
A Póvoa de Varzim é uma das mais conhecidas estâncias balneares do norte de Portugal e a sua praia nos meses de Verão recebe a visita de inúmeros forasteiros em busca dos banhos de sol e de mar. Outrora foi um importante porto de pesca, onde os seus pescadores para ganharem a vida tinham de ser valentes e sem medo de enfrentarem o perigo do tumultoso mar da Póvoa.
Cego do Maio, que viveu no séc. XIX, figura na galeria dos mais ilustres poveiros. Pescador, filho do povo, homem de grande coragem e abnegação, arriscou dezenas de vezes a vida para salvar a dos outros companheiros, nos perigos das duras fainas do mar. As suas
proezas tornaram-se lendárias, tendo sido galardoado com as mais altas condecorações, atribuídas pelo Rei D. Luís I, na presença da família real.
proezas tornaram-se lendárias, tendo sido galardoado com as mais altas condecorações, atribuídas pelo Rei D. Luís I, na presença da família real.Os poveiros, que são gente grata, ergueram-lhe um busto numa praça central com vista para o mar. Recentemente, o município atribuiu à meia-maratona o seu nome numa feliz associação entre esta personagem e a corrida, talvez por tantas serem as vezes que os atletas precisam de valentia e sacrifício.
A primavera já chegou, mas não trouxe com ela o seu tempo ameno. Na madrugada deste domingo, a chuva e o ven
to fizeram-se sentir, no entanto, quando acordei bem cedo, uma certa acalmia pairava no amanhecer. Rumei à Póvoa de Varzim e quando lá cheguei o céu estava carregado de nuvens cinzentas, o mar com ondas altas e fortes e uma enorme ventania.
to fizeram-se sentir, no entanto, quando acordei bem cedo, uma certa acalmia pairava no amanhecer. Rumei à Póvoa de Varzim e quando lá cheguei o céu estava carregado de nuvens cinzentas, o mar com ondas altas e fortes e uma enorme ventania.Depois da Maratona de Sevilha, tinha feito pontaria a esta 'meia' para tentar bater o meu record pessoal na distância, que curiosamente tinha sido registado aqui na Póvoa e num dia em que as condições climatéricas também não foram as melhores. Assim, estava determinado e iria partir com o objectivo do record em mente. Até o tempo parecia querer melhorar, o sol rompia as nuvens e o vento dava alguma trégua, à medida que se aproximava a hora da largada, mas foi pura ilusão.
Soou o tiro da partida! Como estava bem posicionado e a avenida era larga os primeiros metros foram percorridos sem grandes sobressaltos. Logo aqui deu para perceber que o vento também iria correr. Tento integrar um grupo para obter alguma protecção.
Volvidos 2 kms, concluo que este pelotão estava mais interessado em defender-se do vento do que num andamento mais rápido. Este ritmo não servia os meus propósitos. Saio na frente sozinho, ou melhor, na companhia do vento. Mais adiante segue um quarteto de atletas, vou no seu encalço. Quando dobrei os 5 kms com o meu cronómetro a marcar 18m55s, mais 15 segundos que o previsto, já formava com eles um quinteto. Também aqui não permaneci muito tempo, uma vez que não era o andamento que precisava e não me pareceu que pudesse haver entreajuda entre os elementos para superar as cada vez mais difíceis condições climatéricas. Contudo, não estava disposto a esmorecer!
Volvidos 2 kms, concluo que este pelotão estava mais interessado em defender-se do vento do que num andamento mais rápido. Este ritmo não servia os meus propósitos. Saio na frente sozinho, ou melhor, na companhia do vento. Mais adiante segue um quarteto de atletas, vou no seu encalço. Quando dobrei os 5 kms com o meu cronómetro a marcar 18m55s, mais 15 segundos que o previsto, já formava com eles um quinteto. Também aqui não permaneci muito tempo, uma vez que não era o andamento que precisava e não me pareceu que pudesse haver entreajuda entre os elementos para superar as cada vez mais difíceis condições climatéricas. Contudo, não estava disposto a esmorecer!Volto a sair na frente, desta vez tendo como companhia o vento e a chuva forte. Com esta intempérie, naturalmente o meu ritmo sofreu uma quebra, mesmo assim na dobragem dos 10 kms com o registo de 38m05s, quando para atingir o record precisaria de um tempo de passagem de 37m20s, tinha alcançado um nova formação. Decididamente, não era a corrida para seguir em grupo. Sentia-me com força e vontade de correr ma
is depressa. O vento roubava-me segundos preciosos, mas não me retirava a moral. Lancei-me de novo sozinho estrada fora. O vento perdia força, fraquejava, eu imprimia um ritmo de 3m40s-3m42s/km, o sol substituía a chuva e com esta cadência forte continuei a minha saga na 'luta' contra o tempo - o do relógio e o do clima. Mas o vento é um opositor matreiro e imprevisível, voltou a aprecer na parte final da corrida, por volta dos 20 kms, pouco antes de entrar na infindável recta da meta. Este 'arejado adversário' não satisfeito por me ter impedido de bater a minha melhor marca pessoal, também não permitiu que eu ficasse bem lá perto! Cortei a meta com 1h19m54s, a 59 segundos do almejado record!
No final senti uma ligeira brisa no rosto suado, como se fosse um sinal enviado pelo vento, a dizer: "Paciência, não te deixei ganhar!". Retribui com um sorriso e em jeito de resposta: "Para a próxima há mais!"







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O atletismo tem lugar especial em Viana. É de elementar justiça, pois Manuela Machado é filha da terra. Esta brilhante atleta, que outrora levou o nome de Portugal aos lugures cimeiros do atletismo mundial, continua agora, com a mesma simplicidade 




Bons treinos, boas corridas e aproveito também para desejar um excelente 2008 a todos!