terça-feira, 31 de março de 2009

Calendário alterado, treino ajustado e Quem Quer Ser Bilionário?!

Num post anterior - Os desafios das pernas - apresentei um calendário de corrida e defini os objectivos para os tempos que se avizinham. Entretanto o calendário sofreu alterações, a saber - a Maratona do Carlos Lopes foi adiada para o dia 10 de Maio sem que, oficialmente, tenham apresentado razões, todavia como todos os anos a organização se debate com inúmeras dificuldades financeiras e de logística, não é difícil adivinhar que os motivos tenham sido os do costume. O segundo adiamento, pertenceu à Meia-Maratona de Matosinhos, inicialmente prevista para o dia 7 de Junho, mas devido às eleições para o Parlamento Europeu, marcadas para esse dia, foi forçada a alterar a data e a única que conseguiu arranjar foi dia 12 de Julho.

Assim, continuo a apostar na Gold Marathon, apesar de muita gente vaticinar um fracasso e acharem que o número de atletas vai ser reduzido, não me demovem! Até é capaz de ter graça correr sozinho em pleno Rosssio! Mas como neste dia vou estar em Lisboa, obviamente, não posso correr em Cortegaça, logo as contas de que a minha 50ª. meia-maratona seria comemorada no Douro Vinhateiro, saíram furadas. Deste modo as comemorações da meia centena de meias-maratonas vai ter de ser feita em Matosinhos, é caso para dizer que nas bodas de ouro das 'meias' não brindo com vinho, mas uma bela sardinhada não me vai escapar!

ABRIL
- Dia 05 - Meia-Maratona Cego do Maio, Póvoa de Varzim

MAIO
- Dia 10 - Gold Marathon Carlos Lopes, Lisboa
- Dia 24 - Meia-Maratona Douro Vinhateiro, Régua

JUNHO
- Dia 14 - Famalicão - Joane (12 km)
- Dia 21 - Corrida das Festas da Cidade do Porto (15 km)
- Dia 24 - Corrida das Caldas das Taipas (10 km)

JULHO
- Dia 05 - Grande Prémio de S. Pedro (10 km), Póvoa de Varzim
- Dia 12 - Meia-Maratona de Matosinhos

O poeta dizia, 'mudam-se os tempos, mudam-se as vontades', não me parece que tenha aplicação na corrida, todavia - mudam-se os calendários, ajustam-se os treinos!
Assim, a Meia-Maratona Cego do Maio, deste domingo, que estava previsto correr em ritmo de treino, vai ser a 'dar no osso', embora com as cargas elevadas de treino que tenho nas pernas não devo ter 'pilhas' para andar como em Lisboa, mas vamos correndo e vendo!


4ª SEMANA 09/3 - 15/3
Segunda
50' Corrida contínua a 5'19"/km - 9,40 km
Terça
71' Corrida contínua a 4'48"/km - 14,80 Km
Quarta
Aquecimento 35'
4 rectas de 100m (Média 24")
Séries: 9x800m (Média 2'43") (Recuperação a trote (1'30")
Descontracção 17'
17,60 km
Quinta
60' Corrida contínua a 5'08"/km - 11,70 Km
Sexta
62' Corrida contínua a 4'51"/km - 12,80 Km
Sábado
60' Corrida contínua a 5'07"/km - 11,70 km
Domingo
Aquecimento 7'30"
1h44m de corrida
9 km a 4'42"/km
6 km a 3'46"/km
9 km a 4'20"/km
25,20 Km
Tempo total de treino de corrida - 8h13m
Kms percorridos 103,20


5ª SEMANA 16/3 - 22/03
Segunda
46' Corrida contínua a 5'13"/km - 8,80 km
Terça
60' Corrida contínua a 4'52"/km - 12,30 Km
Quarta
Aquecimento 35'
4 rectas de 100m (Média 24")
Séries: 6x800m (Média 2'43") (Recuperação a trote 1'30")
Descontracção 16'
15,50 km
Quinta
63' Corrida contínua a 5'15"/km - 12,00 km
Sexta
60' Corrida contínua a 4'55"/km -12,2 km
Sábado
Descanso - 0,00 km
Domingo
Meia-Maratona de Lisboa - 1h17m42s - (Média 3'41"/km)
21,0975 km
Tempo total de treino de corrida - 6h17m
Kms percorridos - 81,90


6ª SEMANA 22/03 - 29/03
Segunda
55' Corrida contínua a 5'3o"/km - 10,00 km
Terça
62' Corrida contínua a 5'05"/km - 12,20 km
Quarta
Aquecimento 34'
4 rectas de 100m (Média 24")
Séries: 8x800m (Média 2'43") (Recuperação a trote 1'30")
Descontracção16'
17,10 km
Quinta
60' Corrida contínua a 5'07"/km - 11,70 km
Sexta
60' Corrida contínua a 4'45"/km - 12,60 km
Sábado
60' Corrida contínua a 4'44"/km
4 rectas progressivas de 150 m 32"
13,3 km
Domingo
Aquecimento 7'30"
1h41m de corrida
9 km a 4'35"/km
7 km a 3'46"/km
8 km a 4'17"/km
25,20 km
Tempo total de treino de corrida - 7h58m
kms percorridos - 102,10

Como curiosidade, no mês de Março que hoje termina, totalizei 459,8 km em 30 sessões diárias de treino (com uma competição), cujo tempo gasto foi de 36h30m, com direito a um dia de descanso efectivo!

Por influência do filme - Quem Quer Ser Bilionário? - que tive a oportunidade de assistir este fim-de-semana ( e que desde já recomendo) proponho aqui uma brincadeira aos meus leitores:



Assim,

O José Capela estreou-se em competições na 'meia da ponte' no dia 24 de Março de 2002; no passado dia 22, também na ponte com 47 anos correu a sua 47ª. meia-maratona. Destas, correu:

A - 5 abaixo de 1h20m, 19 entre 1h20 e abaixo de 1h24m, 18 acima de 1h24 mas abaixo de 1h30m e 5 acima de 1h30m.

B - 6 abaixo de 1h20m, 20 entre 1h20 e abaixo de 1h24m, 14 acima de 1h24m mas abaixo de 1h30m e 7 acima de 1h30m.

C - 9 abaixo de 1h20m, 24 entre 1h20m e abaixo de 1h24m, 13 acima de 1h24m mas abaixo de 1h30m e 1 acima de 1h30m.

D - 8 abaixo de 1h20m, 12 entre 1h20m e abaixo de 1h24m, 17 acima de 1h24m mas abaixo de 1h30m e 10 acima de 1h30m.

Já foram esgotadas todas as ajudas - Público, 50/50 e telefone!!!
Aceitam-se respostas nos comentários.
Os vencedores não receberão nenhuma quantia monetária, mas prometo atribuir um prémio a quem acertar na resposta correcta!

Boas corridas, bons treinos! E bons palpites...

segunda-feira, 23 de março de 2009

Meia-Maratona de Lisboa: A ponte para o record!


A Meia-Maratona de Lisboa tornou-se um fenómeno de massas. Obviamente que, uma manifestação desportiva que reúne cerca de 35.000 pessoas, algumas para correr, muitas para caminhar e outras ainda para passear, apreciar a magnífica paisagem ou simplesmente para se divertirem, tem defeitos e virtudes.

Nas duas últimas edições participei e escrevi aqui no blog o que eu penso acerca desta meia-maratona ( ver, da iniciação à peregrinação e a ponte da festa), logo não me vou repetir, com um relato que seria de todo muito idêntico.

No entanto, gostava de referir os defeitos e as virtudes que este ano consegui observar.
No rol dos defeitos, vem logo à cabeça o acesso à praça das portagens de todos os que vão no comboio para o Pragal e depois se dirigem ao local da partida. É inacreditável continuarem ao fim de tantas edições, a obrigar os milhares de pessoas a descer caminhos estreitos, com a agravante de este ano colocarem à entrada deste apertado e miserável acesso uns seguranças a revistarem as pessoas - simplesmente surreal!

Depois, a partir do momento que os atletas de elite não partem da ponte mas sim de Algés, não vejo a necessidade da distância da partida propriamente dita, onde estão colocados os atletas e caminhantes VIP's, convidados da organização e dos patrocinadores seja tão grande. É que são cerca de 200 metros. É completamente descabido, 20 metros bastariam e desta forma permitiria que a maioria dos atletas pudesse fazer um aquecimento digno desse nome.

Do lado das virtudes apenas consigo enaltecer o aumento, em cerca de 15% no número de participantes da 'meia', relativamente ao ano passado, com particular realce para a presença feminina, aproveitando desde logo para saudar as 790 mulheres que terminaram a prova.

A minha corrida correu bastante bem. Como aqui referi, a ida à capital serviria para fazer um primeiro balanço das semanas de treino e analisar o comportamento das pernas. E não é que as pernas responderam bem! Tão bem que até deram para um record! Mas mais importante que o resultado obtido, foi a forma relativamente fácil como foi alcançado.


Como muitos outros, também parti lá de trás e inevitavelmente com um aquecimento muito deficiente, no entanto consegui evitar a confusão e desde logo apanhar o andamento que desejava, contando com a ajuda do declive da ponte, fiz os primeiros 5 kms em 17m55s. Depois, quando a corrida entrou na zona plana da Avenida 24 de Julho, estabilizei o ritmo sempre a 3m40s/3m41s o km, o 2º parcial de 5 km feito em 18m26s, o 3º em 18m23s e o 4º em 18m27s, o que demosntra bem a regularidade mantida ao longo de todo o percurso. Concluí a prova com o tempo oficial de 1h18m27s, mas com o tempo de chip - e este é que conta para mim - de 1h17m42s, que além do já referido record, garantiu-me o 8º lugar em Veteranos 45-50 anos entre 594 participantes e na classificação geral 0 11oº lugar entre os 5.504 atletas que dobraram a meta.

Gostava também de agradecer publicamente o incentivo que senti durante corrida dos companheiros aqui da blogosfera, Joaquim Adelino, João Meixedo e Paulo Martins. O meu sincero obrigado!

Saldo final - as pernas andaram ligeirinhas! O treino vai continuar, porque corridas não faltam!

segunda-feira, 9 de março de 2009

O treino faz-se, treinando!

No último post escrevi sobre o calendário de corrida que as minhas pernas vão enfrentar nos tempos que se avizinham. Como gosto de dar boas respostas aos desafios que me proponho, só treinando é que poderei estar em condições para tal. Nestes últimos tempos, devido a circunstâncias profissionais e familiares, fui forçado a alterar os horários dos treinos que durante a semana ocorriam ao fim da tarde, pelas 19h. Assim para manter a cadência do treino, tive que efectuar alguns de manhã cedo às 7h e outros começar depois das 20h30m. Como para mim treinar é um prazer, não constituiu qualquer espécie de sacrifício, mesmo quando algumas vezes para além das 22 horas ainda estivesse a fazer alongamentos no hall de entrada do meu prédio!

E então o que andei a treinar?
Hoje vou partilhar com algum detalhe o meu registo de treino das 3 primeiras semanas, de uma planificação que tem a Meia-Maratona de Lisboa, 22 de Março, como objectivo secundário e a Gold Marathon Carlos Lopes de 19 de Abril como principal.

1ª SEMANA 16/2 - 22/2

Segunda
60' Corrida contínua a 5'02"/km - 11,90 km
Terça
70' Corrida contínua a 4'53"/km - 14,30 Km
Quarta
Aquecimento 30'
4 rectas de 100m (Média 24")
Séries: 8x800m (Média 2'45") (Recuperação a trote (1'30")
Descontracção 15'
15,50 km
Quinta
61' Corrida contínua a 5'03"/km - 12,10 Km
Sexta
70 Corrida contínua a 4'45"/km
6 rectas progressivas de 150m (Média 32")
16,40 km
Sábado
61' Corrida contínua a 5'02"/km - 12,10 km
Domingo
Aquecimento 7'30"
1h44m de corrida
9 km a 4'42"/km
6 km a 3'46"/km
9 km a 4'20"/km
25,20 Km
Tempo total de treino de corrida - 8h41m
Kms percorridos 107,50

2ª SEMANA 23/2 - 01/03

Segunda
61' Corrida contínua a 5'02"/km - 12,10 km
Terça
75' Corrida contínua a 4'45"/km - 15,80 Km
Quarta
Aquecimento 32'
4 rectas de 100m (Média 24")
Séries: 9x800m (Média 2'45") (Recuperação a trote 1'30")
Descontracção 18'
16,80 km
Quinta
66' Corrida contínua a 4'58"/km - 13,30 km
Sexta
85' Corrida contínua a 4'43"/km
6 rectas progressivas de 150m (Média 32")
19,10 km
Sábado
60' Corrida contínua a 5'13"/km - 11,50 km
Domingo
Aquecimento 7'30"
1h51m de corrida
9 km a 4'40"/km
7 Km a 3'45"/km
10 km a 4'19"/km
25,20 km
Tempo total de treino de corrida - 9h19m
Kms percorridos - 117,60

3ª SEMANA 02/03 - 08/03

Segunda
60' Corrida contínua a 5'03"/km - 11,90 km
Terça
81' Corrida contínua a 4'49"/km - 16,80 km
Quarta
Aquecimento 35'
4 rectas de 100m (Média 24")
Séries: 10x800m (Média 2'46") (Recuperação a trote 1'30")
Descontracção19'
19,10 km
Quinta
62' Corrida contínua a 5'13"/km - 13,80 km
Sexta
90' Corrida contínua a 4'47"/km - 18,80 km
Sábado
60' Corrida contínua a 4'55"/km - 12,2 km
Domingo
Aquecimento 7'30"
2h00m de corrida
9 km a 4'40"/km
8 km a 3'46"/km
11,2 km a 4'20"/km
29,40 km
Tempo total de treino de corrida - 9h40m
kms percorridos - 122,00

Como... the training must go on, vou continuar, brevemente sentirei os ares da capital e farei um primeiro balanço do treino!

Haja pernas!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Os desafios das pernas.


Cumpri 3 semanas de descanso activo. Reduzi o número de kms, abrandei o ritmo e ainda me dei ao luxo de contabilizar 2 dias de descanso efectivo. Portanto, treino sim, mas nada de séries, nem Fartlek, apenas rolar, umas vezes a trotes muito suaves, outras em corridas contínuas a ritmos moderados. Apenas e só nesta última semana é que fui gradualmente imprimindo ritmos mais fortes, para que o corpo não perca as rotinas de treino.

E agora, que desafios vão ter as pernas?

Para poder programar o treino dos próximos meses, elaborei um calendário de corrida para os próximos tempos.

MARÇO
- Dia 22 - Meia-Maratona de Lisboa

ABRIL
- Dia 05 - Meia-Maratona Cego do Maio, Póvoa de Varzim
- Dia 19 - Gold Marathon Carlos Lopes, Lisboa

MAIO
- Dia 10 - Meia-Maratona de Cortegaça
- Dia 24 - Meia-Maratona Douro Vinhateiro, Régua

JUNHO
- Dia 07 - Meia-Maratona de Matosinhos
- Dia 21 - Corrida das Festas da Cidade do Porto (15 km)

JULHO
- Grande Prémio de S. Pedro (10 km), Póvoa de Varzim

Inicialmente, tinha programado correr uma maratona na Primavera e no estrangeiro, mas a crise também chega à malta das corridas, daí ter optado pelo mercado nacional e ir experimentar a maratona do Carlos Lopes que, apesar de muitas incertezas e de receber sempre inúmeras críticas em termos de organização, continua a realizar-se. No entanto pude constatar que pelo menos tem um ponto positivo - o percurso - partir da Expo, correr junto ao Tejo, depois seguir pela marginal até Cascais, voltar até ao Casino do Estoril e aí terminar, parece-me de facto muito interessante!

Assim, a maratona devido à sua exigência em termos físicos merece sempre a minha melhor atenção. Aliás, iniciei esta semana a sua preparação e nas próximas 8 semanas será o foco do meu treino. Irei submeter as pernas a cerca de 900 kms - muitos treinos de corridas contínuas a vários ritmos, muitas séries de 800 metros e claro os inevitáveis treinos longos que variarão entre os 22 e os 28 kms. O objectivo para a 9ª maratona da minha carreira, é simples: bater o tempo que estabeleci em Outubro no Porto - 2h54m15s.

Se tudo correr dentro da normalidade, irei comemorar a minha 50ª presença em meias-maratonas, no magnífico cenário do Douro Vinhateiro, na Régua. Devido à magia do número, conto por essa altura estar em forma, colher os frutos da preparação da maratona e em condições para tentar melhorar a minha marca na distância: 1h18m47s.

Como podem verificar, não vão faltar corridas para alimentar a minha motivação! Os dados estão lançados, iremos ver como responderão as pernas a todos estes desafios!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Razões do corpo.

Entre a Maratona do Porto (26 de Outubro) onde fixei o meu novo record e a Meia-Maratona Manuela Machado (25 de Janeiro) em que o vento traiu um resultado ainda melhor, passaram-se 3 meses. Neste espaço de tempo, corri a 'meia' da Nazaré onde tive um óptimo desempenho, a seguir a 'meia' da Marinha Grande onde estabeleci a minha melhor marca, depois as S. Silvestres do Porto e Santo Tirso, com excelentes performances e por fim pulverizei o record dos 15 km no Nacional de Estrada disputado em Mirandela.

Estes resultados levaram-me a fazer algumas reflexões acerca do treino que fiz durante os últimos meses. A primeira coisa a referir, desde logo, é que a preparação para a maratona, quando feita de forma adequada, reflecte-se não só na maratona propriamente dita, como também nas corridas seguintes. Em segundo lugar, a importância de refrear o entusiasmo gerado pela obtenção de boas marcas, que no passado me levou a cometer o erro de aumentar muito as cargas de treino, pensando que deste modo alcançaria mais rápido melhores resultados. Raramente falho um treino, mas comecei a desempenha-lo seguindo a regra do bom senso.

Especificamente, treinei para a 'prova rainha' durante 9 semanas, com direito apenas a dois dias de descanso e uma média semanal de kms nunca inferior a 90, o que totalizou 61 de treinos e 882 kms percorridos.
Após a maratona, durante 3 dias fiz caminhada ligeira, regressei aos treinos a ritmos muito sauves e a partir da segunda semana comecei a aumentar a carga gradualmente. Durante a preparação para a maratona, a meio da semana tinha um dia na pista de tartan reservado às séries, cujo número de repetições variou entre as 6 e as 12. Depois deixei de fazer séries e optei pelo Fartlek efectuado num circuito em terra de cerca de 1 km, com subidas e descidas, que constava basicamente em correr 300 mts rápidos e os restantes a um ritmo mais moderado. O número de kms neste método oscilou entre os 8 e os 12 km, dependendo da proximidade das competições. Obviamente, tanto o treino de séries como o Fartlek, era sempre precedido de 25 minutos de aquecimento e depois, no final, 15 minutos de regresso à calma. Também dei particular atenção aos alongamentos, parecendo coisa de menor importância, mas que se revelam essenciais na prevenção de lesões e consolidação muscular.

Comecei esta paixão pela corrida com quase 40 anos e conto já no meu curriculum com 8 maratonas e 46 meias-maratonas! Esta experiência de 7 anos, de muitos dias de treino e kms nas pernas, ensinaram-me que o mais importante para mim, atleta veterano, é a forma como recupero dos treinos fortes e a regularidade com que os faço. Treino diariamente, para ter disponibilidade e condições físicas, tento também ter uma alimentação adequada e umas boas horas de sono retemperador. Não adianta calçar as sapatilhas para correr quando se está cansado! Também cheguei à conclusão que as séries curtas de 100, 200 e 300 mts, que outrora utilizava com a finalidade de ganhar velocidade, não me traziam grandes benefícios, antes pelo contrário provocavam-me bastante desgaste muscular e retardavam a minha recuperação. Prefiro fazer rectas de 150 mts em ritmo progressivo duas vezes por semana e no fim de um ou outro treino de corrida contínua. Gostaria ainda de referir a importância da planificação e registo do treino. Anoto todos os dias o tipo de treino, número de kms percorridos, o tempo efectuado, o ritmo e as características do terreno. A recolha destes dados permite fazer comparações, análises do estado de forma e a evolução do rendimento ao longo dos anos.

A campeoníssima Paula Radcliffe disse um dia que o seu sucesso e a sua longevidade de atleta de alta competição se devia ao saber escutar os sinais do corpo. Talvez os anos que tenho de prática de corrida ainda não me confiram a maturidade suficiente para ter essa percepção, por enquanto apenas me guio pelas razões do corpo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Meia-Maratona Manuela Machado: Contra ventos não houve argumentos!

Na última semana bateu-se um enorme temporal sobre o norte do país. Chuvas e ventos fortes estavam na ordem do dia, aliás a Protecção Civil, anunciava permanentemente alertas para os distritos de Braga e Viana do Castelo. Mas atleta que se preze e que goste de agitar as endorfinas, dá poucos ouvidos a este tipo de avisos. Assim, os treinos dos últimos dias foram feitos debaixo de chuvas intensas e ventos que até arrancaram árvores! Com este panorama e segundo os meteorologistas para a manhã de domingo não era esperado nenhum dia ameno.

Cheguei a Viana bastante cedo, até nem foi preciso estacionar o carro no parque pago junto à antiga doca, ficou mesmo em frente ao Navio-Museu Gil Eanes e à borla! Quando saí do carro, não chovia mas já corria um vento bastante desagradável e sobretudo muito frio. Subi a avenida onde é dada a partida e chegada e a azáfama da organização em manter de pé as grades, as bandeiras e as faixas publicitárias ali colocadas era grande, sinais que o tempo continuava a fazer estragos. A Manuela Machado andava numa roda-viva. Levantei os dorsais sem qualquer espécie de fila e comecei a duvidar que os 2000 atletas que a organização anunciou fossem atingidos. Obviamente, muitos preferiram ficar, como disse o outro - na caminha - a ir correr com esta invernia.

Como estava frio comecei a fazer o aquecimento com 45 minutos de antecedência da hora da partida. Entretanto os atletas começavam a aparecer de todos os lados e também a fazerem-se notar os inúmeros espanhóis que a organização garantia ter presentes. Nos trotes ligeiros do aquecimento, quando corríamos para Norte o vento travava, para Sul o vento empurrava, outras vezes pura e simplesmente atrapalhava. Nas habituais impressões que se trocam entre os atletas era unânime ouvir-se que ia ser uma corrida difícil e nada propícia a grandes tempos.

Para continuar na senda dos records teria de concluir a prova abaixo de 1h18m47s! Pareceu-me que não era o dia ideal para isso, não pela minha condição física, mas pelas condições climatéricas. Mas como sou teimoso, disse para mim - partes para o tempo que te dê o record, se não for possível, paciência!

Encaminhei-me para a partida, fui furando entre este e aquele e até consegui um bom lugar. Apesar do tempo adverso e embora longe dos números esperados pela organização do evento, ainda assim estava muita gente. A partida foi dada e tento agrupar-me a atletas que tem ritmos idênticos aos meus, para ver se seguindo em grupo, minorava as dificuldades que se perspectivavam. Dobrei o km 5 em 18m15s, o que era bastante bom! O vento até aqui não atrapalhou, não seguia propriamente em grupo, mas também não ia só, ultrapassava aqui e ali um atleta ou era ultrapassado. Dos 5 aos 1o kms saímos de Viana e rumamos a Cardielos, à freguesia de onde é natural a Manuela Machado, o percurso é feito num sobe e desce, nada de muito difícil, atenuado até pela ajuda do vento. Aqui já seguia praticamente entregue a mim próprio, mantendo um ritmo dentro dos 3m42s/km, que era excelente, mas estava a desconfiar que quando tivesse de correr no sentido inverso, a corrida ia complicar-se. Cheguei aos 10 kms com 36m44s, que dava uma margem positiva de cerca de 30 segundos para a obtenção do record. Estava a fazer um trabalho de formiga, tentando amealhar segundos necessários quando o vento era favorável, para depois poder perdê-los quando este se revelasse desfavorável! Depois do retorno próximo dos 12 kms, o que se suspeitava que ia acontecer, acontecia mesmo. O vento estava mesmo contra, era necessário imprimir mais força nas pernas, tentava-se chegar a um colega e ficar escondido atrás dele, olhava-se em frente e esperava-se que junto aquele muro alto fosse mais abrigado. Puro engano! O meu cronómetro na passagem dos 15 km sentenciava que o que amealhei até aos 10 km estava esbanjando e que até já contabilizava um prejuízo de 10 segundos. Como se seguiam 2 km a descer e o meu optimismo não é fácil de abalar, ainda acreditava que o vento pudesse dar uma trégua e o record ser alcançado. Esta ilusão demorou muito pouco, entre o km 17 e 18 o vento era forte demais, por momentos quase me parou e as consequências no cronómetro foram devastadoras - 1 km em 4m18s! Depois fica muito difícil voltar ao ritmo e só dos 19 para os 20 km consegui 3m48s, mas era demasiado tarde e o record já o vento o tinha levado!
Cortei a meta com 1h19m40s, atendendo às circunstâncias até foi um tempo simpático. Fui 79º lugar na classificação geral entre os 999 que terminaram a prova e no escalão veteranos 45-50 anos, 7º em 170.

Não adianta chorar os caprichos da natureza, a leveza das minhas pernas não tiveram argumentos para o vento. O record pode esperar, ainda estamos no início de 2009 e até ao fim não vão faltar oportunidades para o superar!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Mirandela: Voar nas margens do Tua!

Mirandela é uma bonita cidade do nordeste transmontano. Encravada entre serras e montes, num vale banhado pelo rio Tua, com espaços verdes muito bem cuidados, são algumas das características que lhe atribuem uma aura de romantismo e charme, que levam muitos a designa-la por cidade-jardim!

Nas épocas anteriores, o CAMIR (Clube Amador de Mirandela) em parceria com o município, organizaram a Meia-Maratona "Rota do Azeite". Este ano, como a Federação Portuguesa de Atletismo decidiu levar o Campeonato Nacional de Estrada até Mirandela, e como a distância neste tipo de competição é de 15 km, a 'meia' foi trocada por esta prova.

O meu clube, o NAT (Núcleo de Atletismo das Taipas), fez-se representar por um elevado contingente, 30 atletas para os 15 km e 19 para a caminhada. Ainda era noite quando o autocarro que nos transportou começou a rumar até Trás-os-Montes, acompanhado por uma chuva miudinha e um nevoeiro cerrado, ao longo da travessia da serra do Marão. No entanto, nem este tempo invernoso fazia esmorecer a vontade de cada um de nós dar o seu melhor, antes pelo contrário, até servia de motivação. No entanto, quando chegamos a Mirandela deixou de chover, estava frio e nublado, mas bastante agradável para correr!

Atendendo às minhas últimas prestações em provas recentes, ao tipo de treino que tenho efectuado e, essencialmente, à forma como me sinto, o objectivo para esta corrida era melhorar a minha marca na distância, registada no ano passado em Viana do Castelo, com o tempo de 55m04s. Assim, tinha planeado a corrida para um tempo máximo de 18m20s, cada 5 km, que daria uma média de 3m40s/km, mas com plena consciência que até poderia fazer um pouco melhor, pois sabia de antemão que o percurso era bastante rápido.

Apesar de ser uma prova do Campeonato Nacional, não estava tanta gente como se esperava e a organização anunciou 700 atletas. A partida foi dada em cima de uma das pontes do rio Tua, e como estava bem colocado, não tive qualquer espécie de problema na largada. Comecei num ritmo forte e estava à espera da placa que anunciava o 1º km, para averiguar o andamento - não a vi, nem podia ver, porque parece que nem existia, aliás como as seguintes, assim o ritmo foi apenas controlado pela experiência e pela companhia de atletas que vamos conhecendo de outras provas.
Finalmente, apareceu a placa dos 5 kms e o meu cronómetro marcou uns excelentes 17m40s. ou seja, estava a correr 40 segundos mais rápido que o planeado. Neste momento, resolvi refrear um pouco o ímpeto para o segundo terço da corrida e depois se estivesse com força, atacar no último terço da prova. Dos 5 kms até aos 10 kms, o percurso traz-nos de volta ao centro da cidade e o Tua é cruzado pelas duas pontes. Mesmo tirando um pouco o pé do acelerador, ainda ia ultrapassando alguns atletas, o que era deveras motivador. Dobrei os 10 kms com o tempo de 36m05s, com o segundo parcial a fixar-se nos 18m25s. Estava mais rápido 35 segundos do que o tempo necessário para bater o meu record!
Como as pernas estavam a responder muito bem, a cabeça deu ordem para avançar mais depressa - foi pensar e fazer! Surpreendentemente, a partir dos 12 km começaram a aparecer placas e eu cronometrei 7m15s em 2 km, depois surgiu a dos 13 km e o meu ritmo melhorou, 3m33s nesse km, a seguir a dos 14 km ultrapassada em 3m30s. Muito moralizado e sabendo que o record já não me iria escapar despachei o último km em 3m28s, fechando o último parcial de 5 km em 17m43s, contabilizando um espectacular tempo final de 53m48s, à média global de 3m35,2s/km!

Voei nas margens do Tua!
Foi pena que a organização de um evento desta natureza não tivesse cronometragem através do sistema de 'chip' , no entanto e embora tardiamente, as classificações recolhidas manualmente foram publicadas no site do clube organizador.
Mais vale tarde que nunca!
Assim, ficou-se a saber que terminaram a prova 379 atletas, números muito distantes dos anunciados. Atribuiram-me o tempo de 53m50s, que se saldou pelo 101º lugar da geral e em veteranos 45-50 anos feitas as respectivas contas, obtive o 5º lugar.

No próximo domingo o calendário marca Viana do Castelo - Meia-Maratona Manuela Machado. Vou tentar recuperar bem durante esta semana, para ver se as pernas continuam a galgar records!