terça-feira, 1 de abril de 2008

Meia-Maratona "Cego do Maio": E o vento levou o record.


A Póvoa de Varzim é uma das mais conhecidas estâncias balneares do norte de Portugal e a sua praia nos meses de Verão recebe a visita de inúmeros forasteiros em busca dos banhos de sol e de mar. Outrora foi um importante porto de pesca, onde os seus pescadores para ganharem a vida tinham de ser valentes e sem medo de enfrentarem o perigo do tumultoso mar da Póvoa.

Cego do Maio, que viveu no séc. XIX, figura na galeria dos mais ilustres poveiros. Pescador, filho do povo, homem de grande coragem e abnegação, arriscou dezenas de vezes a vida para salvar a dos outros companheiros, nos perigos das duras fainas do mar. As suas proezas tornaram-se lendárias, tendo sido galardoado com as mais altas condecorações, atribuídas pelo Rei D. Luís I, na presença da família real.
Os poveiros, que são gente grata, ergueram-lhe um busto numa praça central com vista para o mar. Recentemente, o município atribuiu à meia-maratona o seu nome numa feliz associação entre esta personagem e a corrida, talvez por tantas serem as vezes que os atletas precisam de valentia e sacrifício.

A primavera já chegou, mas não trouxe com ela o seu tempo ameno. Na madrugada deste domingo, a chuva e o vento fizeram-se sentir, no entanto, quando acordei bem cedo, uma certa acalmia pairava no amanhecer. Rumei à Póvoa de Varzim e quando lá cheguei o céu estava carregado de nuvens cinzentas, o mar com ondas altas e fortes e uma enorme ventania.

Depois da Maratona de Sevilha, tinha feito pontaria a esta 'meia' para tentar bater o meu record pessoal na distância, que curiosamente tinha sido registado aqui na Póvoa e num dia em que as condições climatéricas também não foram as melhores. Assim, estava determinado e iria partir com o objectivo do record em mente. Até o tempo parecia querer melhorar, o sol rompia as nuvens e o vento dava alguma trégua, à medida que se aproximava a hora da largada, mas foi pura ilusão.

Soou o tiro da partida! Como estava bem posicionado e a avenida era larga os primeiros metros foram percorridos sem grandes sobressaltos. Logo aqui deu para perceber que o vento também iria correr. Tento integrar um grupo para obter alguma protecção. Volvidos 2 kms, concluo que este pelotão estava mais interessado em defender-se do vento do que num andamento mais rápido. Este ritmo não servia os meus propósitos. Saio na frente sozinho, ou melhor, na companhia do vento. Mais adiante segue um quarteto de atletas, vou no seu encalço. Quando dobrei os 5 kms com o meu cronómetro a marcar 18m55s, mais 15 segundos que o previsto, já formava com eles um quinteto. Também aqui não permaneci muito tempo, uma vez que não era o andamento que precisava e não me pareceu que pudesse haver entreajuda entre os elementos para superar as cada vez mais difíceis condições climatéricas. Contudo, não estava disposto a esmorecer!

Volto a sair na frente, desta vez tendo como companhia o vento e a chuva forte. Com esta intempérie, naturalmente o meu ritmo sofreu uma quebra, mesmo assim na dobragem dos 10 kms com o registo de 38m05s, quando para atingir o record precisaria de um tempo de passagem de 37m20s, tinha alcançado um nova formação. Decididamente, não era a corrida para seguir em grupo. Sentia-me com força e vontade de correr mais depressa. O vento roubava-me segundos preciosos, mas não me retirava a moral. Lancei-me de novo sozinho estrada fora. O vento perdia força, fraquejava, eu imprimia um ritmo de 3m40s-3m42s/km, o sol substituía a chuva e com esta cadência forte continuei a minha saga na 'luta' contra o tempo - o do relógio e o do clima. Mas o vento é um opositor matreiro e imprevisível, voltou a aprecer na parte final da corrida, por volta dos 20 kms, pouco antes de entrar na infindável recta da meta. Este 'arejado adversário' não satisfeito por me ter impedido de bater a minha melhor marca pessoal, também não permitiu que eu ficasse bem lá perto! Cortei a meta com 1h19m54s, a 59 segundos do almejado record!

No final senti uma ligeira brisa no rosto suado, como se fosse um sinal enviado pelo vento, a dizer: "Paciência, não te deixei ganhar!". Retribui com um sorriso e em jeito de resposta: "Para a próxima há mais!"

quinta-feira, 20 de março de 2008

Meia-Maratona de Lisboa: A ponte da festa.

A Ponte 25 de Abril é palco da que é, por muitos, considerada a maior manifestação desportiva realizada em Portugal. A meia-maratona atingiu este ano a maioridade, vai já na 18ª. edição e quando nos primeiros anos resolveram associar à prova uma 'mini-maratona' com partida em simultâneo, mas na distância de apenas 7 km, onde alguns correm e a maioria caminha, o evento não parou de crescer, até chegar a atingir nos últimos anos os 35.000 participantes.

Como a comunicação social está sempre atenta a fenómenos que juntem multidões, obviamente a Meia-Maratona de Lisboa, começou a ter espaço nos écrans da televisão e nas páginas dos jornais, projectando-a cada vez mais. A organização, aproveitando habilmente o mediatismo, obteve apoios institucionais, angariou importantes patrocinadores, que junto com a receita das inscrições dos milhares de participantes, consegue arrecadar meios financeiros que lhe permite anualmente contratar a elite do atletismo mundial, dar dimensão internacional à prova e torna-la uma das mais rápidas do planeta.

Se alguém mais distraído no dia da 'meia-maratona' estiver em Lisboa e deparar com o deslumbrante cenário de uma multidão deslizando em cima da ponte, seria levado a pensar que Portugal é um país de desportistas. Aqui é que reside a grande contradição desta 'corrida'. Segundo números da organização que este ano impôs um limite de 30.000, destes apenas 6.000 estavam inscritos para a meia-maratona, chegando à meta no Mosteiro dos Jerónimos 4.772 atletas. Dos 24.000 que participaram na 'mini' não existem números, mas arrisco dizer que apenas 4.000 correm, os restantes 20.000 só caminham. Nada tenho contra a caminhada, antes pelo contrário, saúdo, mas a criação de 'minis' inseridas nas provas maiores, nasceu com o intuito de promover a prática da corrida e a renovação do pelotão, procurando cativar os mais jovens a aventurarem-se em distâncias mais longas. Infelizmente, não me parece que isto esteja a suceder, ou se está, o processo é demasiado lento e pouco perceptível.

Percorrer a ponte é naturalmente mágico, aliás só pode ser mesmo atravessada a pé no dia da meia-maratona. A vista sobre Lisboa e o Tejo é um regalo para os olhos. Com uma panorâmica destas e o sol que brilha em Lisboa durante o mês de Março, é suficientemente convidativo para muitos trocarem o conforto da cama por uma manhã mais saudável - pena é que só o façam uma vez por ano! Deste modo a corrida propriamente dita passa para segundo plano, o clima e o espírito são de festa. Assim, bem cedo é grande o colorido e a algazarra que a multidão faz nas estações e no comboio que a transporta até ao Pragal, onde as boas vindas aos 'atletas' são dadas por uma Banda Musical. Depois segue-se a caminhada em jeito de peregrinação até ao local da partida, sob o olhar sereno do Cristo-Rei, que lá no alto, de braços aberto, parece agraciar os 'devotos da ponte'. Enquanto se espera pelo tiro da largada na praça da portagem, assiste-se ao desfile e à chegada dos mais bizarros participantes para o 'circo' que está prestes a começar. Há o homem de meia idade que segura um pequeno cão pela trela, o papá babado que empurra o carrinho do seu menino, palhaços e criadas de servir, tocadores de gaita de foles, um grupo de vikings ou um bando com vestes tribais, estudantes com capa e batina, militares com botas, boina verde e calças camufladas da tropa, o empregado de mesa com a sua indumentária de trabalho e a respectiva bandeja, sem nunca faltar o missionário, ostentando uma cruz na mão abençoando todos os presentes. São também muitas as velhinhas que procuram acenar para a objectiva da televisão e as tias que procuram o primeiro-ministro para tirarem um retrato.
Antes que o 'espectáculo' comece há sempre uma habitual rebelião, à qual os seguranças não conseguem pôr ordem, tornando-se impotentes para segurar o povo que derruba barreiras e grades, acabando por fazer a mistura entre os da 'mini' e os da 'meia', como que dizendo que a festa tem que ser igual para todos! Muitos argumentam que isto seria fácil de resolver se a organização optasse por não dar a partida em simultâneo, ou seja, primeiro partissem os atletas da meia-maratona, depois os que quisessem correr a 'mini' e por fim todos os outros que fizessem a travessia da ponte a caminhar. Acho que a organização só não faz isto, porque se o fizesse o efeito visual da multidão compacta a percorrer os 2,5 km desvanecia-se e a prova deixaria de atrair tanta gente. Certamente, os que gostam de correr ficariam a ganhar, mas a festa perderia o brilho popular. Dizem que no próximo ano a ponte vai sofrer obras de manutenção profundas, seria uma óptima oportunidade para a organização aproveitar a boleia e proceder também a uma remodelação no esquema da prova.

A minha participação não tem grande história, porque após a primeira presença, entendi que esta prova não era para ser corrida, antes para ser vivida. Assim aproveito sempre esta 'meia' para fazer um treino mais exigente, mas diferente. Como é impossível proceder a um aquecimento digno desse nome, os primeiros quilómetros são para aquecer e observar a paisagem enquanto corro no tabuleiro da ponte; depois vou progressivamente aumentando o ritmo, sem nunca forçar, de modo a concluir a prova confortavelmente.

É que a 'meia' da ponte não é uma corrida, a 'meia' da ponte é uma festa!

terça-feira, 11 de março de 2008

A corrida do Dia do Pai.

A cidade do Porto antecipou o 19 de Março e juntou mais de 15 mil pessoas, umas para correr, outras para caminhar, na Corrida do Dia do Pai que se realizou entre o Parque da Cidade e a Foz do Douro. Assim, na manhã deste domingo que acabou por ser de sol, um autêntico manto branco formado por pessoas de todas as idades estendeu-se ao longo dos cerca de 10 kms do percurso. A Runporto, que organiza impecavelmente todos os eventos de atletismo que se realizam na Invicta, tem motivos mais que suficientes para se sentir muito satisfeita, pois são cada vez mais os que aderam às suas iniciativas. Além do incentivo da corrida e de estilos de vida saudáveis, a Runporto associa também a vertente desportiva a causas sociais, o que ainda engrandece mais as manifestações desportivas que promove. Desta feita a angariação de fundos destinou-se à APPDA - Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo, que no fim da iniciativa recebeu um cheque no valor de 15.000 euros, correspondentes a 0,50 cêntimos do custo da inscrição e outros 50 oferecidos pela Sport Zone por cada participante.

Depois de ter feito a maratona há 15 dias esta corrida de convívio e sem fins competitivos surgiu em boa altura. Nesta fase de recuperação, correr descontraído e em ritmo de treino, com tempo para cumprimentar amigos e companheiros de estrada ao longo do percurso, desfrutar da magnífica vista que a marginal oferece sobre o mar, foi sem dúvida uma agradável forma de sentir um lado mais lúdico e outro prazer que a corrida pode proporcionar.

Como se comemorava o Dia do Pai, não pude deixar de recordar também o meu, que já partiu há mais de 18 anos. Lembrei-me da sua alegria e boa disposição, que mereceu muita simpatia e um extenso rol de amigos. Veio-me à memória a enorme habilidade que tinha para os instrumentos musicais, que lhe valeram muita admiração como tocador de cavaquinho e bandolim. Por momentos parece que escutei lembrar-me os valores que jamais deveria esquecer - Responsabilidade, honestidade e perseverança.

Espero um dia poder transmitir essa herança aos meus filhos...Obrigado Pai por tudo que me ensinaste!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Maratona de Sevilha: Uma aventura feliz.

O dia de sábado ainda mal tinha nascido e já os nossos dois amigos, os condutores da carrinha de nove lugares que alugamos para a viagem a Sevilha, estavam no local da concentração com tanto entusiasmo e boa disposição, que percorrer 750 km até parecia que ia ser uma coisa simples e rápida. Depois de um café para despertar fizemo-nos à estrada, entre conversas, risos e histórias, a nossa Ford Transit foi engolindo os quilómetros e nós fazendo aqui e ali pequenas paragens para alongar as pernas. Assim chegamos a Elvas e como passava um pouco do meio-dia aproveitamos para fazer uma pausa maior e almoçar do lado de cá da fronteira, pois sempre estamos mais habituados à comida portuguesa.

De novo na estrada e já em Espanha, começou a chover, aumentando de intensidade à medida que nos aproximávamos de Sevilha e em alguns locais era acompanhada de nevoeiro. Naturalmente a nossa viagem começou a atrasar-se, o tempo não ajudava, as obras na estrada também não e ainda tínhamos o agravante de adiantar o relógio, para estarmos em sintonia com hora espanhola. Estes contratempos fizeram com que só chegássemos a Sevilha por volta das 18h00. A chuva não parava e começava a anoitecer. Com a ajuda de um mapa do google, não demoramos muito a localizar o hotel, o problema maior foi na hora de estacionar uma carrinha de grandes dimensões, numa cidade onde a anarquia do parqueamento é regra. A nossa primeira aventura começava, não fosse a enorme destreza dos nossos condutores e ainda hoje estávamos 'presos' nas ruas estreitas do centro histórico de Sevilha. Para chegar a tempo de levantar os dorsais na Feira da Maratona, que encerrava às 20h00, tivemos de 'dar à perna' e o ligeiro passeio que tínhamos planeado para descomprimir foi, assim, trocado por uma corridinha à chuva desde o parque de estacionamento até ao interior do Estádio Olímpico.

Regressamos ao hotel para tomar um banho, saímos para jantar e a nossa segunda aventura começava na procura de um restaurante onde pudéssemos comer massa. As indicações que nos deram não foram as melhores, a chuva tornou o nosso mapa ilegível, os restaurantes italianos eram pequenos e estavam todos lotados. Só depois de muitas tentativas mal sucedidas, e já muito para além das 22h00, encontramos um restaurante onde foi possível reabastecer o corpo dos imprescindíveis hidratos de carbono. Com tanto atraso acumulado, só foi possível estar pronto para dormir já passava da meia-noite, o que convenhamos começava a ser tardio para quem se tinha levantado cedo, feito uma longa viagem e no dia seguinte tinha de acordar novamente cedo e correr uma maratona. Finalmente a luz apagou-se, mas o sono teimava em não chegar, um dos meus companheiros de quarto não ressonava, mas ao dormir bufava que nem uma locomotiva e o outro tinha um relógio que emitia um bip a cada hora certa que passava. Conclusão, não dormi mais que duas horas! Às 7h00 já tinha tomado banho, o pequeno-almoço e estava pronto para sair do hotel. Curiosamente continuava bem disposto, mas nesse momento decidi que iria ser mais cauteloso na corrida, pois atendendo a todas estas condições seria muito difícil bater o record pessoal, mas obviamente tentaria fazer o melhor possível!

Eram quase 8h00 da manhã, ainda noite cerrada e já o nosso grupo estava no Estádio Olímpico. Apesar de serem muitos os atletas que ali se encontravam, as condições eram excelentes e funcionais, permitindo que todos nos tivéssemos equipado com muita calma, depositado a roupa em segurança nos vestiários e fizéssemos o aquecimento numa zona própria por baixo das bancadas do estádio. A hora da partida aproximava-se, acedi à pista e aproveitei para apreciar o esplendor do estádio junto ao relvado. Os 3.250 atletas que iriam alinhar na partida davam um novo colorido à pista de atletismo. O céu estava encoberto, a temperatura era amena e a previsão era que assim se mantivesse. Enquanto a música animava e descontraía, o speaker ia fazendo a contagem decrescente. Entre o sorriso de uns e o olhar concentrado de outros, há atletas que se cumprimentam, outros benzem-se, gerando um clima de emoção só possível de viver nos momentos que precedem a largada de uma prova com a magia da maratona.

Soou o tiro da partida e deixei-me deslizar entre a multidão até ao exterior do estádio. Durante os primeiros quilómetros percorridos nas avenidas largas da Isla Cartuja, segui com a precaução que tinha prometido. Assim, dobrei os 5 km com 21m30s, rolando a uma média de 4m18s/km, baixando gradualmente esta média até à Puente Barqueta que assinalava os 10 km, com o meu cronómetro a marcar 42m18s. O percurso encaminhava-se para o interior da cidade sempre por enormes avenidas e aqui comecei a avistar o grupo das 3 horas comandado por um atleta que a organização colocou para imprimir um ritmo para esse tempo e levava um balão pendurado na camisola para o distinguir. A partir daí fui sempre no encalço deste numeroso grupo, que seguia 300 metros à minha frente, mas iria ser preciso muita paciência e muitos quilómetros para me colar a eles sem me desgastar. Fui correndo sempre a uma média a rondar os 4m10s/km, passei a meia maratona com o tempo de 1h29m13s e o 'grupo do balão' ainda ia à minha frente cerca de 200 metros. Neste momento, para finalizar abaixo das 3 horas a margem de erro era muito reduzida. Disse aos meus companheiros que seria importante por volta dos 30 km já estarmos junto daquele grupo. Tivemos que imprimir um ritmo mais forte, fizemos quilómetros a 4m05s e 4m06s e desta forma aos 32 km já corríamos ao lado do 'atleta do balão'! O grupo era composto por 3 ou 4 dezenas de atletas, ali permaneci até ao abastecimento dos 35 km. Sentia-me com força, estava bem. Um grupo de atletas deixou o 'balão' para trás, que pareceu abrandar um pouco e eu acompanhei-os seguindo a um ritmo de 4m12s/km até aos 39 km, com o Estádio Olímpico já no horizonte. Nos dois quilómetros seguintes tive uma ligeira quebra mas nunca excedi os 4m25/km. No último quilómetro, embalado pela descida do túnel de acesso ao estádio e galvanizado pelo magnífico ambiente, que me transportou para imagens épicas de atletas olímpicos, cortei a meta feliz e com o tempo de 2h58m23s!

Fiquei muito contente! Foi o meu segundo melhor tempo de sempre e a maratona em que fui mais regular, 1h29m13s na primeira metade e 1h29m10s na segunda! Foi também aquela que me 'doeu' menos! Gostei do percurso, da organização, a partida e chegada ao Estádio Olímpico realçam ainda mais a mística da maratona, pelo que será com toda a certeza uma corrida que irei repetir. Valeu muito a pena esta aventura que teve um final merecidamente feliz!

VIVA A MARATONA! E os que aceitam o seu desafio...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Maratona de Sevilha: Aproxima-se a hora!

A Maratona de Sevilha é já no próximo domingo. Apesar de ser a 7ª. maratona em que vou participar, começo a sentir uma certa ansiedade à medida que a hora do tiro da partida se aproxima. Acho normal e natural! Primeiro não se correm maratonas todos os meses, o que por si só causa uma certa pressão no participante; depois é uma prova carregada de história com inúmeros espisódios de transcendência e sacrifício, esforço e sublimação que não deixam indiferente o atleta do pelotão que se propõe corre-la.

A experiência adquirida em maratonas anteriores, permite-me salientar alguns aspectos que me parecem importantes:
  • Saber a que ritmo devemos correr e dentro desse ritmo oscilar o menos possível, para que possamos fazer uma correcta gestão do esforço;

  • A 'verdadeira' maratona começa após os 30 km e se até aí corrermos acima das nossas possibilidades, iremos ter muitas dificuldades na infindável parte final;

  • O bom ou o mau resultado está sempre associado ao desempenho obtido nos últimos 12 km.

Perto da hora de abalar para Sevilha admito que os treinos de preparação que efectuei ao longo das úultimas 12 semanas não correram na perfeição, mas são suficientes para me dar confiança no alcance da minha melhor marca pessoal. No entanto, se conseguir chegar antes das 3 horas, considero desde logo uma boa prestação.

Independentemente do resultado que vier a alcançar, correr nas ruas de Sevilha, nas margens do Guadalquivir, na Isla Cartuja, partir e chegar ao magnífico Estádio Olímpico, será sempre muito gratificante e certamente uma excelente experiência que irá enriquecer a paixão que tenho pela corrida.

Viva a maratona!



segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Viana do Castelo: Uma bela corrida.


Viana do Castelo é a cidade do litoral mais a norte de Portugal. A localização, situada entre o mar e a foz do rio Lima e encostada ao monte de Santa Luzia, confere-lhe uma magnífica paisagem que faz arregalar os olhos de tanto encanto. Com um centro histórico bem cuidado, por entre ruas e vielas, encontramos monumentos e casas nobres de diversos períodos e estilos. Mas, também possui modernos equipamentos culturais e um excelente aproveitamento das margens ribeirinhas, que oferecem óptimas condições para a prática desportiva. Denominada capital do folclore do Minho, por ser palco das mais animadas romarias de Portugal, caracterizadas pela alegria e as cores garridas das mulheres a ostentarem com vaidade, o tradicional e reluzente ouro de Viana. Por estes dias comemorou o 160º aniversário de elevação a cidade, bem como os 750 anos do Foral Afonsino e as suas gentes muito se devem orgulhar por tamanha beleza ser reconhecida por quantos a visitam.
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O atletismo tem lugar especial em Viana. É de elementar justiça, pois Manuela Machado é filha da terra. Esta brilhante atleta, que outrora levou o nome de Portugal aos lugures cimeiros do atletismo mundial, continua agora, com a mesma simplicidade e simpatia, empenhada em desenvolver e fomentar a prática da corrida. A meia-maratona de Viana que nasceu com a 'marca' da Manuela, rapidamente granjeou a adesão dos atletas do pelotão, cativando ainda inúmeros atletas da vizinha Galiza, tornando-a desde logo uma corrida de referência nesta região do atlântico norte. Como reconhecimento do trabalho feito em prol da modalidade, a Federação Portuguesa de Atletismo, resolveu e bem, realizar o Campeonato Nacional de Estrada em Viana do Castelo, prestando da melhor forma homenagem a Manuela Machado. Assim, este ano a distância da corrida foi de 15 km, regressando para o ano a tradicional meia-maratona.

Depois de dias seguidos de chuva, este fim-de-semana o tempo melhorou, o domingo amanheceu com céu azul e o sol a brilhar, dando ainda mais encanto a Viana. Estavam reunidas todas as condições para que ocorresse uma bela jornada, com a 'nata' do atletismo nacional a marcar presença para disputar os tão ambicionados títulos de campeões. Para dar um colorido maior à festa, foram também muitos os atletas do pelotão que aderiram ao evento, que segundo dados da organização atingiu os 2.500 participantes, 1.500 para correr os 15 km e os restantes a participar na mini-corrida e caminhada de 4 km, que contou com a participação do primeiro-ministro José Sócrates, que à tarde ia proceder à inauguração da Biblioteca Municipal.

Conforme escrevi no post anterior, iria tentar correr com o objectivo de fazer um tempo próximo do meu melhor. Sentia-me bem, o percurso era quase plano e nem o ligeiro vento que se fazia sentir me desmoralizou. Parti forte, o nível dos atletas era muito bom, o que fazia com que a corrida se desenrolasse rápida. Passei aos 5 km com 18m06s, depois procurei estabiliar num andamento de cerca de 3m40s/km e assim foi, pois dobrei os 10 km com 36m30s e continuei com bastante energia e sem quebrar, forçando ainda um pouco no último quilómetro, cruzando a meta com o tempo de 55m04s! Foi de tal maneira bom, que passou a constituir a minha melhor marca na distância, record que datava de 2006.

As corridas são mesmo assim, por vezes ficamos felizes, outras nem por isso. Este magnífico tempo é um excelente incentivo para os treinos que faltam para a maratona de Sevilha já no dia 24 do próximo mês.

Viana para mim é uma cidade talismã onde fiz uma bela corrida.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O regresso às crónicas e às corridas.

Faz algum tempo que não dava notícias. Alguns dos meus leitores começavam a questionar o que se passava comigo...
Na verdade não se passou nada de anormal. Primeiro foram as festas natalícias e a dedicação natural à família por essa ocasião e depois entrei num período em que as exigências da minha vida profissional requerem mais atenção e disponibilidade. Deste modo o tempo começou a escassear, tendo de aproveitar o que sobra no fim de cada dia, para manter a corrida e o imprescindível treino. Não tenho por hábito fazer balanços de anos transactos, nem perspectivas para os anos que se iniciam, contudo após alguma reflexão, resolvi que preciso gerir melhor o meu tempo, de forma a que possa dar uma resposta mais eficaz aos desafios que me vão surgir, tentando encontrar um equilíbrio entre a vida profissional, familiar e desportiva no meu dia-a-dia. Neste contexto, como não posso prolongar as horas de cada dia, a 'primeira vítima' da racionalização do meu tempo foi o blog, que passou (e passará) a ter menos actualizações, mas prometo que quando houver uma corrida ou uma história interssante associada a ela, certamente estarei por cá a escrever a crónica.

Como 'dependente da corrida' que me prezo, tenho mantido não só a assiduidade aos treinos, como também os tenho realizado em bom ritmo. No horizonte está já a Maratona de Sevilha a 24 de Fevereiro de 2008! Para muitos pode parecer estranho, mas ter uma data definida para correr uma maratona, é como introduzir uma 'injecção de vontade' no corpo, que só cessará o efeito no momento em que a meta da prova rainha do atletismo seja alcançada. Apesar do ano entrar com muita chuva, muito vento e muito frio, como podem imaginar não falta motivação para treinar.

No próximo domingo, como parte integrante do treino específico para a maratona, estarei em Viana do Castelo para a corrida popular inserida no Campeonato Nacional de Estrada, que este ano se disputa na distância de 15 km e que marcará a minha estreia em provas neste novo ano, tendo como objectivo correr a um ritmo competitivo próximo do meu melhor. Haja pernas!!!

Bons treinos, boas corridas e aproveito também para desejar um excelente 2008 a todos!