segunda-feira, 10 de maio de 2010

XXVI Meia-Maratona de Cortegaça

CITAÇÃO:
"Entre o mar e a floresta"

CURIOSIDADE:
Não fosse a meia-maratona ali disputada, talvez eu nunca fosse visitar a vila de Cortegaça!
Tem uma bonita praia, frequentada por surfistas, devido às características das suas ondas. Se não padecesse do vento que fustiga as praias do norte, seria perfeita!
Ao largo da praia uma mata verdejante de pinheiros, além de valorizar a paisagem, dão um aroma ao ar que dá prazer respirar!

ARQUIVO:
Desde os primeiros passos nas meias-maratonas, esta fez quase sempre parte do meu calendário de corrida.
Assim,
2002 - 1h25m40s
2003 - 1h26m08s
2004 - 1h23m55s
2005 - 1h20m20s
2007 - 1h20m49s
2008 - 1h19m21s

RESENHA:
Quatro semanas após a Maratona de Roterdão e sem esquecer que a partir de agora e até ao dia 4 de Julho, todos os domingos, irei apresentar-me em corridas de distâncias que variam entre os 10 kms e a meia-maratona, estava decidido em não puxar muito pelas pernas. O objectivo era tentar manter um ritmo de 3m45s/km de modo a concluir dentro da 1h19m. Assim, tudo correu dentro do previsto, com cada parcial de 5 kms a serem corridos entre os 18m20s e os 18m40s. Nem o meu amigo Manuel Mendes, que a partir dos 12 kms acelerou, me conseguiu fazer alterar o objectivo. A procissão das corridas ainda vai no adro e as pernas querem que esta autêntica via sacra seja feita em crescendo e com prazer e nunca um calvário!

ARITMÉTICA:
Completei a 57ª meia-maratona da minha carreira com o tempo final de 1h18m55s, cujo saldo foi o 56º lugar entre os 575 atletas que terminaram a prova ; no escalão M45, quedei-me pelo 10º posto, entre 111 participantes.

O MELHOR:
A maior parte do percurso desenrola-se numa estrada no interior da mata, em muitos kms apenas a batida dos pés no alcatrão quebravam o silêncio.

O PIOR:
É de lamentar a morte de um atleta de 40 anos - à família e amigos os meus mais sinceros pêsames.

RETRATO:

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Maratona de Roterdão: "A criar vencedores há 30 anos!"




Finalmente, o post!

Após a maratona permaneci no país das tulipas mais uns dias a gozar umas mini-férias! Por pouco ia ter que prolongá-las, mas por umas escassas horas consegui escapar à nuvem de cinzas que está a provocar o caos no espaço aéreo da Europa e regressei a Portugal.

Pela terceira vez corri a Maratona de Roterdão. Em 2005 numa manhã de chuva ali completei a minha 2ª maratona, repleta de êxito. Voltei em 2007, com mais duas nas pernas e com aspirações a fazer um bom tempo, contudo uma onde de calor que invadiu a Holanda por aqueles dias, a minha falta de experiência e a teimosia em não redefinir os objectivos atendendo às circunstâncias climatéricas, ditaram a minha pior prestação em maratonas e uma corrida em que terminei com grande sacrifício e desilusão!

Apesar de tudo tinha prometido voltar! Como este ano a Fortis Marathon Rotterdam comemorava os 30 anos achei que era a ocasião apropriada para marcar novamente presença. Tenho família e amigos na Holanda que, além de me estimar muito, apreciam os atletas que correm uma maratona. Todos foram excepcionais no apoio que me deram nos vários pontos do percurso. Ouvi mais vezes "Força...go José!" durante esta corrida do que em todas as provas que já fiz em Portugal.

A manhã estava fria e cinzenta e pior que isso, ventosa! Depois de tomar um café expresso comecei o meu aquecimento 40 minutos antes do início da corrida. Estava mesmo bastante frio pelo que o melhor era movimentar-me para aquecer! Quando faltavam 15 minutos para o tiro de partida dirigi-me para o lugar que me era destinado e deixei-me ficar no meio da multidão para ver se me protegia melhor do vento frio que teimava em não amainar.

Como escrevi por aqui, tinha fixado o objectivo de chegar nas 2h45m. Talvez por influência da minha última prestação naquele mesmo lugar, achei que não deveria modificar muito o objectivo, mas introduzir algumas condições. Assim, a primeira era tentar seguir num grupo a um ritmo na ordem dos 3m55s/km até sensivelmente a meio, tentando deste modo evitar o desgaste acrescido que correr com vento provoca quando seguimos sozinhos. Depois reavaliava a situação, a forma como me sentia e redefinia a abordagem para a segunda parte da corrida, sem nunca esquecer que numa maratona o decisivo é o que se vai passar a seguir aos 30 kms.

No tapete de controlo da meia-maratona registei o tempo de 1h22m49s. Agradou-me, uma vez que me deixei ir na cauda de um grupo gerindo sem qualquer problema o esforço até então dispendido. No entanto, por volta do 23º km o grupo começou a baixar ligeiramente o ritmo, era justo ser eu a ir para a frente puxar e assim pensei, assim o fiz! Comandando o pelotão de uma dúzia de atletas, tentei abanar um bocadinho a corrida para ver se o ritmo não esmorecia, aumentei a cadência, mas o grupo não foi na minha onda pelo que ganhei uma distância de uns 20 metros e fiquei sozinho. Neste momento teria de tomar uma decisão - ou me faria estrada fora entregue a mim ou desacelerava e integrava novamente o grupo. Uma rajada forte de vento que se fez sentir naquele preciso momento tomou a decisão por mim, ainda não era a hora de avançar, voltei ao grupo, só que desta vez não fui para a retaguarda, fiquei na linha da frente.

Mais uns kms e o grupo começou a decompor-se, na passagem do 28º km seguia na roda de apenas três atletas. Um deles fez-me sinal para tomar a dianteira de forma a dar-lhe alguma proteção do vento. Não recusei a proposta e cheguei-me à frente e comecei a impor um ritmo de modo que não baixasse dos 4m00s/Km. Assim, nos 10 kms finais estava sozinho, no entanto sentia-me bem e ia procurar manter aquele ritmo até final. Dobrei imensos atletas que iam em perda. Este facto aliado aos imensos aplausos com que ia sendo brindado e que cresciam à medida que me aproximava da meta, foram um excelente incentivo para que as pernas continuassem leves e soltas.

Sem grande esforço, sem o desgaste sentido em outras maratonas, no dia 11 de Abril concluí pela 11ª vez a prova rainha do atletismo. O tempo final foi de 2h47m11s e a sensação que podia ter feito melhor! No entanto fiquei bastante feliz e parafraseando um companheiro das corridas "Melhores, são os que melhoram!" - O meu record na distância melhorou 36 segundos!

Estando bem preparado, a maratona é um passeio de 30 kms, uma prova de 12 kms e por fim uma série de 195 metros!

Como devem calcular tenho enorme simpatia por esta maratona. A partida dada por um tiro de canhão, o numeroso público ao longo de todo o percurso, em particular na ponte Erasmus e na recta da meta, a afectividade e a simpatia que a família e os amigos me brindam durante a corrida, são motivos mais que suficientes para que, num futuro próximo, regresse mais uma vez.


Está prometido!
Haja pernas!!!

terça-feira, 23 de março de 2010

A peregrinação no caminho para Roterdão.


A Meia-Maratona de Lisboa fez 20 anos! A 'meia' da ponte como é carinhosamente tratada pelos atletas do pelotão, através do mediatismo adquirido ao longo dos anos e da magia da travessia do rio Tejo sobre a majestosa Ponte 25 de Abril, é das coisas que qualquer corredor tem mesmo de experimentar, pelo menos uma vez na vida! Assim, ao longo dos anos foi crescendo, até chegar à bonita soma de 35 mil participantes! O tabuleiro da ponte repleto de pessoas como se estivesse coberto por um manto colorido e o olhar sereno do Cristo-Rei com os braços abertos sobre a multidão - é algo místico que tornou este evento uma verdadeira peregrinação, onde o atleta mistura o profano - a festa, com o sagrado - a corrida!

"Todos parecem transportar algo maior que eles enquanto correm, assim concentrados na estrada, sempre muito magros e fortes, lembrando as figuras de Giacometti, íntegras, verdadeiras até ao osso. Corredores de fundo: que feliz a expressão, como que sugerindo uma qualidade interior, algo escavado em nós, que vai dentro de nós. Mulheres e homens correndo porque sim, porque sim, porque sim, tanta gente com eles.

Têm isso de bom as maratonas (ou as meias ou minis, não importa) pôr uns juntos com os outros, e todos a correr os lugares comuns. Não numa pista de tartan igual a mil mas uma cidade concreta como não há outra; subir aquele alto que a ponte tem a certa altura e logo a seguir descê-lo, aproveitando o balanço, e depois correr num quase milagre mesmo por cima da água e chegar à cidade inventada ao pé do rio.

Correr, correr muito, até o corpo correr sozinho, até sermos só alguém que segue o seu próprio corpo, ao longe, a assobiar para o ar como os detectives nos filmes, com cuidado para não sermos notados, não vá o corpo virar-se e surpreender-nos ali, assim soltos, tão desasados e abstractos; e finalmente, mesmo que não se tenha feito um bom tempo, mesmo que seja o último classificado, passar a meta com os braços no ar e um sorriso na cara, só porque sim, um sorriso de fundo, só porque sim"

(Excertos do Livro: "Meia Maratona de Lisboa - Quinze Anos")

Também eu aqui comecei, pelo que hoje, depois de já ter corridas 55 meias-maratonas não deixo nunca de recordar a sensação que tive quando a concluí pela primeira vez!

Apenas 15 dias após o meu record na distância na Póvoa de Varzim e a 3 semanas da maratona, optei por fazer desta prova um teste, planeando desde logo um tempo intermédio entre o meu melhor e o que pretendo passar à meia-maratona em Roterdão, ou seja 1h22m.

Assim, concluí a prova com o tempo final de 1h19m30s, muito longe de acabar esgotado e correndo sempre dentro de um ritmo perfeitamente controlado. Fiquei satisfeito com as pernas!

Espero que a peregrinação seja um bom presságio para Roterdão.

O treino continua, a fé é inabalável!

terça-feira, 9 de março de 2010

Até o cego (do Maio) viu!

Ao longo dos anos que conto de corrida, participo sempre com muito agrado nas provas que se realizam na Póvoa de Varzim, aliás como por aqui já escrevi, esta cidade remete-me para recordações muito felizes dos tempos da infância. Assim, gosto de me apresentar na Póvoa em condições de lutar pelos melhores tempos. Os records aqui obtidos dão razão à minha aposta, os percursos são praticamente planos, desenrolando-se em grandes rectas e com passagens por um ambiente urbano, convidativo para o público brindar os atletas com aplausos e ânimo. Se a meteorologia der uma ajuda estão reunidos todos os ingredientes para que os tempos finais sejam sempre bons.

Como todos sabem, o mau tempo e a chuva tem dado poucas tréguas neste inverno. Apesar das previsões serem animadoras, a manhã deste domingo na Póvoa estava muito chuvosa. No entanto, os aguaceiros não foram suficientes para desmobilizar os cerca de 800 atletas que marcaram presença. Gostaria ainda de salientar a excelente organização a cargo do município, que montou a logística da corrida junto ao local de partida, no Pavilhão do Desportivo da Póvoa, disponibilizando ainda balneários para os atletas se equiparem e no fim, se assim o desejarem, tomarem o respectivo duche.

Em plena fase de preparação para a Maratona de Roterdão, com treinos intensos e muitos kms nas pernas, esta 'meia' iria servir para avaliar o estado de forma, mas com a tentaiva de bater o record pessoal da distância em mente! Tenho consciência que a minha margem de progressão já não é muito grande, deste modo os objectivos que traço para as corridas são realistas, alcançáveis, mas exigentes. A estratégia para o record era rodar em média a 3m39s/km e cada parcial de 5 km em 18m15s.

Partida dada debaixo de chuva miudinha, mas sem o indesejado vento. Primeiro e segundos kms corridos abaixo do programado e desde logo um grupo de uma dezena de atletas constituído. Eu e o meu amigo Manuel Mendes, que no passado travamos uma interessante luta, com a vitória a pender para o meu lado por escassos 18 segundos, seguiamos juntos e na dianteira deste pelotão. Num ritmo a rondar os 3m35s/km fomos galgando os kms e no encalço de um outro grupo que seguia 300 metros à nossa frente, onde rumavam duas atletas femininas, que como é hábito levam sempre muitos corredores na boleia do seu andamento.

Os 5 kms foram dobrados com o tempo de 18m05s e parecia que estávamos a encurtar a distância do grupo da frente. Quando pisamos o tapete de controlo de chip em Santo André, aos 9 kms, era notório que a distância efectivamente tinha diminuido, aliás alguns atletas desse grupo começaram a descolar e nós a ultrapassa-los. O nosso ritmo não sofria grandes alterações e na passagem dos 10 kms o nosso tempo era de 36m15s.

Entretanto o nosso grupo já se desmembrara, passou a trio, composto por mim, pelo Manuel Mendes e por um atleta da Galiza. Estrada fora, com grande espírito de entreajuda fomos ultrapassando um a um os atletas que entretanto iam em perda. Por volta dos 13 kms, cheguei a pensar que o Manuel e o galego iriam fugir-me, o ritmo continuava forte e as pernas parece que queriam vacilar. Relaxei um bocadinho, ingeri o gel que levava, retemperei forças e os 3 metros que me separavam do duo não eram suficientes para me fazer esmorecer. Aos 15 km o meu cronómetro registou 54m32s.

Por volta dos 16 kms já estava novamente colado ao duo. No entanto o galego forçou o ritmo e ganhou-nos uns 5 metros. A corrida estava boa e muito animada! Eu e o Manuel aceleramos para caçar o 'nuestro hermano' e o ritmo obviamente não baixava! Junto ao Casino, na placa dos 20 kms o espanhol já estava alcançado e o relógio marcava 1h12m52s. Uns metros mais à frente o Cego do Maio na sua pose característica parecia que avistava o meu record! Eu também sentia que iria conseguir! Já em pleno Passeio Alegre e com a meta à vista o ritmo era elevado, na ordem dos 3m30s/km, o duelo com o meu amigo Manuel estava ao rubro, ele que tantas vezes ameaçou que me ganharia ia um metro à minha frente! Ainda lhe disse que desta vez ele venceria, parecia-me mais forte e eu já ia muito próximo do limite. Nos derradeiros metros galvanizado pelos incentivos de muitos amigos que assistiam à corrida, num último fôlego e sprint, alcancei o Manuel mesmo em cima de linha de meta! O último km foi corrido em 3m25s! O tempo final, 1h16m43s! Um excelente record numa corrida disputadíssima!

Este ano talvez o Manuel merecesse ganhar, no entanto apesar de alguém ter dito que eu cheguei uma pontinha à frente, o tempo registado no chip de ambos revelava um empate! Os caprichos da tecnologia assim o ditaram, agora eu e o Manuel que saudavelmente gostamos de competir, no próximo ano voltaremos ao mesmo palco para desempatar. Por mim, fica desde já marcado!

Com Roterdão no horizonte do cronómetro o treino continua, mas daqui a 15 dias estarei em Lisboa para a peregrinação da ponte!

Haja pernas!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Ver Braga por um canudo!


Braga é sinónimo de muitos pergaminhos no atletismo. As equipas femininas do S.C. Braga, exemplarmente orientadas há mais de 30 anos por Sameiro Araújo, arrecadaram imensos títulos a nível nacional e internacional, fazendo, no passado emergir grandes atletas como Albertina Machado e Manuela Machado e recentemente Jéssica Augusto e Dulce Félix.

Estes motivos são mais que suficientes para que a cidade tivesse uma corrida como forma de homenagear todo este trabalho desenvolvido. A Câmara Municipal fez bem em meter mãos à obra e organizar o evento, cujo cartaz era composto por uma corrida de 10 kms e uma caminhada de 5 kms, realizadas num percurso sinuoso, de duas voltas para a corrida e uma para a caminhada, nas avenidas do coração da cidade.

Os atletas aderiram ao evento em número razoável, assim cerca de 500 atletas alinharam à partida na corrida principal e outros tantos para a caminhada. A inexistência de prémios monetários retirou nível e competitividade à prova, mas também permitiu que os atletas do pelotão pudessem brilhar mais.

No final, responsáveis autárquicos afirmaram que o município pretende dar continuidade ao evento, facto registado com agrado por quem gosta da modalidade. No entanto, parece-me que ainda há muito trabalho a fazer para que a corrida cresça e ganhe a simpatia dos atletas do pelotão. Assim, para que eu não tenha de recordar a expressão "Ver Braga por um canudo!", utilizada pelo meu pai para se referir a algo que desejava, mas que não conseguia ou corria bem, vou citar alguns aspectos negativos e que no futuro gostava de ver resolvidos:

-É lamentável anunciar uma corrida de 10 kms e depois de a corrida terminar chegar-se à conclusão que não tinha mais de 9.100 mtos;
-A não existência de placas a assinalar os kms é uma clara falha primária de organização;
-Correr numa faixa de rodagem e os automóveis circularem noutra, além de ser desagradável não me parece muito seguro; aliás; em matéria de segurança, o comportamento dos polícias que orientavam o trânsito foi ridículo, permitindo que condutores menos civilizados pusessem em causa a integridade física dos atletas;
-A caminhada atrapalhou na segunda volta os atletas da corrida principal, uma vez que acabava por deixar pouco espaço livre na estrada, obrigando-os a alguns zigue-zagues.

Obviamente, também teve aspectos positivos, nomeadamente as inscrições e os resultados na internet, o levantamento dos dorsais de forma fluida e os abastecimentos de água em abundância.

A minha corrida, não teve grande história. Nesta altura da época não simpatizo muito com corridas desta distância pelo que as encaro sempre como forma de ganhar ritmo para as meias-maratonas e maratona que vou correr na primavera. A ideia era concluir os 10 kms entre 36-37 minutos, rolando a um ritmo da ordem dos 3m40s/km. Como já referi a distância ficou aquém dos kms anunciados e o meu tempo final quedou-se pelos 32m19s a uma média de 3m33s/km para cobrir os 9.100 metros que o meu GPS assinalou, sendo 13º classificado entre os 416 que terminaram a prova e o primeiro classificado no escalão M45!

Apesar de nos últimos tempos ter que treinar com temperaturas negativas ou muito próximas dos zero graus, as pernas continuam activas, sem direito a hibernar.

Quem quer colher na primavera, não pode deixar de semear no inverno!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Meia-Maratona Manuela Machado: Bom prenúncio para 2010!

A Meia-Maratona Manuela Machado vai na sua 12ª edição e é legítimo afirmar que é já uma das melhores que se realiza em Portugal. A organização foi melhorando ao longo dos anos, atingindo agora agora um nível a rondar a perfeição. A mudança do local da partida foi excelente ideia e tornou-a mais fluída, os kms estavam devidamente marcados ao longo do percurso, havia abastecimentos a cada 5 kms e no final o habitual saco do prémio de presença era bastante recheado. A Manuela Machado foi uma grande atleta, esta prova que ostenta e bem o seu nome, merece em jeito de homenagem mais do que justa, ter uma grandeza condizente com a sua brilhante carreira.

O ano começou chuvoso e até agora os dias enxutos tinham sido uma raridade. Assim, o céu azul e o sol resplandecente em Viana do Castelo na manhã deste domingo deram mais brilho à já bonita cidade e também à corrida. Os atletas de pelotão aderiram em número record ao evento, pelo que estavam reunidas todas as condições para uma bela jornada desportiva.

Na parte que me toca, esta iria ser a primeira corrida do ano e se as condições climatéricas não fossem muito adversas, como aliás veio a acontecer, o objectivo era finalizar dentro da 1h18m. Apesar de me sentir bem, não acreditava estar num nível de forma que pudesse atacar o meu record pessoal.

Depois da Manuela Machado, humilde e simpaticamente ter agradecido a presença de todos, foi dado o tiro de partida. Saída sem problemas, primeiro km como habitualmente mais rápido -3m30s - de modo a evitar atropelos e ficar com a estrada livre para poder entrar o mais rapidamente possível no ritmo desejado, 3m40s-3m42s/km. Obviamente que as oscilações do percurso acabam por alterar um bocadinho estes pressupostos, mas é importante manter a cadência para que o perdido quando se sobe seja compensado depois quando se desce. A experiência ensinou-me que quando se consegue manter um ritmo regular, o resultado final acaba sempre por ser bom!

Assim,

- aos 5 kms, passei com um tempo de 18m10s, 3m38s/Km, fruto do ímpeto inicial, da necessidade de ajustamento ao ritmo pretendido e de o terreno ser praticamente plano;

- aos 10 kms, o meu cronómetro assinalou 36m50s, ou seja 18m40s no segundo parcial de 5 kms, a uma média de 3m44s/km, justificada pela elevação do terreno e algum vento contra;

- aos 15 kms, o marcador electrónico anunciava 54m45s, com um parcial de 5 kms feitos em 17m55s, à média de 3m35s/km, desta vez foi a benção do desnível do terreno e uma brisa pelas costas a reflectir-se no andamento;

- aos 20 kms, quando já não há muitas contas a fazer e onde o veredicto da corrida está quase ditado, o meu tempo era de 1h13m25s, contabilizando no último parcial de 5 kms, 18m40s à média de 3m44s/km, influenciada pelo sobe e desce do percurso e claro, pelo natural desgaste da corrida;

- o último km é aquele em que já nem sei se vou a correr, a voar, a penar ou a delirar! Quando avisto o pórtico final esqueço-me que o percurso sobe ligeiramente e que o piso é de um desconfortável empedrado. O meu olhar fixa apenas o cronómetro electrónico onde os impiedosos números amarelos constantemente se alteram. Entro numa cavalgada de êxtase até à meta, numa luta absurda entre mim e o tempo, em que este me conseguiu vencer por uma ínfima fracção!

Finalizei, com 1h17m21s, a escassos 11 segundos da minha melhor marca pessoal, no entanto estava feliz pela corrida que fiz! Foi a primeira meia-maratona do ano e as pernas tem razões mais que suficientes para sorrirem! Este resultado constitui um bom prenúncio para me poder lançar na melhoria do meu record na distência no decorrer de 2010!

Pernas ao ataque!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Das Taipas a Moscovo!




O título é ambíguo, mas tem um fundo de verdade!

Entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2009 corri 4.636 kms! Com estes kms, percorreria a distância das Taipas a Moscovo e ainda sobravam alguns metros para dar umas voltas na Praça Vermelha a observar o Kremlin!

Assim, em jeito de balanço do ano que terminou, através da preciosa ajuda do Garmin Forerunner e do programa informático SportTracks, vou partilhar com a malta da blogosfera o resumo do meu registo de corrida:
  • Kms................................ 4.636
  • Dias de treino/competição..... 351 (96,11% => 351/365)
  • Dias de descanso efectivo...... 14
  • Horas de treino/competição... 340h53m
  • Calorias gastas.................. 348.134
  • Variação de peso................ 65,1 Kg<---> 66,8 Kg
  • 17 Competições:

Maratonas (2)

Meias-Maratonas (8)

15 kms (2)

12 Kms (1)

10 Kms (4)

Para cumprir esta odisseia, rompi uma meia dúzia de pares de sapatilhas, escorreu-me muito suor pela face nos dias de calor e apanhei com muita chuva no Inverno. Umas vezes correndo quando o dia estava a nascer, outras com o sol a pôr-se, apreciando estes momentos de rara beleza oferecidos diariamente pela natureza, mas que passam despercebidos à maioria das pessoas!

Quem corre por gosto não cansa e o sentimento de glória ao cortar a meta, depois de cumpridos os objectivos, é de enorme satisfação...não há palavras para descrever!

Espero que as pernas continuem de boa saúde em 2010 e quem sabe para o ano, por esta altura, estarei aqui a dizer que fui das Taipas ao Cazaquistão!