sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Ligue-se à corrida!

Os treinos para a Maratona do Porto decorrem a bom ritmo!

Às segundas e quintas-feiras pelas 7h30m da manhã já estou na terra batida do Parque de Lazer das Caldas das Taipas, para um treino descontraído de 1h e cerca de 12 kms.

Às terças e sextas-feiras, o dia está a nascer e pelas 7h já vou estrada fora, para fazer um circuito que começa e termina num ambiente urbano, mas que atravessa a zona rural da encosta da Citânia de Briteiros. 1h30m de treino de média intensidade que oscila entre os 15 e os 20 kms.

A quarta-feira é o dia reservado para o tartan da Pista Gémeos Castro em Guimarães. Assim, ao fim da tarde por volta das 17h30m, treino a resistência e a potência aeróbica fazendo entre 8 e 10 'séries' de 800 metros, precedido do respectivo aquecimento e no fim a habitual corrida de descontracção.

Ao sábado, pelas 9h, novo treino de descompressão na terra batida, desta feita na margem do rio Ave, no Parque de Lazer Ínsua-Ponte, onde o plano é correr 13 kms em 1h.

O domingo pela manhã é dedicado ao inevitável treino longo no asfalto durante algumas horas. O percurso escolhido vai do Avepark a Briteiros feito várias vezes para devorar kms que variam entre os 24 e os 32, sem esquecer pelo meio de fazer alguns acima do ritmo competitivo.


O meu nome é José Capela.
Se eu podia viver sem a corrida?
- Poder, podia...mas a minha vida não era a mesma coisa!


Quem corre está ON!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O regresso às palavras...

Caros amigos, estou de volta!

Confesso que já tinha saudades. Foram quase três meses que não coloquei os dedos no teclado do computador para os habituais posts, libertando-os para...imaginem?! Tarefas domésticas - cozinhar, lavar loiça, tratar roupa e fazer compras para abastecer a dispensa, passaram a fazer parte da minha rotina diária. Foi um verdadeiro curso intensivo de 'fada do lar'. Até eu fiquei surpreendido com as coisas que aprendi. É bem verdade que a necessidade aguça o engenho e, desenganem-se aqueles que estão a pensar que foi apenas durante um tempo...nada disso, é para continuar!

E então as corridas?

As corridas, correram bastante bem! Os mais atentos e curiosos verificaram que os resultados obtidos na romaria dominical das corridas do mês de Junho e primeira quinzena de Julho tiveram óptimas prestações das pernas.

E os treinos?

Os treinos continuaram (e continuam) a decorrer assiduamente. Assim, durante os meses de Junho, Julho, Agosto e até ao momento, apenas em dois dias dei descanso efectivo às pernas, nos restantes foi sempre a 'devorar kms'! No passado dia 1 de Setembro, atingi os 3.000 kms corridos no ano em curso! Quem corre por gosto, não só não cansa, como arranja e até chega a inventar tempo para correr!

A Maratona do Porto aproxima-se e como sou um dos felizardos que a viu nascer, gatinhar, andar e crescer, estou cuidadosamente a prepará-la, para que as pernas dêem uma boa resposta à minha 6ª presença consecutiva no evento, tendo como objectivo corrê-la em 170 minutos!

As palavras são para continuar.

Os treinos...será preciso dizer??!!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Uma pausa...

A vida obriga-nos muitas vezes a tomar decisões e escolher.
Durante o dia, só com muita ginástica e imaginação consigo arranjar tempo para treinar.
Mas como adoro correr, todos os sacrifícios que faço valem a pena!

Por estes dias, à vontade de escrever, acabam por se sobrepor outros valores. Assim, vou fazer uma pausa no blog, prometendo voltar logo que possível.

"O Tempo é um ser difícil. Quando queremos que ele se prolongue, seja demorado e lento, ele foge às pressas, nem se sente as horas.
Quando queremos que ele voe mais depressa que o pensamento, porque sofremos, porque vivemos um tempo mau, ele escoa moroso, longo é o desfilar das horas."
Jorge Amado
Abraço
Até já!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Meia-Maratona Douro Vinhateiro: Até ao lavar dos cestos...

A região do Douro é classificada pela Unesco como património paisagístico da Humanidade. Na verdade, este título que lhe foi atribuído, não é mais que o reconhecimento de uma paisagem ímpar que deslumbra o olhar de todos quantos a visitam.

Uma meia-maratona corrida ao longo da margem do rio, com partida sobre a barragem de Bagaúste e com chegada à cidade da Régua, em plena avenida do Douro, só podia conquistar a simpatia e a adesão dos atletas do pelotão. Para dar competitividade à prova a organização distribuía, pelos melhores, prémios monetários bastante atraentes e para abrilhantar a festa, promoveu um caminhada de 6 kms. Como se isto não bastasse, todos os participantes que concluíssem a corrida ou a caminhada habilitavam-se ao sorteio de um automóvel.

Com todos estes ingredientes na lista a Régua foi invadida por 7.000 pessoas que responderam afirmativamente ao slogan do evento - 'A correr ou a caminhar eu vou lá estar!'

Apesar de só terem decorrido 15 dias após a maratona Carlos Lopes, eu não podia deixar de responder a este magnífico apelo. Obviamente que não ia (nem devia) exigir que as minhas pernas tivessem disponibilidade para lutar por um novo record, mas estava empenhado em obter um bom resultado. Assim, o objectivo era começar com alguma moderação e depois com o desenrolar da corrida seguir um ritmo que me permitisse alcançar um tempo final a rondar a 1h20m.

A partida foi dada e rumamos no sentido de Armamar, ou seja, contra a corrente do rio. Logo no primeiro km a meu lado já estava o André Guedes, acompanhante do blog, com quem tinha travado conhecimento em Mirandela, aquando do Nacional de Estrada. Após uma breve troca de palavras resolvemos fazer a corrida juntos, já que o tempo apontado por ambos coincidia. Mais um km e um companheiro de equipa, Carlos Justo, bem como outro atleta que desconheço, formamos um quarteto que foi engolindo os kms e ultrapassando outros atletas. Eu ia controlando o ritmo entre 3m42s-3m46s/km e o André, como é da zona e estava habituado a treinar naquela estrada, dava preciosas indicações da elevação e declive do terreno.

Por volta dos 7 kms na outra margem do Douro passou o comboio, apitando como se anunciasse que estava na hora da inversão de marcha e de correr no sentido da corrente do rio. Por ironia, os kms até à barragem são ligeiramente a subir, caso para dizer que a corrente do rio não ajudou muito, no entanto o grupo não se deixou abater, nem abrandou o ritmo. Após nova passagem em frente à barragem e com 14 kms corridos, as pernas recebem uma pequena benção do terreno que desce suavemente durante 3 kms. Mas, como ouvi recentemente dizer, "o único sítio onde sucesso vem primeiro que trabalho é no dicionário" - a ponte que vislumbrávamos lá adiante e acima dos nossos olhos ia-se aproximando, e quanto mais próximos dela estávamos, maior era a inclinação da estrada. O ritmo caiu um bocadinho, mas a vontade não esmoreceu!

O quarteto desmembrou-se e surgiram dois atletas vindos de trás que nos ultrapassaram na descida da estação. Como estava com força respondi a este ataque e tomei a dianteira forçando ainda mais o ritmo, todos ficaram para trás e nos duzentos metros finais que são ligeiramente a subir ainda me dei ao luxo ultrapassar alguns atletas. Dei por mim a pensar que gosto de competição e que as minhas pernas não contradizem esta minha teimosia!


Um excelente resultado, numa meia-maratona que tem um percurso maravilhoso, que as pernas adoraram e a todos recomendam.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Maratona Carlos Lopes: Atletismo solitário!

Enfim, chegou o dia da Maratona de Lisboa ou para ser mais preciso a Gold Marathon Carlos Lopes, que contava ainda no programa um Bike Tour e uma corrida de 5 km designada Atletismo Solidário. Quando no domingo de manhã, por volta das 7h45m, cheguei ao Casino do Estoril, onde ia ser dada a partida verifiquei que o número de participantes anunciado pela organização, já por si não muito famoso, estava bastante inflacionado. Nada que me surpreendesse!

Enquanto procedia ao aquecimento, e como efectivamente éramos poucos, foi fácil encontrar os companheiros da blogosfera que também se iam lançar nesta aventura, respectivamente o Luís Mota, depois o Fernando Andrade, o António Bento e o Nuno Cabeça. As palavras de circunstância habituais e o desejo sincero de boa sorte para todos.

Os meus objectivos para a corrida eram claros. Melhorar o meu tempo na distância (2h54m15s - Porto 2008) apontando para um tempo final de 2h52m. No entanto, e como me sentia bem, se por ventura conseguisse um grupo poderia ousar chegar dentro das 2h50m. As condições meteorológicas contribuíam com a sua parte, uma vez que o tempo estava nublado e fresco, excelente para correr.

O tiro da partida foi dado e como eram tão poucos os atletas não precisei de correr mais de 200 metros para verificar que não iria integrar nenhum grupo, ou seja, ia fazer uma maratona completamente entregue a mim próprio e ao meu cronómetro. O desafio era manter um ritmo estável e tentar concluir a prova nas 2h52m. Para mim esta maratona foi atletismo solitário!

No entanto, estava preparado para isto, aliás já me tinha mentalizado ao longo da preparação da maratona para esta eventualidade, como bem sabem os meus leitores mais atentos. Assim, fui galgando os kms apreciando a magnifica paisagem da Costa do Estoril, o mar e o encontro com o Tejo, num abraço junto à Torre de Belém.

Foi com o prazer de um miúdo que corre sozinho - pelo meio da estrada que nos outros dias está entupida de automóveis barulhentos mas que hoje era toda dele. Entro na baixa de Lisboa, junto ao edifício da Câmara Municipal, sigo pelo meio do empedrado do trilho do eléctrico, como se fosse eu o próprio eléctrico. Tomo a Rua Augusta onde alguns incentivavam, mas a maioria das pessoas estavam mais preocupada em ver as montras e olham com indiferença para mim. Retribuo-lhes com um sorriso e triunfantemente entro no Rossio onde um aglomerado de pessoas olha para uma grua que está a colocar um painel publicitário e nem deu pela minha presença. Contornei a praça e não escutei uma manifestação de apoio, apenas um bando de pombas que estavam pousadas, levantaram voo à minha passagem!

Um agente da autoridade, quase por favor, indicou-me o caminho, entrei no Terreiro do Paço onde imperava o silêncio e eis-me de novo na larga avenida de acesso ao Parque das Nações. As pernas já tinham engolido 30 kms e o ritmo continuava imperturbável dentro dos 4m5s/Km e eu continuava a divertir-me com o desafio que ia mantendo comigo próprio.

Logo a seguir a Santa Apolónia, surgiu o momento cómico da corrida. Numa paragem de autocarro com meia dúzia de pessoas. Uma mulher, que estava sentada, levantou-se e chegou-se para o meio da avenida como que dirigindo-se a mim. Pensei com os meus calções: "finalmente vou receber um aplauso". Mas não. - "Ó senhor, sabe se há autocarros?" - Nem lhe respondi e a mulher recolheu, decepcionada, à paragem resmungado - "Ao menos podia dizer qualquer coisa"! Continuei a minha corrida mas não pude deixar de esboçar novamente um sorriso.

O tempo foi passando e em breve estava a entrar no Parque das Nações, onde faltavam sensivelmente 3 kms para o final e as pernas não vacilavam, pelo que o objectivo 2h52m estava pronto para ser alcançado. A recepção do Gil de braços abertos contrastava com perspectiva de mudança de terreno, anunciando que ainda iria ter de sofrer um bocadinho, é que nas maratonas não há glória sem sofrimento. Na verdade, aquele empedrado até à meta, onde os arquitectos da Expo'98 quiseram misturar a antiga calçada portuguesa com a modernidade do Pavilhão de Portugal e do Pavilhão Atlântico, não foi concebido a pensar em maratonistas.

Aqui sim, tive que cerrar os dentes e transformar-me um pouco em Pheidippides e correr até à meta com os músculos em autentica vibração para, pelo canto do olho, conferir o cronómetro da chegada e ultrapassa-lo quando este assinalava 2h51m59s!
(1ª 'meia' 1h25m48s - 2ª 'meia' 1h26m11s => Diferença 23s)

Resultado: Pernas para que te quero, 1 - Atletismo solitário, 0.

Comentário inevitável - O comum dos portugueses só liga ao futebol. Para a maioria, a maratona é uma corrida, da qual não tem noção nenhuma do tempo que demora e sabem lá quantos kms são...
Satisfeito por ter cumprido mais uma maratona, recordo o famoso comentário: "E o burro, sou eu?!"

Fica aqui prometido que em Novembro, na Maratona do Porto, o objectivo é baixar das 2h50m!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Aritmética do treino.

Faltam apenas duas semanas para o dia 10 de Maio e para a Gold Marathon Carlos Lopes, o treino está praticamente feito. Devido ao adiamento da prova, que inicialmente estava marcada para 19 de Abril, conforme escrevi por aqui, tive de fazer alguns ajustamentos ao treino. Assim, tive que esticar um plano que tinha sido concebido para 9 semanas e com uma competição de 1 meia-maratona, para um plano de 12 semanas com 2 meias-maratonas competitivas. Os resultados das competições como sabem, foram excelentes, resta agora saber se ainda fiquei com reservas suficientes para fazer um bom resultado na maratona. A organização dos treinos teve de conter alguma moderação, pelo que a partir da Meia-Maratona Cego do Maio, que culminou com a 7ª semana de treino, comecei a abrandar ligeiramente o ritmo das séries e também a componente rápida dos treinos longos, mas o resto seguiu em moldes idênticos. O Objectivo é andar ligeiro, mas nunca esgotar a força! Até agora tenho-me sentido bem, mas todas as dúvidas serão dissipadas no próximo dia 10. Nunca uma maratona é igual à outra, daí o fascínio desta mítica corrida!

7ª SEMANA 30/3 - 05/04
Segunda
54' Corrida contínua a 4'57"/km - 10,90 km
Terça
60' Corrida contínua a 4'48"/km - 12,70 Km
Quarta
Aquecimento 36'
4 rectas de 100m (Média 24")
Séries: 6x800m (Média 2'44") (Recuperação a trote (1'30")
Descontracção 16'
15,70 km
Quinta
58' Corrida contínua a 5'04"/km - 11,50 Km
Sexta
60' Corrida contínua a 5'13"/km - 11,50 Km
Sábado
50' Corrida contínua a 5'26"/km
4 rectas 100m (Média 20")
10,00 km
Domingo
Meia-Maratona Cego do Maio - 1h17m10s (Média 3'40"/km)
21,0975
Tempo total de treino de corrida - 7h20m
Kms percorridos 93,20

8ª SEMANA 6/4 - 12/04
Segunda
50' Corrida contínua a 5'26"/km - 9,20 km
Terça
60' Corrida contínua a 4'55"/km - 12,20 Km
Quarta
Aquecimento 35'
15 x 30" rápidos (90% capacidade) (Recuperação a trote 1')
Descontracção 15'
13,30 km
Quinta
60' Corrida contínua a 4'57"/km - 12,10 km
Sexta
71' Corrida contínua a 4'45"/km -14,90 km
Sábado
60' Corrida contínua a 5'13"/km - 11,50 km
Domingo
1h44m de corrida
Aquecimento 7'30"
9 km a 4'37"/km
6 km a 3'44"/km
9 km a 4'18"/km
25,20 km
Tempo total de treino de corrida - 8h05m
Kms percorridos - 98,40

9ª SEMANA 13/04 - 19/04
Segunda
50' Corrida contínua a 5'13"/km - 9,60 km
Terça
73' Corrida contínua a 4'54"/km - 14,90 km
Quarta
Aquecimento 33'
4 rectas de 100m (Média 24")
Séries: 8x800m (Média 2'45") (Recuperação a trote 1'30")
Descontracção 17'
17,20 km
Quinta
61' Corrida contínua a 5'10"/km - 11,80 km
Sexta
80' Corrida contínua a 4'54"/km
6 rectas progressivas 180m ( Média 40")
19,00 km
Sábado
60' Corrida contínua a 5'10"/km - 11,60 km
Domingo
Aquecimento 7'30"
1h53m de corrida
9 km a 4'40"/km
7 km a 3'49"/km
10 km a 4'20"/km
27,20 km
Tempo total de treino de corrida - 9h04m
kms percorridos - 111,30

10ª SEMANA 20/04 - 26/04
Segunda
60' Corrida contínua a 5'19"/km - 11,30 km
Terça
73' Corrida contínua a 4'50"/km - 15,10 km
Quarta
Aquecimento 32'
4 rectas de 100m (Média 24")
Séries: 10x800m (Média 2'47") (Recuperação a trote 1'30")
Descontracção 15'
19,00 km
Quinta
60' Corrida contínua a 5'10"/km - 11,60 km
Sexta
71' Corrida contínua a 4'48"/km
6 rectas progressivas 180m ( Média 38")
16,00 km
Sábado
60' Corrida contínua a 5'13"/km - 11,50 km
Domingo
Aquecimento 7'30"
2h05m de corrida
10 km a 4'36"/km
9 km a 3'53"/km
10 km a 4'21"/km
30,30 km
Tempo total de treino de corrida - 9h21m
kms percorridos - 114,80

Depois de tantos kms, estas semanas que se seguem são de descontracção para as pernas e mentalização da cabeça dos 42 kms e 195 mtos que terei de enfrentar. Não sabendo as condições climatéricas que me vão sair na rifa, mas estando já a preparar-me para uma corrida solitária, pelos ecos que se ouvem relativamente ao número de maratonistas a aderir ao evento, o melhor mesmo é converter as adversidades em motivações.


Haja pernas...e cabeça!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Meia-Maratona Cego do Maio: Na onda do record!

A Póvoa de Varzim tem sido, ao longo dos anos que levo de corrida uma cidade, talismã para mim. Os resultados aqui obtidos são sempre muito positivos, é caso para dizer que os ares da Póvoa são bons para a minhas pernas, como outrora diziam que ir a banhos nesta estância balnear dava muita saúde à criançada!

Cheguei bem cedo para proceder ao levantamento do dorsal. Dei uma pequena volta junto ao mar e estava tudo calmo e silencioso. Não havia sol, a temperatura para correr estava óptima e o vento não se fazia sentir, embora por estas bandas nunca se possa confiar muito na sua ausência.

Entretanto, chega a hora do aquecimento e entre ligeiros trotes vamos cumprimentando os amigos. Num repente e duma assentada aparecem os companheiros da blogosfera Miguel Paiva e Mark Velhote. O Miguel estava de bicicleta, privado de correr devido à pubalgia que o tem apoquentado, o Mark esse estava preparado para superar o seu melhor tempo. Após breves palavras sobre a corrida e os objectivos para o futuro, a hora da partida aproximou-se. Estava menos gente que em anos anteriores, não sendo alheio a este facto a corrida de 10 kms que, à mesma hora, ia decorrer em Vila Nova de Gaia. Deste modo, consegui uma excelente colocação na partida, quase em cima da linha da largada.

Soou o tiro da partida e empurrado pela multidão tive que dar corda às sapatilhas ao longo da Avenida dos Banhos. Quando passei no Casino onde aparecia a placa do 1º km, o meu cronómetro assinalou 3m27s! A meu lado já estava o Manuel Mendes, companheiro de muitos kms na Maratona do Porto e recentemente, também meu colega na sessão de séries das quartas-feiras. Tinha-lhe dito a estratégia para a corrida: Se a pilha desse ia tentar rolar a 3m40s/km e desta forma obteria um tempo final ligeiramente melhor que o da 'meia' de Lisboa. Prontamente, o meu amigo disse que me acompanhava até onde pudesse!

O mar da Póvoa é conhecido por ser muito traiçoeiro, assim também esta 'meia' podia reservar surpresas desagradáveis sempre com o suspeito do costume: o vento, que a qualquer momento poderia aparecer. O 2º km foi engolido em 3m36s, estava uma corrida demasiado agitada! Neste momento achei melhor não embarcar num grupo e preferi ficar com o meu amigo e tentar impor o ritmo desejável de 3m40s/km. Era preciso ter calma porque ainda havia muito mar para navegar! Abrandei um bocadinho, mas mesmo assim na passagem dos 5 kms registei 17m51s!

A coisa prometia e a pilha não dava sinais de fraqueza. Vamos lá Manel, que se faz tarde! Os dois, estrada fora, aviamos os 5 kms seguintes em 18m24s. Comentei com o meu companheiro que o tempo era excelente e a continuar assim, tanto ele como eu conquistavamos os ambicionados records! Animados, e já depois do retorno de Santo André rumo ao centro da Póvoa, continuamos num excelente ritmo médio de 3m40s/km. Momentaneamente, seguimos junto da atleta feminina que ia em terceiro lugar e mais dois atletas, mas num instante todos ficaram para trás. Aos 15 kms o ponto da situação não poderia ser melhor - 54m35s! Não cheirava a maresia, mas sim a record!

Por esta altura o meu amigo ficou ligeiramente para trás e como para a frente é que é caminho, aí fui eu entregue às minhas pernas. O objectivo era não deixar que o ritmo se desviasse muito dos 3m40s/km, ainda resisti e tive de cerrar os dentes quando o tal suspeito do costume - o vento, deu um ligeiro ar da sua graça, precisamente quando o terreno subia ligeiramente. Apesar de tudo consegui manter uma média de 3m45s/Km entre o 18º e o 20º km, muito moralizadora porque, entretanto, dobrei dois atletas que iam em perda. Quando passei de novo junto ao Casino e à entrada do último km, em pleno Passeio Alegre, como que apanhando uma onda, voei para a meta e para o record à média de 3m35s/Km, concluindo a prova no fantástico tempo de 1h17m10s!

O meu companheiro Manuel Mendes chegou logo a seguir, batendo também o seu record: 1h17m26s! No final trocamos um forte abraço e, claro, pedimos para nos tirarem uma fotografia para mais tarde RECORDar!