terça-feira, 30 de novembro de 2010

Lesão, recuperação e motivação.

Terminei a Maratona do Porto de cabeça baixa, no entanto valeu a pena o sofrimento para poder fazer aquele gesto que vêem na fotografia - sete edições, sete participações.

Na semana seguinte, e para saber em concreto a dimensão da lesão sofrida, fui fazer uma ecografia à face posterior da coxa direita.

O resultado do exame revelou o seguinte:
-Na extremidade superior, com posicionamento muscular superficial visualizou-se um pequeno foco de distensão/ruptura, infra-centimétrica, com ligeira contracção e desorganização fibrilar, envolvendo aponevrose no contorno superior que lhe é adjacente. Possui dimensãoes de 10,mm no eixo sagital, 2/3,mm no eixo antero-posterior.
Resumo: Lesão focal por distensão/ruptura, superficial, peri-centimétrica na extremidade postero-superior da coxa do lado direito.

Fiquei visivelmente satisfeito por verificar que não era nenhuma lesão grave, cujas causas foram a sobrecarga e esforço muscular. Nestes casos o tratamento mais aconselhado é o descanso, para dar tempo a que o processo de regeneração muscular decorra com naturalidade. Foi o que fiz. Na semana passada submeti-me a uma sessão de fisioterapia e a uma massagem tranversal, para garantir maior solidez na estrutura muscular afectada, de forma a poder retomar os treinos.

Assim, ontem regressei aos treinos! Corri trinta minutos a trote e depois fiz mais 20 de alongamentos que, nesta fase, são mais importantes que a corrida. Hoje repeti a dose e nestes próximos dias o programa irá ser mais ou menos idêntico, tendo sempre em mente que o essencial é - ritmos bastante suaves e muitos alongamentos.

Em oito anos de dedicação às corridas, pela primeira vez, tenho de lidar com esta situação. Ao longo destes tempos fui criando hábitos e rotinas de vida que me permitissem treinar, logo nas horas do treino, ficar privado - mesmo sendo inverno e eu ter de acordar cedo para o fazer - confesso que não foi nada fácil!

Agora o desafio que tenho é recuperar! A motivação é tentar adquirir a forma que tive em meados deste ano, traduzida em excelentes resultados que me encheram de satisfação.

Haja...paciência para as pernas!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

7ª Maratona do Porto: A teimosia de continuar na história!

Por manifesta falta de tempo e disposição para escrever, tenho andado distante da blogosfera. Assim, não dou notícias desde o verão, não fiz a habitual crónica da Meia-Maratona SporZone e não escrevi qualquer palavra acerca da preparação da maratona.

Estive quase para continuar em silêncio, mas depois de ler alguns posts colocados por companheiros de corrida, senti que deveria dizer alguma coisa.

Faço parte da história (de sucesso) da Maratona do Porto, digo-o com muito orgulho! Estive nas anteriores edições e, claro, queria a todo o custo participar (e concluir) na sétima. E foi o querer continuar totalista que me moveu, porque fosse outra maratona em Portugal, ou mesmo no estrangeiro, teria desistido de participar.

No final do mês de Agosto, num habitual treino, sofri uma lesão muscular na face posterior da coxa direita, ou seja a uma semana de começar o meu habitual plano de 9 semanas de preparação para os 42,195 kms. No meu historial de corrida, as lesões que sofrera até à data não passavam de pequenas mazelas, que eram debeladas em pouco tempo e com relativa facilidade. Pensei que com esta sucederia o mesmo.
Primeiro engano!

Descansei uns dias e comecei os treinos para a maratona com alguma moderação durante as duas primeiras semanas. Na terceira aumentei um bocadinho a intensidade, mas nada de especial, comparado com a preparação das anteriores maratonas e ressenti-me uma vez mais. Uns dias de descanso, fisioterapia, massagens e regresso novamente aos treinos, obviamente com cargas menores e muitas cautelas. Entretanto chegou o dia da Meia-Maratona SportZone e seria o teste ideal para avaliar o estado das minhas pernas, ou no caso concreto, da coxa direita. Fiz um tempo de 1h23m53s, embora tenha sentido ainda um ligeiro desconforto na zona afectada da lesão, parecia-me que estava a ficar recuperado. Na semana seguinte, fiz os treinos dentro dos tempos estipulados, incluindo séries de 800 metros e um longo de 26 kms e, pela primeira vez desde o início da preparação específica para a maratona, treinei sem limitações e com boas sensações.
Segundo engano!

Volvidos dois dias, num treino de baixa intensidade e de recuperação, uma 'pontada' na famigerada coxa direita veio recordar-me que afinal a lesão ainda morava lá. Novamente uns dias de descanso, piscina, fisioterapia e massagens e recomecei a treinar. Estavamos a três semanas da maratona e as dúvidas que tinha em poder ter algum sucesso na prova começavam a passar quase a certezas, mas como sou um tipo teimoso e que gosta de correr riscos, não desisti e estar na linha da partida e claro fazê-la!

A partir deste momento, o desafio, com uma dose de loucura, passou a ser - Será que resisto? Conseguirei concluir a prova?

Assim, quando no passado domingo soou o tiro da partida, larguei consciente que a minha corrida seria uma incógnita e que o risco de ser forçado a abandonar era demasiado grande! Mesmo com estas permissas nada animadoras, o objectivo era fazer um tempo a rondar as 2h55m-2h59m59s, porque além de teimoso, também sou pouco modesto!

Até à passagem da meia-maratona fui confortávelmente a um ritmo +/- 4m10s/km, registando um tempo de 1h26m57s. Aos 24 um ligeiro aviso coxa, deu-me sinal para abrandar e que as dificuldades iriam começar. Atravessei a ponte D. Luís e tentei seguir a um ritmo dentro dos 4m25s-4m30s/km que, a conseguir manter, daria para fechar com um tempo no limiar das 3 horas. Lá fui seguindo, não muito confortável nesta cadência. Fui apanhado pelo Mark Velhote, no entanto ainda consegui colar-me a ele uns kms mais à frente e já na companhia deste aos 33 kms, contabilizando um tempo de 2h17m58s, a minha coxa direita resolveu provar-me que iria ter de abrandar ainda mais para continuar! Fui reduzindo então o ritmo, primeiro para 5m/km, depois para 6m/km, depois para 7m/km, depois para 8 km, e cheguei à meta devagar muito devagarinho, gastando 64 minutos para correr 9 kms, concluindo a minha sétima maratona do Porto em 3h21m44s!

Gostava de referir que, apesar de toda esta epopeia, não cheguei ao fim cansado! Sentia-me como se tivesse feito um treino longo. Apenas sentia um desconforto na coxa direita que me impedia de correr, mas caminhava normalmente e sem qualquer esforço!

Não gosto de desistir, não faz o meu género e queria fazer parte da história da Maratona do Porto, contribuindo para que registasse mais atletas chegados à meta nas maratonas corridas em Portugal. Mais tarde vim a saber que este record foi alcançado - Foi a minha pequena vitória!

Em jeito de balanço, durante as 9 semanas específicas do treino, mesmo tendo sido forçado a vários dias de descanso e a ritmos mais moderados, contabilizei nesse período 800 kms - com este volume de treino a probabilidade de debelar por completo a lesão e obter êxito na maratona era muito reduzida! Não aconselhava ninguém a correr uma maratona nestas condições, no entanto uma coisa é dar conselhos aos outros, outra coisa é quando somos nós!

Desta vez não soltei o queniano que tenho dentro de mim, soltei o soldado Pheidippides, que 2500 anos depois também merece ser recordado!

Agora, só espero que a minha teimosia não tenha agravado o quadro clínico da lesão.

Brevemente saberei, enquanto não souber vou permanecer quietinho!

Abraço, a todos!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

22º Grande Prémio de S. Pedro

CITAÇÃO:
"O S. Pedro encerra as festas e as corridas...até Outubro!"

CURIOSIDADE:
A Póvoa de Varzim é uma terra de pescadores, logo o Santo padroeiro da cidade só podia ser o S. Pedro. Tradicionalmente, a festa é rija por aquelas bandas e a realização do Grande Prémio de Atletismo assinala encerramento das efemérides.

ARQUIVO:
Este ano disputava-se a 22ª edição e desde 2003 que participo nesta corrida com resultados bastantes interessantes.
2003 - 38m06s
2004 - 37m35s
2005 - 37m23s
2006 - 36m46s
2007 - 36m26s
2008 - 36m09s
2009 - 36m01s

RESENHA:
A corrida começou às 11h15m, pelo que já estava um bocadinho quente para a prática da modalidade. A acrescer a isto, em algumas zonas do percurso, ainda o característico vento que costuma sentir-se na Póvoa, a atrapalhar a vida dos atletas. Conforme tinha escrito na última crónica, as pernas estavavam a registar uma ligeira melhoria relativamente às primeiras corridas de Junho e tinha em mente desde o início impor um ritmo que nunca escedesse os 3m40s/km. Nos primeiros 3 kms rolei dentro desse tempo, no entanto, nos 2 kms seguintes sofri uma pequena quebra devido à presença do vento e ao esforço suplementar que este exige. À passagem dos 5 kms contabilizei o tempo de 18m07s, tentei manter essa cadência para a segunda metade da corrida, não foi possível, apesar de a perda não ter sido muito grande, corri este parcial em 18m24s. Finalizei um ciclo de muitas corridas, pelo que fiquei bastante agradado com a resposta das pernas!

ARITMÉTICA:
Concluí os 10 kms da corrida com o tempo final de 36m31s, tendo obtido o 85º lugar na classificação geral, entre os 614 atletas que terminaram a prova e um 15º lugar em M45 entre 89 atletas deste escalão.

O MELHOR:
O excelente nível competitivo da corrida e a presença dos melhores atletas nacionais.

O PIOR:
Apesar de ser por um motivo nobre que todos compreendem - a realização de corridas para os escalões mais jovens - o horário da prova é um bocadinho tardio, agravado ainda pelo facto de estarmos em pleno verão.

RETRATO:

terça-feira, 22 de junho de 2010

11ª Corrida das Festas da Cidade do Porto

CITAÇÃO:
"O Porto chama por ti!"

CURIOSIDADE:
A 16 de Junho de 2002, um grupo de 10 atletas do parque das Taipas inscreveu-se para a Corrida das Festas da Cidade do Porto com o nome - NAT-Núcleo de Atletismo das Taipas. Assim, nasceu um clube de atletas do pelotão, que foi gradualmente crescendo e cujo principal objectivo é incentivar as pessoas a adoptarem a corrida como exercício físico, de forma a terem um estilo de vida mais saudável.

ARQUIVO:
Este ano disputava-se a 11ª edição, desde 2002 sem qualquer interrupção que alinhei em todas, registando os seguintes tempos:
2002 - 1h00m32s
2003 - 1h00m30s
2004 - 57m50s
2005 - 56m34s
2006 - 55m26s
2007 - 56m25s
2008 - 55m45s
2009 - 54m31s

RESENHA:
Estava um belo dia de sol e uma temperatura a rondar os 18 graus, não fosse o vento, as condições eram óptimas para correr. Fiz um aquecimento calmamente e como tinha dorsal VIP nem me preocupei com o lugar de saída, o que é um certo privilégio. Como já referi, não me sinto em condições de poder dar o meu melhor no entanto para fazer um teste iria tentar correr cada parcial de 5 kms em 18m20s e, caso não houvesse quebras, daria um tempo final de 55 minutos, ainda longe do tempo do ano anterior.
O arranque foi dado sem problemas, primeiro km dentro da média pretendida e ia eu estrada fora a galgar os kms, dobrando a placa dos 5 kms com o tempo de 18m32s, comprometendo desde logo o objectivo inicial. Resolvi imprimir um pouco mais de força para ver se atingia o ritmo desejado, nas senti que ainda não reúno condições para tal.
Assim, o objectivo passou a ser o de chegar ao final no melhor ritmo possível e deste modo os segundos parciais de 5 kms foram corridos em 18m56s e os últimos já a lutar contra o vento de frente, em 19m26s, não foi nada de excepcional, contudo em termos físicos registei uma ligeira melhoria relativamente às corridas anteriores.

ARITMÉTICA:
Fechei a corrida com o tempo final de 56m54s, o que se saldou por 72º lugar na classificação geral, entre os 1,597 atletas que terminaram a prova e um 5º lugar em M45 entre os 238 atletas deste escalão.

O MELHOR:
Definitivamente as corridas da Runporto são as melhores que se fazem em Portugal. Tanto os atletas de elite como os do pelotão são unânimes em classificar a organização com cinco estrelas. A corrida está na moda e cada vez tem mais pessoas a aderirem e a Runporto muito contribui para que assim seja. Parabéns!

O PIOR:
Sinceramente, não consigo detectar nada de negativo! Era injusto apontar um defeito...

RETRATO:

terça-feira, 15 de junho de 2010

5ª Corrida das Caldas das Taipas

CITAÇÃO:
"A terra onde a lua fala..." - Ferreira de Castro

CURIOSIDADE:
Numa terra onde muitos eventos não passam das primeiras edições, a Corrida das Caldas das Taipas foi-se afirmando ao longo dos anos e, apesar de se realizar num mês em que o calendário de provas tem uma enorme oferta, tem conseguido manter-se. Para que isto seja possível muito contribui o NAT-Núcleo de Atletismo das Taipas, que fez alinhar à partida 41 atletas e que, durante o ano, nas corridas em que o clube participa, vai deixando o nome da vila inscrito no mundo da corrida!


ARQUIVO:
Este ano disputava-se a 5ª edição e eu tinha participado, obviamente, nas anteriores, resgistando os seguintes tempos:
2006 - 36m17s (9,6 km)
2007 - 35m20s (9,6 Km)
2008 - 36m57s (9,9 km)
2009 - 36m04s (9,9 km)

RESENHA:
Não me encontro num momento apurado de forma, a época já vai longa e o natural desgaste provocado pelas inúmeras corridas em que 'dei no osso' naturalmente apareceu, pelo que estar ao nível do ano anterior era difícil, no entanto ia tentar.
O percurso composto por três voltas não é fácil e, para atingir um tempo a rondar os 36 minutos, teria de percorrer cada volta em cerca de 12 minutos. Na primeira ainda cumpri esse tempo - 11m53s - mas na segunda não consegui manter essa cadência e o tempo baixou para 12m48s, por fim na última estabilizei no ritmo anterior e contabilizei 12m43s.

ARITMÉTICA:
Registei um tempo final de 37m24s para cobrir a distância de 9,9 km, cujo saldo se cifrou num 35º lugar na classificação entre os 155 atletas que terminaram a prova.

O MELHOR:
Um número significativo de público e o entusiasmo gerado na zona de partida e chegada!

O PIOR:
O percurso composto por 3 voltas iguais torna-se demasiado monótono para os atletas. O menor número de atletas relativamente ao ano anterior, facto que deve à coincidência de à mesma hora, estar a ser disputado o Campeonato Regional de Estrada em Vila Nova de Famalicão.

RETRATO:

terça-feira, 1 de junho de 2010

XI Famalicão - Joane

CITAÇÃO:
"Promover o desenvolvimento da comunidade, articulando diferentes áreas de actuação, numa lógica de promoção integral na população, através da cultura, saúde, ambiente, desporto, educação e solidariedade social."
Retirado do site do ATC - Missão

CURIOSIDADE:
A corrida Famalicão - Joane vai já na sua 11º edição. A organização como sempre (e muito bem) esteve a cargo do ATC - Associação Teatro Construção. A história desta associação é notável. Na génese da sua criação esteve o gosto pelo teatro de um grupo de jovens nos anos 70 e com o decorrer do tempo alargou a sua actuação a actividades de cariz social. Hoje é uma importante I.P.S.S. do distrito, que oferece à população de Joane uma vasta gama de serviços sociais, culturais e desportivos de excelente qualidade, desde a infância à terceira idade, sem esquecer a juventude.
A instituição soube transpor os ideais expressos na missão... as palavras saíram do papel e tornaram-se realidade!

ARQUIVO:
Ia ser a 6ª. vez que participava nesta corrida que ao longo dos anos sofreu algumas alterações no percurso e também nas distâncias.
Assim,
2002 - (1o,8 km) - 41m15s
2003 - (10,8 km) - 41m28s
2004 - (15 km) - 59m46s
2006 - (11,8 km) - 52m24s
2009 - (11,8 km) - 43m05s

RESENHA:
Após a ressaca da seca que marcou a Meia-Maratona do Douro e um período de grande azáfama na minha actividade profissional, o que além de me retirar tempo para me dedicar ao treino como deveria, roubou-me algumas horas de sono, essenciais para uma boa recuperação muscular. Assim, apresentei-me para esta corrida com objectivos modestos e sem grandes preocupações de tempo - a intenção era chegar ao final sem estar muito fatigado. Fiz a totalidade da corrida na companhia do meu amigo Manuel Mendes, desta vez sem entrarmos em competição, seguimos estrada fora, num ritmo forte mas longe do que recentemente fizemos e obviamente no que a breve prazo poderemos repetir!

ARITMÉTICA:
Cortei a a linha de chegada com o tempo de 45m04s para os 11,8 km do percurso que se saldou num 33º lugar na geral, entre os 401 atletas que concluíram a prova.

O MELHOR:
A corrida começou às 10h15m e já se sentia algum calor, todavia a organização dispôs para os atletas 3 pontos de abastecimento ao longo do trajecto, que recordo foi de 11,8 kms. Seria bastante interessante que outras organizações aprendessem como se deve proceder aos abastecimentos nas corridas.

O PIOR:
Este ano a corrida não teve a aderência de atletas de outros tempos! Sinceramente fiquei admirado e não me parece que a redução do valor dos prémios monetários nos lugares da classificação geral seja seja o principal motivo da ausência dos atletas do pelotão. Talvez o elevado número de provas existente nos meses de Maio e Junho explique alguma coisa.

RETRATO:

terça-feira, 25 de maio de 2010

5ª Meia-Maratona do Douro Vinhateiro

CITAÇÃO:
"A mais bela corrida do mundo!" (...e a pior organização do planeta!)

CURIOSIDADE:
5ª MEIA MARATONA DO DOURO VINHATEIRO - Regulamento
"17. Os abastecimentos serão assegurados pela organização em cada 5 kms, sendo que os bombeiros farão refrigeração com chuveiros caso seja necessário."

No site da prova, http://www.meiamaratonadouro.com/, retirei a seguinte notícia aquando da apresentação oficial no dia 6 de Maio de 2010.
"A EDP 5ª Meia Maratona do Douro Vinhateiro será disputada ao longo do Rio Douro, num percurso totalmente plano, acessível a todos, que liga o Pinhão e o Peso da Régua, numa das mais belas estradas do Mundo. Diferencia-se por ser o único evento a nível mundial que oferece a todos os participantes, para além de água e bebidas energéticas, Vinho do Porto nos abastecimentos de cinco em cinco quilómetros."

ARQUIVO:
Este ano disputava-se a 5ª edição e eu tinha participado no ano anterior, tendo registado o tempo de 1h19m26s.

RESENHA:
Em 8 anos que levo de dedicação à modalidade, como atleta do pelotão e com dezenas de meias-maratonas nas pernas, não julagava ser possível assistir a tamanha desorganização. A negligência foi tão grave que falhou no que de mais elementar deve existir numa corrida - a segurança e os abastecimentos aos atletas. Estava muito calor, seguramente uns 30 graus, mas isto não serve de desculpa para o crasso erro cometido!
A corrida não ia dar para grandes aventuras, pelo que parti com ambições de fazer um tempo dentro da 1h20m-1h22m. Primeiros kms corridos dentro da normalidade e ao ritmo desejado, mas desde logo se sentiu que a tarefa não ia ser fácil! No primeiro abastecimento, pouco antes dos 5 kms, ia inserido num grupo de uma dúzia de atletas e aqui foi dado o primeiro sinal que as coisas não iam correr bem. Dosi adolescentes entregaram água com muita dificuldade aos atletas, uma vez que a maioria das garrafas ainda estavam nas 'paletes' de plástico! Aos 5 kms registei o tempo de 19m20s, o calor aumentava e o objectivo inicial começava a ficar comprometido. Por volta dos 8 kms novo abastecimento muito mal assinalado e com pouco água disponível, no entanto ainda tive direito a uma garrafinha, embora estivesse como caldo, mas não deixava de ser água.
O meu ritmo começou a cair e passei os 10 kms com 39m40s, imaginando que haveria um abastecimento por esta altura, ou um pouco mais à frente, mas nada! Continuei a abrandar o ritmo até junto à barragem e nem sombras de abastecimentos - um fotógrafo, um militar da G.N.R e um operador de imagem da R.T.P. era o que por ali existia. Reduzi ainda mais o ritmo, correr com aquele calor e sem ter oportunidade de me refrescar seria sinónimo de sofrimento. Gosto de competir mas com condições para tal. Já não fazia grandes contas ao tempo final que iria registar, deixei-me deslizar admirando a imensidão do Douro e a pensar na ironia de estar a correr junto a um rio e a sentir a falta de água!
Quando dobrei os 15 kms com o meu cronómetro a assinalar 1h0015s e ao constatar que também aqui não havia abastecimento, desliguei-me por completo da corrida! Passaram atletas por mim, passei também por alguns que deixaram de correr e passaram a caminhar e todos vociferavam palavrões e impropérios contra a organização. Pouco antes de chegar à ponte, cerca dos 17 kms, havia vestígios da existência de um abastecimento, mas já não sobrava nada, apenas garrafas vazias espalhadas pelo chão!
A sorte é que a partir daqui tinha gente a asistir ou que ainda ia na caminhada, que começaram a auxiliar os atletas dando-lhes água conforme tinham e podiam, pois era tanta a procura para tão escassa oferta. Um amigo que participava na caminhada deu-me dois goles de uma pequena garrafa, disse-lhe para guardar o restante para os que vinham mais atrás, pois comecei a ter a percepção do drama que estava a acontecer aos atletas mais lentos. Fui até à meta, bem devagar, o menos desconfortável possível, concluindo assim esta triste corrida.
Em poucos minutos, comecei a sentir a revolta de todos os atletas contra a organização devido à falta de água a partir dos 8 kms de corrida, que crescia à media que iam chegando. O que se passou a seguir foi demasiado mau para ser verdade, atletas exaustos e desidratados a insultar a organização e estes a procederem como se fosse normal! Inacreditável!
Retirei-me e depois constatei que fiz bem, porque as cenas seguintes foram extremamente degradantes e desprestigiantes para a modalidade!

ARITMÉTICA:
O tempo final que fiz - 1h28m45s - pouco importa!
Gosto muito de corrida e também da região do Douro. Criei um enorme entusiasmo em volta desta 'meia' e o meu clube aderiu em massa ao evento. Estivemos representados na corrida com 35 atletas, uns mais rápidos, outros mais lentos e ainda contamos com 25 pessoas na caminhada, pelo que registei os seus relatos e todos foram unãnimes em afirmar a incompetência e o crime da falta de água durante a corrida.
Eu e mais alguns ainda tivemos direito a água até aos 8 kms, a maior parte só no primeiro abastecimento e ainda houve dois atletas que nem neste ponto conseguiram o precioso líquido. Recordo que pagamos de inscrição 14 € por cada atleta da 'meia' e 4 € por cada um que fez a caminhada.

O MELHOR:
O auxílio prestado pelos moradores e participantes da caminhada aos atletas!

O PIOR:
A organização - Do mais incompetente e negligente durante a corrida, colocando em perigo a saúde e a vida de muitos atletas!
Não satisfeita, mais tarde, não tendo a humildade de reconhecer os erros e tentando branquear tudo o que se passou, demonstrou pouca seriedade e profissionalismo!
Penso poder afirmar em nome de todos os membros do meu clube - enquanto a prova estiver entregue à empresa que organizou o evento, jamais voltaremos a correr ou a caminhar na Régua.

RETRATO: