terça-feira, 9 de março de 2010

Até o cego (do Maio) viu!

Ao longo dos anos que conto de corrida, participo sempre com muito agrado nas provas que se realizam na Póvoa de Varzim, aliás como por aqui já escrevi, esta cidade remete-me para recordações muito felizes dos tempos da infância. Assim, gosto de me apresentar na Póvoa em condições de lutar pelos melhores tempos. Os records aqui obtidos dão razão à minha aposta, os percursos são praticamente planos, desenrolando-se em grandes rectas e com passagens por um ambiente urbano, convidativo para o público brindar os atletas com aplausos e ânimo. Se a meteorologia der uma ajuda estão reunidos todos os ingredientes para que os tempos finais sejam sempre bons.

Como todos sabem, o mau tempo e a chuva tem dado poucas tréguas neste inverno. Apesar das previsões serem animadoras, a manhã deste domingo na Póvoa estava muito chuvosa. No entanto, os aguaceiros não foram suficientes para desmobilizar os cerca de 800 atletas que marcaram presença. Gostaria ainda de salientar a excelente organização a cargo do município, que montou a logística da corrida junto ao local de partida, no Pavilhão do Desportivo da Póvoa, disponibilizando ainda balneários para os atletas se equiparem e no fim, se assim o desejarem, tomarem o respectivo duche.

Em plena fase de preparação para a Maratona de Roterdão, com treinos intensos e muitos kms nas pernas, esta 'meia' iria servir para avaliar o estado de forma, mas com a tentaiva de bater o record pessoal da distância em mente! Tenho consciência que a minha margem de progressão já não é muito grande, deste modo os objectivos que traço para as corridas são realistas, alcançáveis, mas exigentes. A estratégia para o record era rodar em média a 3m39s/km e cada parcial de 5 km em 18m15s.

Partida dada debaixo de chuva miudinha, mas sem o indesejado vento. Primeiro e segundos kms corridos abaixo do programado e desde logo um grupo de uma dezena de atletas constituído. Eu e o meu amigo Manuel Mendes, que no passado travamos uma interessante luta, com a vitória a pender para o meu lado por escassos 18 segundos, seguiamos juntos e na dianteira deste pelotão. Num ritmo a rondar os 3m35s/km fomos galgando os kms e no encalço de um outro grupo que seguia 300 metros à nossa frente, onde rumavam duas atletas femininas, que como é hábito levam sempre muitos corredores na boleia do seu andamento.

Os 5 kms foram dobrados com o tempo de 18m05s e parecia que estávamos a encurtar a distância do grupo da frente. Quando pisamos o tapete de controlo de chip em Santo André, aos 9 kms, era notório que a distância efectivamente tinha diminuido, aliás alguns atletas desse grupo começaram a descolar e nós a ultrapassa-los. O nosso ritmo não sofria grandes alterações e na passagem dos 10 kms o nosso tempo era de 36m15s.

Entretanto o nosso grupo já se desmembrara, passou a trio, composto por mim, pelo Manuel Mendes e por um atleta da Galiza. Estrada fora, com grande espírito de entreajuda fomos ultrapassando um a um os atletas que entretanto iam em perda. Por volta dos 13 kms, cheguei a pensar que o Manuel e o galego iriam fugir-me, o ritmo continuava forte e as pernas parece que queriam vacilar. Relaxei um bocadinho, ingeri o gel que levava, retemperei forças e os 3 metros que me separavam do duo não eram suficientes para me fazer esmorecer. Aos 15 km o meu cronómetro registou 54m32s.

Por volta dos 16 kms já estava novamente colado ao duo. No entanto o galego forçou o ritmo e ganhou-nos uns 5 metros. A corrida estava boa e muito animada! Eu e o Manuel aceleramos para caçar o 'nuestro hermano' e o ritmo obviamente não baixava! Junto ao Casino, na placa dos 20 kms o espanhol já estava alcançado e o relógio marcava 1h12m52s. Uns metros mais à frente o Cego do Maio na sua pose característica parecia que avistava o meu record! Eu também sentia que iria conseguir! Já em pleno Passeio Alegre e com a meta à vista o ritmo era elevado, na ordem dos 3m30s/km, o duelo com o meu amigo Manuel estava ao rubro, ele que tantas vezes ameaçou que me ganharia ia um metro à minha frente! Ainda lhe disse que desta vez ele venceria, parecia-me mais forte e eu já ia muito próximo do limite. Nos derradeiros metros galvanizado pelos incentivos de muitos amigos que assistiam à corrida, num último fôlego e sprint, alcancei o Manuel mesmo em cima de linha de meta! O último km foi corrido em 3m25s! O tempo final, 1h16m43s! Um excelente record numa corrida disputadíssima!

Este ano talvez o Manuel merecesse ganhar, no entanto apesar de alguém ter dito que eu cheguei uma pontinha à frente, o tempo registado no chip de ambos revelava um empate! Os caprichos da tecnologia assim o ditaram, agora eu e o Manuel que saudavelmente gostamos de competir, no próximo ano voltaremos ao mesmo palco para desempatar. Por mim, fica desde já marcado!

Com Roterdão no horizonte do cronómetro o treino continua, mas daqui a 15 dias estarei em Lisboa para a peregrinação da ponte!

Haja pernas!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Ver Braga por um canudo!


Braga é sinónimo de muitos pergaminhos no atletismo. As equipas femininas do S.C. Braga, exemplarmente orientadas há mais de 30 anos por Sameiro Araújo, arrecadaram imensos títulos a nível nacional e internacional, fazendo, no passado emergir grandes atletas como Albertina Machado e Manuela Machado e recentemente Jéssica Augusto e Dulce Félix.

Estes motivos são mais que suficientes para que a cidade tivesse uma corrida como forma de homenagear todo este trabalho desenvolvido. A Câmara Municipal fez bem em meter mãos à obra e organizar o evento, cujo cartaz era composto por uma corrida de 10 kms e uma caminhada de 5 kms, realizadas num percurso sinuoso, de duas voltas para a corrida e uma para a caminhada, nas avenidas do coração da cidade.

Os atletas aderiram ao evento em número razoável, assim cerca de 500 atletas alinharam à partida na corrida principal e outros tantos para a caminhada. A inexistência de prémios monetários retirou nível e competitividade à prova, mas também permitiu que os atletas do pelotão pudessem brilhar mais.

No final, responsáveis autárquicos afirmaram que o município pretende dar continuidade ao evento, facto registado com agrado por quem gosta da modalidade. No entanto, parece-me que ainda há muito trabalho a fazer para que a corrida cresça e ganhe a simpatia dos atletas do pelotão. Assim, para que eu não tenha de recordar a expressão "Ver Braga por um canudo!", utilizada pelo meu pai para se referir a algo que desejava, mas que não conseguia ou corria bem, vou citar alguns aspectos negativos e que no futuro gostava de ver resolvidos:

-É lamentável anunciar uma corrida de 10 kms e depois de a corrida terminar chegar-se à conclusão que não tinha mais de 9.100 mtos;
-A não existência de placas a assinalar os kms é uma clara falha primária de organização;
-Correr numa faixa de rodagem e os automóveis circularem noutra, além de ser desagradável não me parece muito seguro; aliás; em matéria de segurança, o comportamento dos polícias que orientavam o trânsito foi ridículo, permitindo que condutores menos civilizados pusessem em causa a integridade física dos atletas;
-A caminhada atrapalhou na segunda volta os atletas da corrida principal, uma vez que acabava por deixar pouco espaço livre na estrada, obrigando-os a alguns zigue-zagues.

Obviamente, também teve aspectos positivos, nomeadamente as inscrições e os resultados na internet, o levantamento dos dorsais de forma fluida e os abastecimentos de água em abundância.

A minha corrida, não teve grande história. Nesta altura da época não simpatizo muito com corridas desta distância pelo que as encaro sempre como forma de ganhar ritmo para as meias-maratonas e maratona que vou correr na primavera. A ideia era concluir os 10 kms entre 36-37 minutos, rolando a um ritmo da ordem dos 3m40s/km. Como já referi a distância ficou aquém dos kms anunciados e o meu tempo final quedou-se pelos 32m19s a uma média de 3m33s/km para cobrir os 9.100 metros que o meu GPS assinalou, sendo 13º classificado entre os 416 que terminaram a prova e o primeiro classificado no escalão M45!

Apesar de nos últimos tempos ter que treinar com temperaturas negativas ou muito próximas dos zero graus, as pernas continuam activas, sem direito a hibernar.

Quem quer colher na primavera, não pode deixar de semear no inverno!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Meia-Maratona Manuela Machado: Bom prenúncio para 2010!

A Meia-Maratona Manuela Machado vai na sua 12ª edição e é legítimo afirmar que é já uma das melhores que se realiza em Portugal. A organização foi melhorando ao longo dos anos, atingindo agora agora um nível a rondar a perfeição. A mudança do local da partida foi excelente ideia e tornou-a mais fluída, os kms estavam devidamente marcados ao longo do percurso, havia abastecimentos a cada 5 kms e no final o habitual saco do prémio de presença era bastante recheado. A Manuela Machado foi uma grande atleta, esta prova que ostenta e bem o seu nome, merece em jeito de homenagem mais do que justa, ter uma grandeza condizente com a sua brilhante carreira.

O ano começou chuvoso e até agora os dias enxutos tinham sido uma raridade. Assim, o céu azul e o sol resplandecente em Viana do Castelo na manhã deste domingo deram mais brilho à já bonita cidade e também à corrida. Os atletas de pelotão aderiram em número record ao evento, pelo que estavam reunidas todas as condições para uma bela jornada desportiva.

Na parte que me toca, esta iria ser a primeira corrida do ano e se as condições climatéricas não fossem muito adversas, como aliás veio a acontecer, o objectivo era finalizar dentro da 1h18m. Apesar de me sentir bem, não acreditava estar num nível de forma que pudesse atacar o meu record pessoal.

Depois da Manuela Machado, humilde e simpaticamente ter agradecido a presença de todos, foi dado o tiro de partida. Saída sem problemas, primeiro km como habitualmente mais rápido -3m30s - de modo a evitar atropelos e ficar com a estrada livre para poder entrar o mais rapidamente possível no ritmo desejado, 3m40s-3m42s/km. Obviamente que as oscilações do percurso acabam por alterar um bocadinho estes pressupostos, mas é importante manter a cadência para que o perdido quando se sobe seja compensado depois quando se desce. A experiência ensinou-me que quando se consegue manter um ritmo regular, o resultado final acaba sempre por ser bom!

Assim,

- aos 5 kms, passei com um tempo de 18m10s, 3m38s/Km, fruto do ímpeto inicial, da necessidade de ajustamento ao ritmo pretendido e de o terreno ser praticamente plano;

- aos 10 kms, o meu cronómetro assinalou 36m50s, ou seja 18m40s no segundo parcial de 5 kms, a uma média de 3m44s/km, justificada pela elevação do terreno e algum vento contra;

- aos 15 kms, o marcador electrónico anunciava 54m45s, com um parcial de 5 kms feitos em 17m55s, à média de 3m35s/km, desta vez foi a benção do desnível do terreno e uma brisa pelas costas a reflectir-se no andamento;

- aos 20 kms, quando já não há muitas contas a fazer e onde o veredicto da corrida está quase ditado, o meu tempo era de 1h13m25s, contabilizando no último parcial de 5 kms, 18m40s à média de 3m44s/km, influenciada pelo sobe e desce do percurso e claro, pelo natural desgaste da corrida;

- o último km é aquele em que já nem sei se vou a correr, a voar, a penar ou a delirar! Quando avisto o pórtico final esqueço-me que o percurso sobe ligeiramente e que o piso é de um desconfortável empedrado. O meu olhar fixa apenas o cronómetro electrónico onde os impiedosos números amarelos constantemente se alteram. Entro numa cavalgada de êxtase até à meta, numa luta absurda entre mim e o tempo, em que este me conseguiu vencer por uma ínfima fracção!

Finalizei, com 1h17m21s, a escassos 11 segundos da minha melhor marca pessoal, no entanto estava feliz pela corrida que fiz! Foi a primeira meia-maratona do ano e as pernas tem razões mais que suficientes para sorrirem! Este resultado constitui um bom prenúncio para me poder lançar na melhoria do meu record na distência no decorrer de 2010!

Pernas ao ataque!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Das Taipas a Moscovo!




O título é ambíguo, mas tem um fundo de verdade!

Entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2009 corri 4.636 kms! Com estes kms, percorreria a distância das Taipas a Moscovo e ainda sobravam alguns metros para dar umas voltas na Praça Vermelha a observar o Kremlin!

Assim, em jeito de balanço do ano que terminou, através da preciosa ajuda do Garmin Forerunner e do programa informático SportTracks, vou partilhar com a malta da blogosfera o resumo do meu registo de corrida:
  • Kms................................ 4.636
  • Dias de treino/competição..... 351 (96,11% => 351/365)
  • Dias de descanso efectivo...... 14
  • Horas de treino/competição... 340h53m
  • Calorias gastas.................. 348.134
  • Variação de peso................ 65,1 Kg<---> 66,8 Kg
  • 17 Competições:

Maratonas (2)

Meias-Maratonas (8)

15 kms (2)

12 Kms (1)

10 Kms (4)

Para cumprir esta odisseia, rompi uma meia dúzia de pares de sapatilhas, escorreu-me muito suor pela face nos dias de calor e apanhei com muita chuva no Inverno. Umas vezes correndo quando o dia estava a nascer, outras com o sol a pôr-se, apreciando estes momentos de rara beleza oferecidos diariamente pela natureza, mas que passam despercebidos à maioria das pessoas!

Quem corre por gosto não cansa e o sentimento de glória ao cortar a meta, depois de cumpridos os objectivos, é de enorme satisfação...não há palavras para descrever!

Espero que as pernas continuem de boa saúde em 2010 e quem sabe para o ano, por esta altura, estarei aqui a dizer que fui das Taipas ao Cazaquistão!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

S. Silvestre do Porto: A última corrida de 2009.

No último domingo do ano realizou-se uma vez mais a S. Silvestre Cidade do Porto, prova que vai na 16ª edição e como já vem sendo hábito teve a excelente organização a cargo da Runporto.

A noite estava fria e a chuva, uma vez por outra, até deu alguns sinais durante a prova, mas só no final (pelo menos para mim) é que caiu com muita intensidade. Apesar de o tempo convidar a estar em casa à lareira, foram muitos os que se deslocaram à Invicta para a tradicional corrida de S. Silvestre e, também em número razoável, os portuenses saíram à rua para aplaudir os atletas.

As características do percurso, composto por duas voltas com subidas e descidas longas e a distância de 10 kms, não me são muito favoráveis, estou mais vocacionado para terreno plano e distâncias maiores, aliás é nesse sentido que os meus treinos são orientados. Assim, para a última corrida de 2009, o objectivo era finalizar com um tempo idêntico ao do ano anterior, 37m16s.

Como tive o privilégio de me atribuírem um dorsal VIP, deu tempo para fazer um óptimo aquecimento e colocar-me numa posição na grelha da partida que me permitiu sair sem problemas. No entanto, o arranque após o tiro da largada, foi de loucos, sem saber muito bem se fui empurrado ou puxado pelos atletas de elite, fiz o primeiro km em 3m16s!

Após este autêntico voo, procurei entrar no meu ritmo, mas não foi nada fácil, porque no km seguinte a subida era de respeito e depois de uns escassos metros planos na zona do Marquês, começa-se a descer pela Constituição até aos Aliados, umas vezes ligeiramente, outras acentuadamente, ora em paralelo, ora em alcatrão. Aos 5 kms e com uma volta completada, o meu cronómetro registou 17m55s! A segunda é mais difícil, pois a subida ainda é mais longa, começa na Rua Sá da Bandeira e só termina no Marquês, sem esquecer os 300 metros finais a subir e o natural desgaste que o esforço dispendido iria provocar, a manutenção daquele ritmo não seria de todo possível. Assim aconteceu, nos segundos 5 kms contabilizei mais 1m46s que nos primeiros, concluindo a corrida em 37m36s, cujo saldo foi um honroso 75º lugar na classificação geral, entre os 1.870 atletas que cortaram a meta.

Para quem gosta, terminar o ano a correr é sempre um enorme prazer!

Haja pernas para 2010!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Passeio de Natal!

Quando se corre sozinho faz-se terapia, quando se corre em grupo fazem-se amigos!

O N.A.Taipas nasceu por vontade de meia dúzia de amigos que corriam cada um por si no Parque de Lazer das Caldas das Taipas, mas que um dia resolveram apresentarem-se numa corrida em grupo e em jeito de brincadeira escolheram o pomposo nome de NAT- Núcleo de Atletismo das Taipas.

Apesar de não estar constituído legalmente, não deixa de ser um clube, porque mais importante que ter estatutos e orgãos sociais, é a essência que levou à sua criação - incentivar as pessoas adoptarem uma vida mais saudável através da corrida!

Assim, como que anunciando a quadra festiva que se aproxima, o clube na manhã fria do passado domingo promoveu um passeio de Natal. Os atletas compareceram em razoável número, a maioria envergando t-shirts vermelhas e o tradicional gorro do pai natal. Num ritmo bem calmo percorreram as principais ruas da vila, saudando as pessoas e convidando-as a juntarem-se ao grupo, tentando mostrar-lhes que correr não é nenhum sacrífício, antes pelo contrário é um enorme prazer!

Queria também desejar a todo o pessoal da blogosfera um Feliz Natal e um 2010 cheio de corridas!

Entretanto, haja pernas para a S. Silvestre do Porto!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Correr em Lisboa.

Inicialmente a minha agenda de corrida não tinha prevista a participação na meia-maratona de Lisboa, prova que fazia parte do programa da Maratona de Lisboa. Contudo, como fui passar o fim-de-semana prolongado à capital e como sou dependente da corrida, não podia deixar de levar as sapatilhas e aproveitar para voltar à competição, precisamente, um mês após a maratona do Porto.

Assim, no sábado, logo que cheguei a Lisboa e depois de algumas peripécias dignas de um tipo do norte que não domina as artérias da grande cidade, lá descobri a Fundação Inatel e o Parque 1º de Maio, situado nas imediações da Av. de Roma/Alvalade, para levantar o dorsal. Logo aqui deu para perceber que os estrangeiros a aderir ao evento seriam em número muito superior aos lusitanos e que nuestros hermanos seriam o grosso do pelotão - só a avaliar pelo castelhano que por ali se ouvia. Apesar de ter já anoitecido deu para ver o modesto estádio - algumas bancadas, um relvado e uma pista de atletismo em volta onde começava e terminava a maratona! A 'meia' apenas terminava cá, pois a sua partida era dada na Baixa Pombalina, mais própriamente no Terreiro do Paço.

No domingo, bem cedo pelas 8h30m já estava a estacionar o meu carro na Av. de Roma, junto a uma entrada de Metro e a dois passos do Parque 1º de Maio, para facilitar a logística. Deste modo ainda tive tempo de ver a partida da maratona e o ridículo de obrigarem os cerca de 1.200 maratonistas a darem uma volta à pista antes de saírem do estádio! Após esta insólita largada e de ter incentivado alguns companheiros de estrada que entretanto reconheci, equipei-me e apanhei o Metro até ao Rossio.

A partida da meia-maratona estava marcada para as 10h30m e ainda faltavam uns 45 minutos, já eu estava a fazer ligeiríssimos trotes de aquecimento. O céu estava cinzento, mas não chovia, a temperatura era agradável, apenas o vento revelava a personalidade, como aliás as previsões da meteorologia vaticinavam. Não tinha objectivos muito precisos para a corrida, mas achava que em condições normais poderia finalizar com um tempo entre 1h18m e 1h19m.

Soou a buzina para a partida e como me tinha colocado quase na dianteira do pelotão, não tive qualquer problema em sair e impor o ritmo pretendido a rondar os 3m45s/km. Os primeiros maratonistas tinham passado pouco antes da largada da 'meia' e, pelo que pude averiguar, não foram mais de duas dezenas, o que fez com que logo a seguir ao 1º km, já na Av. 24 de Julho a estrada estivesse inteiramente à minha disposição! Não me fiz rogado, sem companhia fui subtraindo os sucessivos kms à conta final. Até ao retorno dos 5,5 km o vento estava de frente e foi preciso despender algum esforço para manter o ritmo desejado, mas nos kms seguintes o vento até deu uma ajudinha, com o cronómetro a assinalar os tempos de passagem aos 10 km de 37m15s e aos 15 km de 55m55s. A manter este andamento alcançava o tempo final perspectivado. Foi por esta altura que, vindo de trás um atleta que reconheci da blogosfera - o Fernando Carmo - se chegou a mim, aproveitei a oportunidade e ali mesmo me apresentei trocando com ele algumas palavras. Em boa hora ele apareceu, porque nos 5 kms finais foi preciso muita força nas pernas e muito moral para não esmorecer naquela verdadeira escalada do Cabo Ruivo até à meta. O ritmo obviamente caiu, houve um km que só consegui fazer em 4m26s! No dia anterior tinha dado uma vista de olhos à alimétrica do percurso e não me pareceu que a inclinação do terreno trouxesse tantas dificuldades. Imagino quanto sofrimento estes kms finais provocaram nos maratonistas! O Fernando estava mais forte, escapou-se de mim à entrada do 20 km e ganhou-me gradualmente alguns metros. Concluir a prova dentro do objectivo era já impossível, mas não deixei de dar o máximo até ao fim, acabando por cortar a meta com o meu cronómetro a registar o tempo de 1h20m30s.

Atendendo à fase de abrandamento de treino e às características do terreno - foi seguramente a 'meia' com o percurso mais difícil que corri - o resultado foi excelente, cujo saldo foi um 11º lugar na classificação geral, entre os 1150 atletas que terminaram a corrida e o 2º lugar no escalão M45!