta prova.

O meu clube, o NAT (Núcleo de Atletismo das Taipas), fez-se representar por um elevado contingente, 30 atletas para os 15 km e 19 para a caminhada. Ainda era noite quando o autocarro que nos transportou começou a rumar até Trás-os-Montes, acompanhado por uma chuva miudinha e um nevoeiro cerrado, ao longo da travessia da serra do Marão. No entanto, nem este tempo invernoso fazia esmorecer a vontade de cada um de nós dar o seu melhor, antes pelo contrário, até servia de motivação. No entanto, quando chegamos a Mirandela deixou de chover, estava frio e nublado, mas bastante agradável para correr!

Atendendo às minhas últimas prestações em provas recentes, ao tipo de treino que tenho efectuado e, essencialmente, à forma como me sinto, o objectivo para esta corrida era melhorar a minha marca na distância, registada no ano passado em Viana do Castelo, com o tempo de 55m04s. Assim, tinha planeado a corrida para um tempo máximo de 18m20s, cada 5 km, que daria uma média de 3m40s/km, mas com plena consciência que até poderia fazer um pouco melhor, pois sabia de antemão que o percurso era bastante rápido.

Apesar de ser uma prova do Campeonato Nacional, não estava tanta gente como se esperava e a organização anunciou 700 atletas. A partida foi dada em cima de uma das pontes do rio Tua, e como estava bem colocado, não tive qualquer espécie de problema na largada. Comecei num ritmo forte e estava à espera da placa que anunciava o 1º km, para averiguar o andamento - não a vi, nem podia ver, porque parece que nem existia, aliás como as seguintes, assim o ritmo foi apenas controlado pela experiência e pela companhia de atletas que vamos conhecendo de outras provas.
Finalmente, apareceu a placa dos 5 kms e o meu cronómetro marcou uns excelentes 17m40s. ou seja, estava a correr 40 segundos mais rápido que o planeado. Neste momento, resolvi refrear um pouco o ímpeto para o segundo terço da corrida e depois se estivesse com força, atacar no último terço da prova. Dos 5 kms até aos 10 kms, o percurso traz-nos de volta ao centro da cidade e o Tua é cruzado pelas duas pontes. Mesmo tirando um pouco o pé do acelerador, ainda ia ultrapassando alguns atletas, o que era deveras motivador. Dobrei os 10 kms com o tempo de 36m05s, com o segundo parcial a fixar-se nos 18m25s. Estava mais rápido 35 segundos do que o tempo necessário para bater o meu record!
Como as pernas estavam a responder muito bem, a cabeça deu ordem para avançar mais depressa - foi pensar e fazer! Surpreendentemente, a partir dos 12 km começaram a aparecer placas e eu cronometrei 7m15s em 2 km, depois surgiu a dos 13 km e o meu ritmo melhorou, 3m33s nesse km, a seguir a dos 14 km ultrapassada em 3m30s. Muito moralizado e sabendo que o record já não me iria escapar despachei o último km em 3m28s, fechando o último parcial de 5 km em 17m43s, contabilizando um espectacular tempo final de 53m48s, à média global de 3m35,2s/km!

Voei nas margens do Tua!
Foi pena que a organização de um evento desta natureza não tivesse cronometragem através do sistema de 'chip' , no entanto e embora tardiamente, as classificações recolhidas manualmente foram publicadas no site do clube organizador.
Mais vale tarde que nunca!
Assim, ficou-se a saber que terminaram a prova 379 atletas, números muito distantes dos anunciados. Atribuiram-me o tempo de 53m50s, que se saldou pelo 101º lugar da geral e em veteranos 45-50 anos feitas as respectivas contas, obtive o 5º lugar.

No próximo domingo o calendário marca Viana do Castelo - Meia-Maratona Manuela Machado. Vou tentar recuperar bem durante esta semana, para ver se as pernas continuam a galgar records!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

S. Silvestre de Santo Tirso: A abrir (n)o novo ano!

O Centro de Atletismo de Santo Tirso e a Câmara Municipal organizaram mais uma vez e como é hábito nos primeiros dias do ano, a 11ª S. Silvestre. Já tinha estado presente na antepenúltima e penúltima edições, pelo que tinha uma ideia acerca do grau de dificuldade e ambiente da corrida. Este ano a organização ofereceu um novo percurso aos atletas, mas como é óbvio e atendendo à localização geográfica da cidade, era impossível evitar o sobe e desce constante, assim como o muito piso em paralelo ao longo dos 10 kms de distância da prova. A partida e a chegada eram junto aos Paços do Concelho, que também tinha por ali uma passagem mais ou menos a meio da corrida e neste local sentia-se o entusiasmo por parte do numeroso público presente.

A corrida principal estava marcada para as 18h30m, mas como e muito bem, nas horas anteriores, os mais novos competiram em vários escalões e distâncias, fazendo aquela algazarra característica de quando se juntam às dezenas dando mais brilho à festa. Paralelamente, havia ainda um 'Bike Tour' para os mais radicais e uma caminhada para todas as idades denominada 'Passeio de Gerações'. Com um programa tão extenso, naturalmente houve um pequeno atraso no horário previsto, mas foi útil para aprimorar o aquecimento e para conhecer pessoalmente um companheiro da blogosfera, o Miguel Paiva, com quem troquei algumas palavras acerca da paixão que temos em comum pela corrida. Através dele, ainda me foram apresentados outros dois bloggers, o Mark Velhote e o João Meixedo.

Rapidamente, chegou a hora da partida e como estava muita gente, coloquei-me logo junto aos que partem na frente, para evitar confusões e perda de alguns segundos na ultrapassagem dos que arrancam devagar, mas que teimam em ir para a primeira linha.

Soou o tiro da largada e o pelotão partiu a grande velocidade, aproveitando os primeiros metros da descida acentuada, levado pela avalancha de atletas, dobrei o 1º km com 3m20s! Os kms seguintes foram num autêntico carrossel, subia, descia, voltava a subir, para logo a seguir descer e na alternância entre o piso de alcatrão e o empedrado, pendia sempre para o lado do empedrado e nem a utilização dos passeios trazia grandes benefícios às pernas dos atletas! Tentei manter um ritmo forte, o resultado da média por km variou apenas consoante a inclinação do percurso, pelo que fiquei bastante satisfeito com a minha prestação. Nos primeiros 5 kms contabilizei o tempo de 18m14s e nos segundos 18m22s, cujo tempo final ao cortar a meta totalizou 36m36s, a uma média gobal de 3m39,6s/km.

Em termos classificativos, na geral fui 74º entre os 557 que terminaram a prova e relativamente ao escalão de 45-50 anos, obtive o 8º lugar entre 76 concorrentes. Pareceu-me uma excelente forma de abrir o 2009!

Agora, vou preparar os 15 kms do Campeonato Nacional de Estrada, que este ano se realiza em Mirandela, no próximo dia 18 de Janeiro. Como para estar bem preparado só treinando, é o que vou fazer com dedicação e muito prazer, pois correr já faz parte da minha vida!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

S. Silvestre do Porto: A última corrida do ano.

No final de cada ano em muitas cidades do país, habitualmente à noite, realizam-se as tradicionais corridas de S. Silvestre. A cidade do Porto, que é palco de tantas e tão boas provas de atletismo, não poderia deixar passar esta data em branco. Assim, mais uma vez , a Runporto organizou a 15ª. Corrida S. Silvestre Cidade do Porto que, no fim da tarde deste domingo juntou uma multidão na Avenida dos Aliados. Para a prova principal de 10 km estavam anunciados 2.000 participantes e para a mini-caminhada 4.000. Como não chovia e o frio até não era tanto como em dias anteriores, também muitos espectadores foram para as ruas da baixa portuense aplaudir os atletas, fazendo uma bonita festa!

Nesta edição, devido à ausência de atletas africanos, a organização apostou no mercado espanhol e foram cerca de 200 os nuestros hermanos que correram na Invicta e travaram com os atletas lusitanos um interssante duelo, uma vez que estava em disputa o Troféu Ibérico. A taça ficou em casa, pois os vencedores foram Rui Silva (Sporting) com o tempo de 29m33s e Sara Moreira (Maratona) com 33m53s, deixando a armada espanhola a alguns lugares de distância.
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A minha prestação correu dentro do previsto, reconhecendo desde logo que não é uma corrida adaptada às minhas características e ao treino que tenho desenvolvido. O percurso é composto por duas voltas, com subidas e descidas muito acentuadas e num piso em que o empedrado predomina, pelo que apontei um tempo final a rondar os 37 minutos. Estava bem colocado na partida e não tive muitos problemas na largada, que é feita a descer e como é hábito a grande velocidade. Só que este ímpeto inicial é imediatamente travado pela íngreme subida de cerca de 2,3 km até ao Marquês, para depois descer, primeiro ligeiramente e a seguir com mais inclinação até completar a primeira volta. Depois vem a segunda e também aumentam as dificuldades, quem abusou no ritmo de ínicio paga a ousadia na interminável subida desde a Rua Sá da Bandeira, até dobrar novamente o Marquês. Foi nesta segunda subida que me encontrei com um companheiro aqui da blogosfera, o Luís Mota, e ainda trocamos palavras, num breve cumprimento. No último km um equívoco, só possível por ser a primeira vez que faço este percurso, fez com que eu gastasse a força num sprint que se revelou precipitado, pois ainda faltavam 400 metros para o final, era ainda necessário contornar o meio da Avenida dos Aliados e uma ligeira subida até à meta! Apesar deste percalço, cortei a linha de chegada com o tempo de 37m16s, fui 54º classificado entre os 1.680 que terminaram a prova e 6º em Veteranos (45-50 anos).

Foi a minha 19ª e última corrida do ano. Sem falsas modéstias, em todas as competições que participei estive em bom nível. Melhorei as minhas marcas pessoais em todas as distâncias, pelo que com toda a propriedade posso considerar o ano de 2008, MARAVILHOSO!
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Desejo e espero, tanto para mim, como para todos, que 2009 possa ainda ser melhor!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Meia-Maratona da Marinha Grande: A saga de um record!


Como referi no post anterior, a 'mãe' da Nazaré tinha-me sussurrado ao ouvido que o record da meia-maratona poderia ser batido em breve! Fiquei com a pulga atrás da orelha e não descansei enquanto não me inscrevi numa 'meia' para dissipar a questão. Olhei para o calendário de corridas e escolhi a Marinha Grande. Como fica nas proximidades da Nazaré, quem sabe se poderia contar com a graça da mãe! Em 2005 tinha participado nesta prova, que apesar de ser modesta em termos de números de atletas, tem excelente percurso, abastecimentos suficientes e marcação de kms devidamente referenciados, reunindo portanto todas as condições para uma boa corrida.

Depois de ter convencido dois companheiros de equipa a fazer uma viagem de 250 kms debaixo de chuva intensa, para ir correr uma meia-maratona, não podia defraudar as expectativas, o objectivo era apenas um: Correr para o record!

Como estavam apenas cerca de 200 atletas, deu para proceder ao aquecimento com todos os pormenores que uma corrida exige. A chuva, que até então não parava de cair, também deu uma trégua, o céu começou a aliviar e o sol fez, aqui e ali, uma breve aparição. Como não estava muito frio e o vento que havia não era muito forte, até o tempo parecia querer dar uma ajuda à saga que ia travar com o cronómetro.

Em todas as corridas, planeio o ritmo a que devo seguir com vista a alcançar o resultado pretendido. As contas eram simples, para melhorar o meu record que estava em 1h18m56s, teria que correr a uma média dentro dos 3m44s/km, sendo a estratégia de 18m40s por cada 5 kms. Parti com muita determinação, mas isto das corridas nem sempre é como a gente deseja e as contas tantas vezes saem furadas!

Até ao 5º km segui num grupo de meia dúzia de atletas, registando um tempo de 18m27s, nos kms seguintes fiquei apenas com 2 companheiros e mantivemo-nos até aos 10 kms, que foram dobrados com o tempo de 37m08s. De acordo com os meus cálculos estava com um intervalo positivo de 12 segundos, mas era uma margem reduzida que não me permitia grandes quebras para a segunda parte da corrida. A partir dos 12 kms os meus companheiros ficaram para trás, no entanto não esmoreci - no momento em que se fica sozinho correndo pela estrada fora, o apelo à capacidade de resistir às adversidades vem ao de cima. Naturalmente, acusei algum desgaste e na passagem dos 15 kms o meu cronómetro assinalou 56m03s, perdendo apenas escassos 3 segundos!

Entrava na fase crucial da corrida, era a hora da superação, como fui ultrapassando alguns atletas que iam em perda fui-me motivando e acreditando que era possível. A partir daqui entrei numa luta contra o cronómetro, cada segundo que corresse mais rápido representava uma grande vitória! Entro no 19º km com 1h07m12s, até ao 20º km sobe ligeiramente, forcei o ritmo para não quebrar, dobrando a placa dos 20 km com 1h14m54s. A guerra contra o tempo seria ganha ou perdida por uns ínfimos segundos! No último km aproveitando a ligeira descida até à meta e a enorme vontade que tinha de vencer o relógio, cerrei os dentes e com todas as forças que tinha embalei a toda velocidade até à meta! Alguns metros mais à frente, rodei o pulso, olhei para o cronómetro que assinalava 1h18m47s! Fantástico, saí vitorioso e meu anterior record foi batido por 9 segundos! Na classificação geral fui 24º e no escalão 45-50 anos o 4º!

Como no dia seguinte a minha equipa ia estar em peso na 51ª. Volta a Paranhos no Porto, voltei a calçar as sapatilhas para fazer esta clássica corrida de 10 kms. Apesar de ter rolado em ritmo de treino fiz o tempo de 38m39s e, mesmo assim fui 158º entre os 1039 atletas que terminaram a prova.
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As pernas não vivem à sombra da fama, tem de estar operacionais para mostrar quanto valem a todo o momento!