quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Porto de honra, Porto de encontro.



No passado domingo nas margens do Douro, e no palco de grande parte do percurso da Maratona do Porto do próximo dia 8 de Novembro, realizou-se a Meia-Maratona SportZone. Para a 3ª edição desta corrida a organização, e na linha dos anos anteriores, contratou uma verdadeira legião de estrelas africanas, onde se destacava o recordista mundial da maratona e talvez o melhor altleta de fundo de todos os tempos, o campeoníssimo Haile Grebrselassie!
O Haile não deixou ficar os créditos por pernas alheias e venceu a corrida com o fantástico tempo de 1h04s, apesar do vento que se fez sentir.

Cheguei cedo ao local da partida e como a prova só começou meia hora mais tarde devido à transmissão televisiva, deu para cumprimentar e conversar com amigos, julgava até que iria fazer um aquecimento adequado, mas como estava uma multidão, fiz apenas o aquecimento possível para estar em boa posição na largada. Deste modo, fiquei com a elite um palmo à frente dos meus olhos!

A pessoa escolhida para dar a partida foi Jorge Nuno Pinto da Costa. Todos lhe reconhecem a contundente ironia das suas intervenções, mas desta vez ele apurou ainda mais o seu sarcasmo - na semana em que os dragões decidiram extinguir o atletismo do clube, o presidente do F.C. do Porto dava o tiro de partida numa corrida!

Como escrevi por aqui, esta 'meia' era para dar o máximo. Para alcançar um tempo a rondar o meu record na distância teria de correr a um ritmo de 3m40s/km, ou seja 18m15s cada 5 km. Foi com este pressuposto que iniciei a corrida.

Assim, os primeiros 5 km foram dobrados com 17m59s, aos 10 km com 36m22s, aos 15 km com 54m48s e os 20 km com 1h13m04s, finalizando a prova com 1h17m16s, a escassos 6 segundos do meu record pessoal!

Fiquei um boacadinho desapontado, mas rapidamente me passou, afinal de contas obtive um resultado muito honroso, terminando na classificação geral em 72º lugar, entre os 1415 atletas que concluíram a prova e no meu escalão fui 4º classificado.

Após 6 semanas de treino específico para a maratona e 650 kms nas pernas, o importante foi verificar a forma como obtive este tempo, contornando com alguma facilidade as dificuldades impostas pelo vento, sempre com uma cadência média dentro do planeado, correndo com bastante frescura e acabando a prova sem grande esforço dispendido.

Da parte da tarde participei com muito agrado no II Meeting Blogger, onde num restaurante de V.N. de Gaia com excelente vista para o rio Douro, reuniram-se 40 pessoas, entre elas 17 autores de blogs, de vários pontos do país. Quando me lancei na aventura da corrida estava longe de imaginar as pessoas que iria conhecer através deste desporto. Quando decidi escrever sobre corrida e ter um blog nunca me passou pela cabeça os amigos que iria fazer!

Entre as linhas de meta e as linhas da blogosfera vão-se construindo amizades, num feliz encontro entre as pernas e as palavras!

Bons treinos...boa escrita!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Correr em Ovar, mas no Porto a pensar...



O feriado de 5 de Outubro, quando em Portugal se comemora a implantação da República, para a malta das corridas é o dia da Meia-Maratona de Ovar! Assim, esta segunda-feira realizou-se a 21ª edição de uma corrida pela qual todos os atletas do pelotão nutrem especial simpatia. A organização é boa, o 'saco' atribuído aos atletas no final da prova é bastante recheado, a t-shirt é bonita e nunca falha o habitual prato decorativo em cerâmica alusivo à prova.

Com todos estes atractivos o número de participantes a aderir ao evento é sempre muito elevado. O público a assistir é bastante numeroso e como a corrida se desenrola num percurso quase na totalidade plano, proporciona aos atletas óptimas prestações.

Quanto à minha presença pouco há a dizer. Esta prova foi integrada no plano de preparação para a Maratona do Porto e o objectivo era corrê-la num ritmo vivo, mas longe do máximo. Assim, deu para desfrutar da paisagem, para conversar com os amigos e sem nunca perder o controlo da corrida, concluí a 'meia' com o tempo de 1h23m10s, dentro do previsto.

Os treinos específicos para a maratona atingiram a sua metade. Para já sinto-me bastante bem, o último teste vai ser efectuado na Meia-Maratona SportZone, disputada no mesmo palco da maratona, no Porto, no próximo dia 18 de Outubro, essa sim para correr a ritmo competitivo.

Para finalizar gostaria de partilhar com o pessoal da blogosfera o quanto estou contente com o número de valentes que o meu clube já inscreveu na Maratona do Porto - 25 atletas!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Ligue-se à corrida!

Os treinos para a Maratona do Porto decorrem a bom ritmo!

Às segundas e quintas-feiras pelas 7h30m da manhã já estou na terra batida do Parque de Lazer das Caldas das Taipas, para um treino descontraído de 1h e cerca de 12 kms.

Às terças e sextas-feiras, o dia está a nascer e pelas 7h já vou estrada fora, para fazer um circuito que começa e termina num ambiente urbano, mas que atravessa a zona rural da encosta da Citânia de Briteiros. 1h30m de treino de média intensidade que oscila entre os 15 e os 20 kms.

A quarta-feira é o dia reservado para o tartan da Pista Gémeos Castro em Guimarães. Assim, ao fim da tarde por volta das 17h30m, treino a resistência e a potência aeróbica fazendo entre 8 e 10 'séries' de 800 metros, precedido do respectivo aquecimento e no fim a habitual corrida de descontracção.

Ao sábado, pelas 9h, novo treino de descompressão na terra batida, desta feita na margem do rio Ave, no Parque de Lazer Ínsua-Ponte, onde o plano é correr 13 kms em 1h.

O domingo pela manhã é dedicado ao inevitável treino longo no asfalto durante algumas horas. O percurso escolhido vai do Avepark a Briteiros feito várias vezes para devorar kms que variam entre os 24 e os 32, sem esquecer pelo meio de fazer alguns acima do ritmo competitivo.


O meu nome é José Capela.
Se eu podia viver sem a corrida?
- Poder, podia...mas a minha vida não era a mesma coisa!


Quem corre está ON!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O regresso às palavras...

Caros amigos, estou de volta!

Confesso que já tinha saudades. Foram quase três meses que não coloquei os dedos no teclado do computador para os habituais posts, libertando-os para...imaginem?! Tarefas domésticas - cozinhar, lavar loiça, tratar roupa e fazer compras para abastecer a dispensa, passaram a fazer parte da minha rotina diária. Foi um verdadeiro curso intensivo de 'fada do lar'. Até eu fiquei surpreendido com as coisas que aprendi. É bem verdade que a necessidade aguça o engenho e, desenganem-se aqueles que estão a pensar que foi apenas durante um tempo...nada disso, é para continuar!

E então as corridas?

As corridas, correram bastante bem! Os mais atentos e curiosos verificaram que os resultados obtidos na romaria dominical das corridas do mês de Junho e primeira quinzena de Julho tiveram óptimas prestações das pernas.

E os treinos?

Os treinos continuaram (e continuam) a decorrer assiduamente. Assim, durante os meses de Junho, Julho, Agosto e até ao momento, apenas em dois dias dei descanso efectivo às pernas, nos restantes foi sempre a 'devorar kms'! No passado dia 1 de Setembro, atingi os 3.000 kms corridos no ano em curso! Quem corre por gosto, não só não cansa, como arranja e até chega a inventar tempo para correr!

A Maratona do Porto aproxima-se e como sou um dos felizardos que a viu nascer, gatinhar, andar e crescer, estou cuidadosamente a prepará-la, para que as pernas dêem uma boa resposta à minha 6ª presença consecutiva no evento, tendo como objectivo corrê-la em 170 minutos!

As palavras são para continuar.

Os treinos...será preciso dizer??!!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Uma pausa...

A vida obriga-nos muitas vezes a tomar decisões e escolher.
Durante o dia, só com muita ginástica e imaginação consigo arranjar tempo para treinar.
Mas como adoro correr, todos os sacrifícios que faço valem a pena!

Por estes dias, à vontade de escrever, acabam por se sobrepor outros valores. Assim, vou fazer uma pausa no blog, prometendo voltar logo que possível.

"O Tempo é um ser difícil. Quando queremos que ele se prolongue, seja demorado e lento, ele foge às pressas, nem se sente as horas.
Quando queremos que ele voe mais depressa que o pensamento, porque sofremos, porque vivemos um tempo mau, ele escoa moroso, longo é o desfilar das horas."
Jorge Amado
Abraço
Até já!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Meia-Maratona Douro Vinhateiro: Até ao lavar dos cestos...

A região do Douro é classificada pela Unesco como património paisagístico da Humanidade. Na verdade, este título que lhe foi atribuído, não é mais que o reconhecimento de uma paisagem ímpar que deslumbra o olhar de todos quantos a visitam.

Uma meia-maratona corrida ao longo da margem do rio, com partida sobre a barragem de Bagaúste e com chegada à cidade da Régua, em plena avenida do Douro, só podia conquistar a simpatia e a adesão dos atletas do pelotão. Para dar competitividade à prova a organização distribuía, pelos melhores, prémios monetários bastante atraentes e para abrilhantar a festa, promoveu um caminhada de 6 kms. Como se isto não bastasse, todos os participantes que concluíssem a corrida ou a caminhada habilitavam-se ao sorteio de um automóvel.

Com todos estes ingredientes na lista a Régua foi invadida por 7.000 pessoas que responderam afirmativamente ao slogan do evento - 'A correr ou a caminhar eu vou lá estar!'

Apesar de só terem decorrido 15 dias após a maratona Carlos Lopes, eu não podia deixar de responder a este magnífico apelo. Obviamente que não ia (nem devia) exigir que as minhas pernas tivessem disponibilidade para lutar por um novo record, mas estava empenhado em obter um bom resultado. Assim, o objectivo era começar com alguma moderação e depois com o desenrolar da corrida seguir um ritmo que me permitisse alcançar um tempo final a rondar a 1h20m.

A partida foi dada e rumamos no sentido de Armamar, ou seja, contra a corrente do rio. Logo no primeiro km a meu lado já estava o André Guedes, acompanhante do blog, com quem tinha travado conhecimento em Mirandela, aquando do Nacional de Estrada. Após uma breve troca de palavras resolvemos fazer a corrida juntos, já que o tempo apontado por ambos coincidia. Mais um km e um companheiro de equipa, Carlos Justo, bem como outro atleta que desconheço, formamos um quarteto que foi engolindo os kms e ultrapassando outros atletas. Eu ia controlando o ritmo entre 3m42s-3m46s/km e o André, como é da zona e estava habituado a treinar naquela estrada, dava preciosas indicações da elevação e declive do terreno.

Por volta dos 7 kms na outra margem do Douro passou o comboio, apitando como se anunciasse que estava na hora da inversão de marcha e de correr no sentido da corrente do rio. Por ironia, os kms até à barragem são ligeiramente a subir, caso para dizer que a corrente do rio não ajudou muito, no entanto o grupo não se deixou abater, nem abrandou o ritmo. Após nova passagem em frente à barragem e com 14 kms corridos, as pernas recebem uma pequena benção do terreno que desce suavemente durante 3 kms. Mas, como ouvi recentemente dizer, "o único sítio onde sucesso vem primeiro que trabalho é no dicionário" - a ponte que vislumbrávamos lá adiante e acima dos nossos olhos ia-se aproximando, e quanto mais próximos dela estávamos, maior era a inclinação da estrada. O ritmo caiu um bocadinho, mas a vontade não esmoreceu!

O quarteto desmembrou-se e surgiram dois atletas vindos de trás que nos ultrapassaram na descida da estação. Como estava com força respondi a este ataque e tomei a dianteira forçando ainda mais o ritmo, todos ficaram para trás e nos duzentos metros finais que são ligeiramente a subir ainda me dei ao luxo ultrapassar alguns atletas. Dei por mim a pensar que gosto de competição e que as minhas pernas não contradizem esta minha teimosia!


Um excelente resultado, numa meia-maratona que tem um percurso maravilhoso, que as pernas adoraram e a todos recomendam.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Maratona Carlos Lopes: Atletismo solitário!

Enfim, chegou o dia da Maratona de Lisboa ou para ser mais preciso a Gold Marathon Carlos Lopes, que contava ainda no programa um Bike Tour e uma corrida de 5 km designada Atletismo Solidário. Quando no domingo de manhã, por volta das 7h45m, cheguei ao Casino do Estoril, onde ia ser dada a partida verifiquei que o número de participantes anunciado pela organização, já por si não muito famoso, estava bastante inflacionado. Nada que me surpreendesse!

Enquanto procedia ao aquecimento, e como efectivamente éramos poucos, foi fácil encontrar os companheiros da blogosfera que também se iam lançar nesta aventura, respectivamente o Luís Mota, depois o Fernando Andrade, o António Bento e o Nuno Cabeça. As palavras de circunstância habituais e o desejo sincero de boa sorte para todos.

Os meus objectivos para a corrida eram claros. Melhorar o meu tempo na distância (2h54m15s - Porto 2008) apontando para um tempo final de 2h52m. No entanto, e como me sentia bem, se por ventura conseguisse um grupo poderia ousar chegar dentro das 2h50m. As condições meteorológicas contribuíam com a sua parte, uma vez que o tempo estava nublado e fresco, excelente para correr.

O tiro da partida foi dado e como eram tão poucos os atletas não precisei de correr mais de 200 metros para verificar que não iria integrar nenhum grupo, ou seja, ia fazer uma maratona completamente entregue a mim próprio e ao meu cronómetro. O desafio era manter um ritmo estável e tentar concluir a prova nas 2h52m. Para mim esta maratona foi atletismo solitário!

No entanto, estava preparado para isto, aliás já me tinha mentalizado ao longo da preparação da maratona para esta eventualidade, como bem sabem os meus leitores mais atentos. Assim, fui galgando os kms apreciando a magnifica paisagem da Costa do Estoril, o mar e o encontro com o Tejo, num abraço junto à Torre de Belém.

Foi com o prazer de um miúdo que corre sozinho - pelo meio da estrada que nos outros dias está entupida de automóveis barulhentos mas que hoje era toda dele. Entro na baixa de Lisboa, junto ao edifício da Câmara Municipal, sigo pelo meio do empedrado do trilho do eléctrico, como se fosse eu o próprio eléctrico. Tomo a Rua Augusta onde alguns incentivavam, mas a maioria das pessoas estavam mais preocupada em ver as montras e olham com indiferença para mim. Retribuo-lhes com um sorriso e triunfantemente entro no Rossio onde um aglomerado de pessoas olha para uma grua que está a colocar um painel publicitário e nem deu pela minha presença. Contornei a praça e não escutei uma manifestação de apoio, apenas um bando de pombas que estavam pousadas, levantaram voo à minha passagem!

Um agente da autoridade, quase por favor, indicou-me o caminho, entrei no Terreiro do Paço onde imperava o silêncio e eis-me de novo na larga avenida de acesso ao Parque das Nações. As pernas já tinham engolido 30 kms e o ritmo continuava imperturbável dentro dos 4m5s/Km e eu continuava a divertir-me com o desafio que ia mantendo comigo próprio.

Logo a seguir a Santa Apolónia, surgiu o momento cómico da corrida. Numa paragem de autocarro com meia dúzia de pessoas. Uma mulher, que estava sentada, levantou-se e chegou-se para o meio da avenida como que dirigindo-se a mim. Pensei com os meus calções: "finalmente vou receber um aplauso". Mas não. - "Ó senhor, sabe se há autocarros?" - Nem lhe respondi e a mulher recolheu, decepcionada, à paragem resmungado - "Ao menos podia dizer qualquer coisa"! Continuei a minha corrida mas não pude deixar de esboçar novamente um sorriso.

O tempo foi passando e em breve estava a entrar no Parque das Nações, onde faltavam sensivelmente 3 kms para o final e as pernas não vacilavam, pelo que o objectivo 2h52m estava pronto para ser alcançado. A recepção do Gil de braços abertos contrastava com perspectiva de mudança de terreno, anunciando que ainda iria ter de sofrer um bocadinho, é que nas maratonas não há glória sem sofrimento. Na verdade, aquele empedrado até à meta, onde os arquitectos da Expo'98 quiseram misturar a antiga calçada portuguesa com a modernidade do Pavilhão de Portugal e do Pavilhão Atlântico, não foi concebido a pensar em maratonistas.

Aqui sim, tive que cerrar os dentes e transformar-me um pouco em Pheidippides e correr até à meta com os músculos em autentica vibração para, pelo canto do olho, conferir o cronómetro da chegada e ultrapassa-lo quando este assinalava 2h51m59s!
(1ª 'meia' 1h25m48s - 2ª 'meia' 1h26m11s => Diferença 23s)

Resultado: Pernas para que te quero, 1 - Atletismo solitário, 0.

Comentário inevitável - O comum dos portugueses só liga ao futebol. Para a maioria, a maratona é uma corrida, da qual não tem noção nenhuma do tempo que demora e sabem lá quantos kms são...
Satisfeito por ter cumprido mais uma maratona, recordo o famoso comentário: "E o burro, sou eu?!"

Fica aqui prometido que em Novembro, na Maratona do Porto, o objectivo é baixar das 2h50m!