terça-feira, 1 de junho de 2010

XI Famalicão - Joane

CITAÇÃO:
"Promover o desenvolvimento da comunidade, articulando diferentes áreas de actuação, numa lógica de promoção integral na população, através da cultura, saúde, ambiente, desporto, educação e solidariedade social."
Retirado do site do ATC - Missão

CURIOSIDADE:
A corrida Famalicão - Joane vai já na sua 11º edição. A organização como sempre (e muito bem) esteve a cargo do ATC - Associação Teatro Construção. A história desta associação é notável. Na génese da sua criação esteve o gosto pelo teatro de um grupo de jovens nos anos 70 e com o decorrer do tempo alargou a sua actuação a actividades de cariz social. Hoje é uma importante I.P.S.S. do distrito, que oferece à população de Joane uma vasta gama de serviços sociais, culturais e desportivos de excelente qualidade, desde a infância à terceira idade, sem esquecer a juventude.
A instituição soube transpor os ideais expressos na missão... as palavras saíram do papel e tornaram-se realidade!

ARQUIVO:
Ia ser a 6ª. vez que participava nesta corrida que ao longo dos anos sofreu algumas alterações no percurso e também nas distâncias.
Assim,
2002 - (1o,8 km) - 41m15s
2003 - (10,8 km) - 41m28s
2004 - (15 km) - 59m46s
2006 - (11,8 km) - 52m24s
2009 - (11,8 km) - 43m05s

RESENHA:
Após a ressaca da seca que marcou a Meia-Maratona do Douro e um período de grande azáfama na minha actividade profissional, o que além de me retirar tempo para me dedicar ao treino como deveria, roubou-me algumas horas de sono, essenciais para uma boa recuperação muscular. Assim, apresentei-me para esta corrida com objectivos modestos e sem grandes preocupações de tempo - a intenção era chegar ao final sem estar muito fatigado. Fiz a totalidade da corrida na companhia do meu amigo Manuel Mendes, desta vez sem entrarmos em competição, seguimos estrada fora, num ritmo forte mas longe do que recentemente fizemos e obviamente no que a breve prazo poderemos repetir!

ARITMÉTICA:
Cortei a a linha de chegada com o tempo de 45m04s para os 11,8 km do percurso que se saldou num 33º lugar na geral, entre os 401 atletas que concluíram a prova.

O MELHOR:
A corrida começou às 10h15m e já se sentia algum calor, todavia a organização dispôs para os atletas 3 pontos de abastecimento ao longo do trajecto, que recordo foi de 11,8 kms. Seria bastante interessante que outras organizações aprendessem como se deve proceder aos abastecimentos nas corridas.

O PIOR:
Este ano a corrida não teve a aderência de atletas de outros tempos! Sinceramente fiquei admirado e não me parece que a redução do valor dos prémios monetários nos lugares da classificação geral seja seja o principal motivo da ausência dos atletas do pelotão. Talvez o elevado número de provas existente nos meses de Maio e Junho explique alguma coisa.

RETRATO:

terça-feira, 25 de maio de 2010

5ª Meia-Maratona do Douro Vinhateiro

CITAÇÃO:
"A mais bela corrida do mundo!" (...e a pior organização do planeta!)

CURIOSIDADE:
5ª MEIA MARATONA DO DOURO VINHATEIRO - Regulamento
"17. Os abastecimentos serão assegurados pela organização em cada 5 kms, sendo que os bombeiros farão refrigeração com chuveiros caso seja necessário."

No site da prova, http://www.meiamaratonadouro.com/, retirei a seguinte notícia aquando da apresentação oficial no dia 6 de Maio de 2010.
"A EDP 5ª Meia Maratona do Douro Vinhateiro será disputada ao longo do Rio Douro, num percurso totalmente plano, acessível a todos, que liga o Pinhão e o Peso da Régua, numa das mais belas estradas do Mundo. Diferencia-se por ser o único evento a nível mundial que oferece a todos os participantes, para além de água e bebidas energéticas, Vinho do Porto nos abastecimentos de cinco em cinco quilómetros."

ARQUIVO:
Este ano disputava-se a 5ª edição e eu tinha participado no ano anterior, tendo registado o tempo de 1h19m26s.

RESENHA:
Em 8 anos que levo de dedicação à modalidade, como atleta do pelotão e com dezenas de meias-maratonas nas pernas, não julagava ser possível assistir a tamanha desorganização. A negligência foi tão grave que falhou no que de mais elementar deve existir numa corrida - a segurança e os abastecimentos aos atletas. Estava muito calor, seguramente uns 30 graus, mas isto não serve de desculpa para o crasso erro cometido!
A corrida não ia dar para grandes aventuras, pelo que parti com ambições de fazer um tempo dentro da 1h20m-1h22m. Primeiros kms corridos dentro da normalidade e ao ritmo desejado, mas desde logo se sentiu que a tarefa não ia ser fácil! No primeiro abastecimento, pouco antes dos 5 kms, ia inserido num grupo de uma dúzia de atletas e aqui foi dado o primeiro sinal que as coisas não iam correr bem. Dosi adolescentes entregaram água com muita dificuldade aos atletas, uma vez que a maioria das garrafas ainda estavam nas 'paletes' de plástico! Aos 5 kms registei o tempo de 19m20s, o calor aumentava e o objectivo inicial começava a ficar comprometido. Por volta dos 8 kms novo abastecimento muito mal assinalado e com pouco água disponível, no entanto ainda tive direito a uma garrafinha, embora estivesse como caldo, mas não deixava de ser água.
O meu ritmo começou a cair e passei os 10 kms com 39m40s, imaginando que haveria um abastecimento por esta altura, ou um pouco mais à frente, mas nada! Continuei a abrandar o ritmo até junto à barragem e nem sombras de abastecimentos - um fotógrafo, um militar da G.N.R e um operador de imagem da R.T.P. era o que por ali existia. Reduzi ainda mais o ritmo, correr com aquele calor e sem ter oportunidade de me refrescar seria sinónimo de sofrimento. Gosto de competir mas com condições para tal. Já não fazia grandes contas ao tempo final que iria registar, deixei-me deslizar admirando a imensidão do Douro e a pensar na ironia de estar a correr junto a um rio e a sentir a falta de água!
Quando dobrei os 15 kms com o meu cronómetro a assinalar 1h0015s e ao constatar que também aqui não havia abastecimento, desliguei-me por completo da corrida! Passaram atletas por mim, passei também por alguns que deixaram de correr e passaram a caminhar e todos vociferavam palavrões e impropérios contra a organização. Pouco antes de chegar à ponte, cerca dos 17 kms, havia vestígios da existência de um abastecimento, mas já não sobrava nada, apenas garrafas vazias espalhadas pelo chão!
A sorte é que a partir daqui tinha gente a asistir ou que ainda ia na caminhada, que começaram a auxiliar os atletas dando-lhes água conforme tinham e podiam, pois era tanta a procura para tão escassa oferta. Um amigo que participava na caminhada deu-me dois goles de uma pequena garrafa, disse-lhe para guardar o restante para os que vinham mais atrás, pois comecei a ter a percepção do drama que estava a acontecer aos atletas mais lentos. Fui até à meta, bem devagar, o menos desconfortável possível, concluindo assim esta triste corrida.
Em poucos minutos, comecei a sentir a revolta de todos os atletas contra a organização devido à falta de água a partir dos 8 kms de corrida, que crescia à media que iam chegando. O que se passou a seguir foi demasiado mau para ser verdade, atletas exaustos e desidratados a insultar a organização e estes a procederem como se fosse normal! Inacreditável!
Retirei-me e depois constatei que fiz bem, porque as cenas seguintes foram extremamente degradantes e desprestigiantes para a modalidade!

ARITMÉTICA:
O tempo final que fiz - 1h28m45s - pouco importa!
Gosto muito de corrida e também da região do Douro. Criei um enorme entusiasmo em volta desta 'meia' e o meu clube aderiu em massa ao evento. Estivemos representados na corrida com 35 atletas, uns mais rápidos, outros mais lentos e ainda contamos com 25 pessoas na caminhada, pelo que registei os seus relatos e todos foram unãnimes em afirmar a incompetência e o crime da falta de água durante a corrida.
Eu e mais alguns ainda tivemos direito a água até aos 8 kms, a maior parte só no primeiro abastecimento e ainda houve dois atletas que nem neste ponto conseguiram o precioso líquido. Recordo que pagamos de inscrição 14 € por cada atleta da 'meia' e 4 € por cada um que fez a caminhada.

O MELHOR:
O auxílio prestado pelos moradores e participantes da caminhada aos atletas!

O PIOR:
A organização - Do mais incompetente e negligente durante a corrida, colocando em perigo a saúde e a vida de muitos atletas!
Não satisfeita, mais tarde, não tendo a humildade de reconhecer os erros e tentando branquear tudo o que se passou, demonstrou pouca seriedade e profissionalismo!
Penso poder afirmar em nome de todos os membros do meu clube - enquanto a prova estiver entregue à empresa que organizou o evento, jamais voltaremos a correr ou a caminhar na Régua.

RETRATO:

segunda-feira, 17 de maio de 2010

4º Grande Prémio da Marginal

CITAÇÃO:
"Isto é uma corrida de solidariedade!"

CURIOSIDADE:
O Grande Prémio da Marginal é uma corrida disputada entre as margens da Póvoa de Varzim e Vila do Conde, alternando anualmente a partida e chegada em cada uma das cidades. O evento, que além da prova de atletismo, conta ainda com uma caminhada e, este ano, foi também introduzido um passeio de bicicleta, para reunir o maior número de pessoas, afim de angariar fundos com as respectivas inscrições para a Associação Portuguesa de Paramiloidose. A paramiloidose é mais conhecida por doença dos "pezinhos", devido aos primeiros sintomas serem um constante formigueiro nos pés e aliado a uma perda de sensibilidade ao frio e calor. Esta doença é hereditária, crónica e progressiva e tem uma enorme incidência nas populações de Vila do Conde e da Póvoa de Varzim.

ARQUIVO:
Este ano disputava-se a 4ª edição e eu tinha participado nas duas primeiras.
Assim,
2007 - 36m38s
2008 - 35m51s

RESENHA:
As corridas de 10 kms não são as minhas favoritas. Gosto de distâncias maiores, pois dão-me mais gozo por não acabarem tão depressa! Atendendo ao meu momento actual de forma e à rapidez do percurso, tinha como objectivo fazer a prova pelos 36 minutos, dividindo em 18 minutos cada 5 kms. Infelizmente, não esteve tanta gente como em anteriores edições pelo que a partida foi feita sem qualquer problema. Este ano a partida e chegada eram na Póvoa, logo os primeiros 5 kms em direcção a Vila do Conde foram corridas com a preciosa ajuda do vento a favor, tendo contabilizado no retorno o tempo de 17m48s. Obviamente, no regresso com o vento contra e o natural desgaste da corrida não foi possível manter o mesmo ritmo e os segundos 5 kms sofreram uma quebra registando um tempo de 18m16s.

ARITMÉTICA:
Completei a corrida com o tempo final de 36m04s, sendo o 13º classificado na geral entre os 436 atletas que terminaram a prova; no escalão M45, quedei-me apenas pelo 5º lugar entre os 75 participantes. Os veteranos estiveram em grande! Destaco também a participação do meu clube, N.A.TAIPAS, com 33 atletas, que obteve o 2º lugar colectivamente entre as 35 equipas inscritas.

O MELHOR:
O magnífico percurso onde se desenrola a corrida, sempre com o mar ali ao lado!

O PIOR:
A fraca adesão dos atletas do pelotão. Pela causa, esta corrida merecia um número muito mais elevado de participantes. Talvez se a organização seguisse o exemplo de algumas corridas com fins idênticos que se realizam no Porto, de associar uma marca desportiva ao evento conseguisse atrair mais atletas e consequentemente mais fundos para tão nobre causa.

RETRATO:

segunda-feira, 10 de maio de 2010

XXVI Meia-Maratona de Cortegaça

CITAÇÃO:
"Entre o mar e a floresta"

CURIOSIDADE:
Não fosse a meia-maratona ali disputada, talvez eu nunca fosse visitar a vila de Cortegaça!
Tem uma bonita praia, frequentada por surfistas, devido às características das suas ondas. Se não padecesse do vento que fustiga as praias do norte, seria perfeita!
Ao largo da praia uma mata verdejante de pinheiros, além de valorizar a paisagem, dão um aroma ao ar que dá prazer respirar!

ARQUIVO:
Desde os primeiros passos nas meias-maratonas, esta fez quase sempre parte do meu calendário de corrida.
Assim,
2002 - 1h25m40s
2003 - 1h26m08s
2004 - 1h23m55s
2005 - 1h20m20s
2007 - 1h20m49s
2008 - 1h19m21s

RESENHA:
Quatro semanas após a Maratona de Roterdão e sem esquecer que a partir de agora e até ao dia 4 de Julho, todos os domingos, irei apresentar-me em corridas de distâncias que variam entre os 10 kms e a meia-maratona, estava decidido em não puxar muito pelas pernas. O objectivo era tentar manter um ritmo de 3m45s/km de modo a concluir dentro da 1h19m. Assim, tudo correu dentro do previsto, com cada parcial de 5 kms a serem corridos entre os 18m20s e os 18m40s. Nem o meu amigo Manuel Mendes, que a partir dos 12 kms acelerou, me conseguiu fazer alterar o objectivo. A procissão das corridas ainda vai no adro e as pernas querem que esta autêntica via sacra seja feita em crescendo e com prazer e nunca um calvário!

ARITMÉTICA:
Completei a 57ª meia-maratona da minha carreira com o tempo final de 1h18m55s, cujo saldo foi o 56º lugar entre os 575 atletas que terminaram a prova ; no escalão M45, quedei-me pelo 10º posto, entre 111 participantes.

O MELHOR:
A maior parte do percurso desenrola-se numa estrada no interior da mata, em muitos kms apenas a batida dos pés no alcatrão quebravam o silêncio.

O PIOR:
É de lamentar a morte de um atleta de 40 anos - à família e amigos os meus mais sinceros pêsames.

RETRATO:

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Maratona de Roterdão: "A criar vencedores há 30 anos!"




Finalmente, o post!

Após a maratona permaneci no país das tulipas mais uns dias a gozar umas mini-férias! Por pouco ia ter que prolongá-las, mas por umas escassas horas consegui escapar à nuvem de cinzas que está a provocar o caos no espaço aéreo da Europa e regressei a Portugal.

Pela terceira vez corri a Maratona de Roterdão. Em 2005 numa manhã de chuva ali completei a minha 2ª maratona, repleta de êxito. Voltei em 2007, com mais duas nas pernas e com aspirações a fazer um bom tempo, contudo uma onde de calor que invadiu a Holanda por aqueles dias, a minha falta de experiência e a teimosia em não redefinir os objectivos atendendo às circunstâncias climatéricas, ditaram a minha pior prestação em maratonas e uma corrida em que terminei com grande sacrifício e desilusão!

Apesar de tudo tinha prometido voltar! Como este ano a Fortis Marathon Rotterdam comemorava os 30 anos achei que era a ocasião apropriada para marcar novamente presença. Tenho família e amigos na Holanda que, além de me estimar muito, apreciam os atletas que correm uma maratona. Todos foram excepcionais no apoio que me deram nos vários pontos do percurso. Ouvi mais vezes "Força...go José!" durante esta corrida do que em todas as provas que já fiz em Portugal.

A manhã estava fria e cinzenta e pior que isso, ventosa! Depois de tomar um café expresso comecei o meu aquecimento 40 minutos antes do início da corrida. Estava mesmo bastante frio pelo que o melhor era movimentar-me para aquecer! Quando faltavam 15 minutos para o tiro de partida dirigi-me para o lugar que me era destinado e deixei-me ficar no meio da multidão para ver se me protegia melhor do vento frio que teimava em não amainar.

Como escrevi por aqui, tinha fixado o objectivo de chegar nas 2h45m. Talvez por influência da minha última prestação naquele mesmo lugar, achei que não deveria modificar muito o objectivo, mas introduzir algumas condições. Assim, a primeira era tentar seguir num grupo a um ritmo na ordem dos 3m55s/km até sensivelmente a meio, tentando deste modo evitar o desgaste acrescido que correr com vento provoca quando seguimos sozinhos. Depois reavaliava a situação, a forma como me sentia e redefinia a abordagem para a segunda parte da corrida, sem nunca esquecer que numa maratona o decisivo é o que se vai passar a seguir aos 30 kms.

No tapete de controlo da meia-maratona registei o tempo de 1h22m49s. Agradou-me, uma vez que me deixei ir na cauda de um grupo gerindo sem qualquer problema o esforço até então dispendido. No entanto, por volta do 23º km o grupo começou a baixar ligeiramente o ritmo, era justo ser eu a ir para a frente puxar e assim pensei, assim o fiz! Comandando o pelotão de uma dúzia de atletas, tentei abanar um bocadinho a corrida para ver se o ritmo não esmorecia, aumentei a cadência, mas o grupo não foi na minha onda pelo que ganhei uma distância de uns 20 metros e fiquei sozinho. Neste momento teria de tomar uma decisão - ou me faria estrada fora entregue a mim ou desacelerava e integrava novamente o grupo. Uma rajada forte de vento que se fez sentir naquele preciso momento tomou a decisão por mim, ainda não era a hora de avançar, voltei ao grupo, só que desta vez não fui para a retaguarda, fiquei na linha da frente.

Mais uns kms e o grupo começou a decompor-se, na passagem do 28º km seguia na roda de apenas três atletas. Um deles fez-me sinal para tomar a dianteira de forma a dar-lhe alguma proteção do vento. Não recusei a proposta e cheguei-me à frente e comecei a impor um ritmo de modo que não baixasse dos 4m00s/Km. Assim, nos 10 kms finais estava sozinho, no entanto sentia-me bem e ia procurar manter aquele ritmo até final. Dobrei imensos atletas que iam em perda. Este facto aliado aos imensos aplausos com que ia sendo brindado e que cresciam à medida que me aproximava da meta, foram um excelente incentivo para que as pernas continuassem leves e soltas.

Sem grande esforço, sem o desgaste sentido em outras maratonas, no dia 11 de Abril concluí pela 11ª vez a prova rainha do atletismo. O tempo final foi de 2h47m11s e a sensação que podia ter feito melhor! No entanto fiquei bastante feliz e parafraseando um companheiro das corridas "Melhores, são os que melhoram!" - O meu record na distância melhorou 36 segundos!

Estando bem preparado, a maratona é um passeio de 30 kms, uma prova de 12 kms e por fim uma série de 195 metros!

Como devem calcular tenho enorme simpatia por esta maratona. A partida dada por um tiro de canhão, o numeroso público ao longo de todo o percurso, em particular na ponte Erasmus e na recta da meta, a afectividade e a simpatia que a família e os amigos me brindam durante a corrida, são motivos mais que suficientes para que, num futuro próximo, regresse mais uma vez.


Está prometido!
Haja pernas!!!

terça-feira, 23 de março de 2010

A peregrinação no caminho para Roterdão.


A Meia-Maratona de Lisboa fez 20 anos! A 'meia' da ponte como é carinhosamente tratada pelos atletas do pelotão, através do mediatismo adquirido ao longo dos anos e da magia da travessia do rio Tejo sobre a majestosa Ponte 25 de Abril, é das coisas que qualquer corredor tem mesmo de experimentar, pelo menos uma vez na vida! Assim, ao longo dos anos foi crescendo, até chegar à bonita soma de 35 mil participantes! O tabuleiro da ponte repleto de pessoas como se estivesse coberto por um manto colorido e o olhar sereno do Cristo-Rei com os braços abertos sobre a multidão - é algo místico que tornou este evento uma verdadeira peregrinação, onde o atleta mistura o profano - a festa, com o sagrado - a corrida!

"Todos parecem transportar algo maior que eles enquanto correm, assim concentrados na estrada, sempre muito magros e fortes, lembrando as figuras de Giacometti, íntegras, verdadeiras até ao osso. Corredores de fundo: que feliz a expressão, como que sugerindo uma qualidade interior, algo escavado em nós, que vai dentro de nós. Mulheres e homens correndo porque sim, porque sim, porque sim, tanta gente com eles.

Têm isso de bom as maratonas (ou as meias ou minis, não importa) pôr uns juntos com os outros, e todos a correr os lugares comuns. Não numa pista de tartan igual a mil mas uma cidade concreta como não há outra; subir aquele alto que a ponte tem a certa altura e logo a seguir descê-lo, aproveitando o balanço, e depois correr num quase milagre mesmo por cima da água e chegar à cidade inventada ao pé do rio.

Correr, correr muito, até o corpo correr sozinho, até sermos só alguém que segue o seu próprio corpo, ao longe, a assobiar para o ar como os detectives nos filmes, com cuidado para não sermos notados, não vá o corpo virar-se e surpreender-nos ali, assim soltos, tão desasados e abstractos; e finalmente, mesmo que não se tenha feito um bom tempo, mesmo que seja o último classificado, passar a meta com os braços no ar e um sorriso na cara, só porque sim, um sorriso de fundo, só porque sim"

(Excertos do Livro: "Meia Maratona de Lisboa - Quinze Anos")

Também eu aqui comecei, pelo que hoje, depois de já ter corridas 55 meias-maratonas não deixo nunca de recordar a sensação que tive quando a concluí pela primeira vez!

Apenas 15 dias após o meu record na distância na Póvoa de Varzim e a 3 semanas da maratona, optei por fazer desta prova um teste, planeando desde logo um tempo intermédio entre o meu melhor e o que pretendo passar à meia-maratona em Roterdão, ou seja 1h22m.

Assim, concluí a prova com o tempo final de 1h19m30s, muito longe de acabar esgotado e correndo sempre dentro de um ritmo perfeitamente controlado. Fiquei satisfeito com as pernas!

Espero que a peregrinação seja um bom presságio para Roterdão.

O treino continua, a fé é inabalável!

terça-feira, 9 de março de 2010

Até o cego (do Maio) viu!

Ao longo dos anos que conto de corrida, participo sempre com muito agrado nas provas que se realizam na Póvoa de Varzim, aliás como por aqui já escrevi, esta cidade remete-me para recordações muito felizes dos tempos da infância. Assim, gosto de me apresentar na Póvoa em condições de lutar pelos melhores tempos. Os records aqui obtidos dão razão à minha aposta, os percursos são praticamente planos, desenrolando-se em grandes rectas e com passagens por um ambiente urbano, convidativo para o público brindar os atletas com aplausos e ânimo. Se a meteorologia der uma ajuda estão reunidos todos os ingredientes para que os tempos finais sejam sempre bons.

Como todos sabem, o mau tempo e a chuva tem dado poucas tréguas neste inverno. Apesar das previsões serem animadoras, a manhã deste domingo na Póvoa estava muito chuvosa. No entanto, os aguaceiros não foram suficientes para desmobilizar os cerca de 800 atletas que marcaram presença. Gostaria ainda de salientar a excelente organização a cargo do município, que montou a logística da corrida junto ao local de partida, no Pavilhão do Desportivo da Póvoa, disponibilizando ainda balneários para os atletas se equiparem e no fim, se assim o desejarem, tomarem o respectivo duche.

Em plena fase de preparação para a Maratona de Roterdão, com treinos intensos e muitos kms nas pernas, esta 'meia' iria servir para avaliar o estado de forma, mas com a tentaiva de bater o record pessoal da distância em mente! Tenho consciência que a minha margem de progressão já não é muito grande, deste modo os objectivos que traço para as corridas são realistas, alcançáveis, mas exigentes. A estratégia para o record era rodar em média a 3m39s/km e cada parcial de 5 km em 18m15s.

Partida dada debaixo de chuva miudinha, mas sem o indesejado vento. Primeiro e segundos kms corridos abaixo do programado e desde logo um grupo de uma dezena de atletas constituído. Eu e o meu amigo Manuel Mendes, que no passado travamos uma interessante luta, com a vitória a pender para o meu lado por escassos 18 segundos, seguiamos juntos e na dianteira deste pelotão. Num ritmo a rondar os 3m35s/km fomos galgando os kms e no encalço de um outro grupo que seguia 300 metros à nossa frente, onde rumavam duas atletas femininas, que como é hábito levam sempre muitos corredores na boleia do seu andamento.

Os 5 kms foram dobrados com o tempo de 18m05s e parecia que estávamos a encurtar a distância do grupo da frente. Quando pisamos o tapete de controlo de chip em Santo André, aos 9 kms, era notório que a distância efectivamente tinha diminuido, aliás alguns atletas desse grupo começaram a descolar e nós a ultrapassa-los. O nosso ritmo não sofria grandes alterações e na passagem dos 10 kms o nosso tempo era de 36m15s.

Entretanto o nosso grupo já se desmembrara, passou a trio, composto por mim, pelo Manuel Mendes e por um atleta da Galiza. Estrada fora, com grande espírito de entreajuda fomos ultrapassando um a um os atletas que entretanto iam em perda. Por volta dos 13 kms, cheguei a pensar que o Manuel e o galego iriam fugir-me, o ritmo continuava forte e as pernas parece que queriam vacilar. Relaxei um bocadinho, ingeri o gel que levava, retemperei forças e os 3 metros que me separavam do duo não eram suficientes para me fazer esmorecer. Aos 15 km o meu cronómetro registou 54m32s.

Por volta dos 16 kms já estava novamente colado ao duo. No entanto o galego forçou o ritmo e ganhou-nos uns 5 metros. A corrida estava boa e muito animada! Eu e o Manuel aceleramos para caçar o 'nuestro hermano' e o ritmo obviamente não baixava! Junto ao Casino, na placa dos 20 kms o espanhol já estava alcançado e o relógio marcava 1h12m52s. Uns metros mais à frente o Cego do Maio na sua pose característica parecia que avistava o meu record! Eu também sentia que iria conseguir! Já em pleno Passeio Alegre e com a meta à vista o ritmo era elevado, na ordem dos 3m30s/km, o duelo com o meu amigo Manuel estava ao rubro, ele que tantas vezes ameaçou que me ganharia ia um metro à minha frente! Ainda lhe disse que desta vez ele venceria, parecia-me mais forte e eu já ia muito próximo do limite. Nos derradeiros metros galvanizado pelos incentivos de muitos amigos que assistiam à corrida, num último fôlego e sprint, alcancei o Manuel mesmo em cima de linha de meta! O último km foi corrido em 3m25s! O tempo final, 1h16m43s! Um excelente record numa corrida disputadíssima!

Este ano talvez o Manuel merecesse ganhar, no entanto apesar de alguém ter dito que eu cheguei uma pontinha à frente, o tempo registado no chip de ambos revelava um empate! Os caprichos da tecnologia assim o ditaram, agora eu e o Manuel que saudavelmente gostamos de competir, no próximo ano voltaremos ao mesmo palco para desempatar. Por mim, fica desde já marcado!

Com Roterdão no horizonte do cronómetro o treino continua, mas daqui a 15 dias estarei em Lisboa para a peregrinação da ponte!

Haja pernas!